Denúncia grave: Amazônia perdeu 964 quilômetros quadrados de floresta só em setembro

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De janeiro a setembro deste 2020, o desmatamento da floresta tropical somou 7.063 quilômetros quadrados, com total conivência e inépcia do governo, mesmo representando o maior número já atingido na história.

Desmatamento desmedido

Os números assustadores fomentam a repercussão mundial, que envolve a rejeição do Parlamento Europeu do acordo UE-Mercosul, o que representa mais um entrave na retomada da difícil situação da economia brasileira que vai de mal a pior, graças a inatividade do Ministério responsável por essa área, com dois anos de discurso, sem qualquer ação, planejamento e resultados efetivos.

Os dados do Deter, do INPE apontam para 964 quilômetros quadrados de desmatamento somente em setembro deste ano. Embora represente uma redução de 33,7% em comparação a 2019, que atingiu 1.454 quilômetros quadrados em setembro, o número é bem maior que os registrados no mesmo mês de 2015, 2016, 2017 e 2018, o que leva-nos a questionar o que o atual governo tem feito com relação a este grave problema.

Trata-se de um total descaso, sem se importar com os graves problemas que influenciam as relações comerciais internacionais, já que todo o planeta e, principalmente os investidores, que consideram, em seus estudos, este fator mais que agravante.

O desmatamento da Amazônia registrou queda na comparação anual pelo terceiro mês seguido, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira, que mostraram também, no entanto, que a devastação da floresta segue em patamares elevados na comparação com anos anteriores a 2019.

Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, a Ministra da Agricultura, declara que o boi é um bombeiro, referindo-se ao pantanal, que arde em chamas e incentivando a agropecuária substituindo as áreas que deveriam ser preservadas.

A infeliz declaração causou reação extremamente negativa na imprensa internacional e não é confirmada por nenhum especialista, pelo contrário, gerando críticas a sua absurda afirmação.

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Pesquisadores analisaram resistência das florestas tropicais úmidas em cenários extremos; além da Amazônia, bacia do Congo também pode ter o mesmo destino, segundo informa a Agência AFP.

Ambientalistas culpam o governo do presidente Jair Bolsonaro, que reduziu os mecanismos de fiscalização ambiental e defende a mineração e a agricultura em áreas protegidas da Amazônia, por incentivar madeireiros ilegais, grileiros e garimpeiros a destruírem a floresta.

“A situação do desmatamento ainda é péssima, os números ainda são horríveis e continuam inaceitáveis. A marca só parece boa se ela for comparada ao recorde negativo do próprio governo”, disse o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, em áudio enviado à Reuters.

“Só para a gente ter uma ideia, se a gente pegar os números dos anos imediatamente anteriores ao governo Bolsonaro –2016, 2017 e 2018– eles são bem menores do que os que foram divulgados agora em 2020”, disse.

“Antes a gente media desmatamento na Amazônia na casa de centenas de quilômetros e com o Bolsonaro a gente inaugurou uma nova era em que a gente mede alertas de desmatamento na casa dos milhares de quilômetros quadrados. Dos 19 meses do governo, 15 foram de piores marcas em termos de alertas de desmatamento.”

Além do desmatamento, a Amazônia tem sofrido com queimadas, que também atingiram o Pantanal. Este cenário levou a um aumento da pressão internacional sobre o governo Bolsonaro por causa de sua política ambiental e levou o governo a enviar as Forças Armadas para conter crimes ambientais na Amazônia.

Bolsonaro diz que pretende tirar a região da pobreza e que a quantidade de floresta ainda preservada mostra que o Brasil é um modelo ambiental. Ele também aponta que há interesses e cobiça internacional sobre a Amazônia.

Na semana passada, durante debate entre candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o postulante democrata Joe Biden propôs um esforço para fornecer 20 bilhões de dólares em financiamento para a preservação da floresta e ameaçou o Brasil com “consequências econômicas significativas” se o país não parar o desmatamento.

Em resposta, Bolsonaro disse que a declaração do candidato democrata sobre a Amazônia foi “desastrosa e gratuita” e que ele fez uma ameaça infundada.

Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não se manifestou sobre os dados divulgado nesta sexta.

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O Cerrado sofre com as queimadas neste período de estiagem, a baixa umidade no DF no fim de semana levou a Defesa Civil a declarar estado de emergência na capital(Jose Cruz/Agência Brasil)

Apesar da queda nos dados mensais de desmatamento, o dado oficial sobre a perda florestal de 2020 deve registrar uma nova alta.

A medição anual do desmatamento da Amazônia é feita pelo sistema Prodes, também do Inpe, entre os meses de agosto de um ano a julho do ano seguinte. De acordo com os dados do Deter, que costumam ser menores que os do Prodes, entre agosto de 2019 e julho de 2020, o desmatamento foi de 9.216 quilômetros quadrados, alta de 34,6% na comparação com o período anterior.

O Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) estima que o dado anual sobre desmatamento para o período 2019/2020, que deve ser divulgado em novembro, ficará acima de 14 mil quilômetros quadrados.

O mundo nos cobra e o atual governo não tem resposta, sequer, para a imprensa brasileira, responsável por informar a população.

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

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