OMS: Reabertura num dos momentos mais “perigosos” no Brasil

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O grande risco de uma segunda onda

A cúpula da OMS – Organização Mundial de Saúde, manifesta grande preocupação quanto a reabertura da economia e sociedade no Brasil, temendo que a mesma cause um descontrolado aumento na pandemia, a exemplo dos Estados Unidos, com grande salto numa segunda fase da doença.

Membros da equipe que se ocupa da pandemia na OMS apontam que o momento é considerado como “crítico” no Brasil. “Talvez esse seja um dos momentos mais perigosos da epidemia no país”, disse um deles, na condição de anonimato.

A pressão do presidente Jair Bolsonaro está refletindo na sociedade, no sentido de acelerar a reabertura e isso também se reflete no empresariado que pressiona, por sua vez, os órgãos dos governos estaduais, quando o Rio de Janeiro já liberou bares, lanchonetes e outras áreas, enquanto São Paulo começa nessa segunda-feira (6) sua reabertura.

O Brasil enfrenta um número recorde de casos diários no mundo, com o fracasso de dois dos tratamentos sob avaliação e com a constatação da entidade mundial de que, se governos não mudarem de postura, “o pior está por vir”.

Para especialistas da OMS, a experiência mostrou que países com níveis de transmissão como as do Brasil não conseguiram fazer a reabertura com êxito. A opção brasileira, portanto, é considerada como um “risco” e apelam para que decisões sejam tomadas com base em cada cidade do país e levando em consideração cada uma das realidades.

A experiência mostrou, segundo a OMS, que países com níveis de transmissão como as do Brasil não conseguiram fazer a reabertura com êxito. A opção brasileira, portanto, é considerada como um “risco” e apelam para que decisões sejam tomadas com base em cada cidade do país e levando em consideração cada uma das realidades.

os técnicos acreditam que o Brasil precisa garantir que essa reabertura seja acompanhado por três medidas. Uma delas é o aumento de testes. Hoje, o país continua sendo um dos que menos testa entre os principais locais da crise. Um segundo elemento é o de garantir investimento nos serviços públicos de saúde, justamente para garantir que haja espaço nas UTIs caso o número de infectados volte a dar um salto. Para OMS, um terceiro elemento é garantir uma conscientização da sociedade sobre a necessidade de se manter a distância, lavar as mãos e usar máscaras. Sem isso, alertam os técnicos, o resultado será uma nova onda de forte de transmissão, repetindo os números de maio e começo de junho.

A recente inversão da Lei que obriga o uso de máscaras, com o veto de Bolsonaro que praticamente tornou a lei em “liberação quanto ao não uso”, foi visto com muita estranheza pela OMS e toda comunidade internacional, afetando, ainda mais, a imagem do atual governo no cenário internacional, que se mostra perplexo com as atitudes do presidente, afetando as relações internacionais em face a desconfiança em tudo que o mesmo determina.

Este fato afeta a economia, sobretudo, e todas as áreas de relações no mundo onde a globalização é determinante no que diz respeito a confiança, o que é fundamental para as relações comerciais.

Na sexta-feira, de fato, o diretor de operações da OMS, Mike Ryan, afirmou que existem alguns sinais iniciais de estabilização da curva de pessoas contaminadas no Brasil pelo coronavírus. Mas alertou que o governo terá de intensificar a resposta se quiser controlar a pandemia. Ryan aponta que não há garantia de que os números começarão a cair e que continuam elevados. Mas insiste que o momento é o de tentar assegurar que não haja uma nova aceleração de casos. “Os números se estabilizaram nos últimos dias”, afirmou. “A esperança é de que não recomece a aumentar”, insistiu.

Para ele, “nunca é tarde demais para ter controle” sobre a doença. “A questão é se governos assumem o controle”, insistiu. De acordo com o chefe da OMS, o sistema de saúde no Brasil e as UTIs continuam capazes de lidar com a crise. “Em muitos países, o sistema está saturado. Não chegamos a esse ponto ainda (no Brasil)”, disse. Para ele, é o momento de dar crédito aos profissionais de saúde no país.

Caberá, à população, assumir a responsabilidade de seus atos, cada um com seu discernimento, buscando evitar as aglomerações e cumprir o que determina a ciência, não acompanhando o pensamento irresponsável daqueles que se consideram donos da verdade e, dessa forma, provocam um número que supera a casa de mil óbitos diários.

Da redação OEB
com fontes da UOL, declarações da OMS e outros órgãos.

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