Categoria: Economia & Finanças

Adeus centenária Ford do Brasil

1919 – 2021

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Ford modelo T – 1919.

Custo Brasil, Dólar alto (uma das moedas mais desvalorizadas do planeta), políticas de isolamento do mundo, risco de sanções causadas pela irresponsabilidade com o meio ambiente, governo negacionista na pandemia (o que resulta em atraso maior na retomada econômica) e inúmeros outros fatores, podem ter antecipado a decisão da Ford, que anuncia a paralização imediata das atividades no país.

A montadora, que já tinha encerrado a produção de caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, em 2019, comunicou que vai fechar neste ano as demais fábricas no País: Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

Argentina e Uruguai permanecerão com suas fábricas normalmente e o Brasil deverá, a partir do fechamento total, importar destes países.

Serão mantidos no Brasil apenas a sede administrativa da montadora na América do Sul, em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP).

Ministério da Economia diz que a iniciativa ‘destoa da forte recuperação’ da indústria no País; e o secretário da pasta fala em ‘união de forças’ pela recuperação do setor.

Uma argumentação que não retrata a realidade para a Ford.

Um Ministério da Economia que reconhece que não conseguiu fazer nada nestes dois anos, um presidente que declara que o país está quebrado, afastamento do governo americano e apoio a atos terroristas do trumpismo, com anúncio de que 2022 pode ser pior no Brasil, já seriam argumentos suficientes para a retirada das fábricas do Brasil.

Deixar o Brasil, terá um custo de US$ 4,1 bilhões. Ainda assim, é mais interessante para a empresa.

A decisão da Ford de encerrar a produção no Brasil terá impacto financeiro de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, conforme informação da montadora durante o anúncio de fechamento de três fábricas.

Cerca de US$ 2,5 bilhões deste total, terão impacto direto no caixa do grupo americano, sendo, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos. Outros US$ 1,6 bilhão decorrem de impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos.

Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, destacou que, após reduzir custos em “todos os aspectos do negócio” e encerrar produtos não lucrativos, incluindo o fim da produção de caminhões, o ambiente econômico desfavorável, agravado pela pandemia, deixou claro que seria necessário “muito mais” para dar sustentabilidade e rentabilidade à operação.

Em 2020, foram emplacados cerca de 2 milhões de carros, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A Ford foi responsável por 118,4 mil, considerando apenas os automóveis, uma queda de 39,7% em relação a 2019, quando o total chegou a 196,3 mil unidades. O Ford Ka foi o sexto modelo mais vendido no Brasil no ano passado. Em 2019, ele ocupou a segunda posição, segundo dados da Fenabrave.

“A Ford já não vinha apresentando resultados muito felizes no Brasil há alguns anos, algo que se acalorou em 2019, quando decidiu fechar sua fábrica de caminhões para alocar investimentos na China. Agora, com linhas de receitas afetadas, tomaram uma decisão mais enérgica.”

Ricardo Bacellar
Sócio-líder de indústria e mercado automotivo da KPMG no Brasil

As vendas do EcoSport e do Ka serão encerradas assim que terminarem os estoques. A empresa informa que vai trabalhar “imediatamente” em colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano “justo e equilibrado” para minimizar os impactos do encerramento da produção. Primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, a Ford está no Brasil desde 1919.

A secular história que termina, tragicamente para a economia brasileira, depois de tantas conquistas, deixa um vácuo de muitos milhares de empregos na indústria de auto peças, serviços de manutenção automotiva, concessionárias e inúmeros outros setores que sofrerão grande impacto.

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: Agências de notícias / Estadão / Anfavea

Ford mostra que recuperação econômica em “V” é misto de devaneio e embuste

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OPINIÃO.

A decisão da gigante americana Ford de encerrar a produção de automóveis no Brasil é uma incontestável prova de que a política econômica comandada pelo ainda ministro Paulo Guedes (Economia) é um fracasso, assim como demonstra que a tão propalada “recuperação em V” não passa de retórica embusteira.

Desde a campanha presidencial de 2018, o UCHO.INFO afirma que Guedes é um teórico conhecido que tropeça no momento de colocar em prática suas ideias, nem sempre alinhadas à realidade. Antes da pandemia do novo coronavírus, o ministro afirmou que a economia brasileira estava “decolando” e em seguida disse que estava em “pleno voo”. Diante dos primeiros estragos promovidos pela Covid-19, Paulo Guedes foi obrigado a desdizer-se. Reconhecendo que sua fala foi marcada pelo ufanismo.

A decisão da Ford foi lamentada por integrantes da cúpula do Ministério da Economia, até porque trata-se de uma empresa que está há 102 anos no Brasil, mas Guedes disse que a saída da montadora do País destoa da “forte recuperação” observada no setor industrial brasileiro.

Paulo Guedes tem o direito de pensar o que bem quiser e externar seu pensamento a qualquer momento, até porque trata-se de direito constitucional, mas não pode induzir a opinião pública a erro. Afirmar que a indústria brasileira está em franca recuperação é fruto de devaneio.

A Ford apenas puxou a fila de um processo que pode custar caro ao País: a debandada de montadoras. Afinal, a falta de empenho do governo na aprovação de reformas econômicas estruturais tem feito o chamado “custo Brasil” permanecer nas alturas, o que inviabiliza qualquer negócio sério e responsável.

Como se não bastasse o delírio de Guedes, o vice-presidente da República, Antônio Hamilton Mourão, disse que a Ford “ganhou bastante dinheiro no Brasil” e poderia ter adiado a decisão.

“Não é uma notícia boa. Acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Me surpreende essa decisão que foi tomada pela empresa. Uma empresa que está no Brasil há praticamente 100 anos. Acho que ela poderia ter retardado isso aí e aguardado, até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros”, afirmou Mourão.

O vice-presidente deveria saber que nenhuma empresa pode enfrentar prejuízos em função dos desvarios de um governo perdido e marcado pela incompetência, até porque a Ford, assim como outras grandes companhias, tem acionistas, a quem deve explicações sobre desempenho econômico-financeiro.

Sobre o tamanho do mercado consumidor brasileiro, Hamilton Mourão precisa abandonar o “País de Alice” que reina nos quartéis e se inteirar da realidade econômica do País. Não se pode falar em recuperação econômica ou mercado consumidor em um país em que dois terços da população recebem menos de dois salários mínimos por mês.

Além disso, os efeitos colaterais da pandemia colocaram milhões de brasileiros em situação de penúria, sem contar os que ainda não alcançaram esse cenário de caos, mas revisaram os hábitos de consumo.

Quando o salário mínimo oficial (R$ 1.100,00) equivale a aproximadamente um quinto da remuneração ideal, segundo cálculos do Dieese (R$ 5.300,00), falar em recuperação da economia em “V” ou querer que a Ford continue a ter prejuízos para agradar o governo são declarações irresponsáveis de quem realmente desconhece a realidade nacional.

É importante ressaltar que o presidente Jair Bolsonaro, que vendeu aos incautos brasileiros a falsa ideia de que era o único candidato ao Palácio do Planalto com condições de resolver os problemas do País, fracassou nos campos político e econômico. Isso significa que sem ter o que entregar ao eleitorado, terá de radicalizar acalmar a turba de apoiadores. E isso se dará no vácuo da pauta de costumes, que levará o Brasil ao retrocesso no campo da democracia e dos direitos individuais.

Ucho Haddad
Jornalista e Comunicador

O presidente do “país quebrado” que potencializa o caos, culpa a mídia por potencializar o vírus

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Em sua costumeira inversão dos fatos, Bolsonaro, que potencializa a pandemia, negando a realidade e sabotando o combate à maior crise sanitária mundial, em mais uma crise de insanidade, culpa a mídia por “potencializar o vírus” e reconhece sua incapacidade total ao confessar que “não consegue fazer nada”.

Com o número crescente de mortes, que nesta semana deverá chegar a 200 mil, nos dados oficiais e a mais de 300 mil, segundo especialistas que consideram as subnotificações por falta de testes e total incapacidade do governo Federal no controle, mapeamento e combate ao vírus, o presidente, numa postura criminosa, permanece indiferente ao caos que ele, com todas as suas forças, promove.

No encontro com sua claquete, ele argumenta que não consegue a mudança na tabela do Imposto de Renda, mais uma das promessas de campanha não cumprida, culpando o vírus e a imprensa “sem caráter” que o potencializa.

Nas redes sociais, os brasileiros de bem questionam quem é ele para falar em caráter.

Numa forma absurda de tentar fugir de suas responsabilidades e palavra que nunca cumpre, mais uma vez, joga a culpa para fora de sua pessoa. Responsabilidade essa que nunca teve.

“O Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, tá, teve esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos, essa mídia sem caráter “, afirmou a um apoiador na saída do Palácio da Alvorada.

Atacar a mídia, o jornalismo profissional, é típico daqueles que temem a verdade dos fatos. Sobretudo quando o ataque não se restringe ao país, pois, inclui-se aí a mídia mundial, que alerta para a gravidade da pandemia, incentiva a população mundial aos cuidados, instrui, mantendo as informações sempre atualizadas, cumprindo sua nobre missão.

O jornalismo enfrenta mais um daqueles que temem o desmentido, a apresentação dos fatos e da realidade como ela é.

Essa mesma mídia que este elemento ataca, precisou criar um Consórcio de Veículos de Imprensa, para coletar dados sobre a crise que apavora o planeta, pois o desgoverno atual não tem capacidade nem intenção de apresentar as informações verdadeiras, sem desvios e manipulações orquestradas pelo chefe que em tudo interfere, pervertendo as funções a que cada órgão se destina, a exemplo da Abin, GSI, PGR, Polícia Federal e tantos outros, além de causar sérios danos à imagem das Forças Armadas que, até antes de sua posse, era a instituição de maior credibilidade na opinião pública.

O negacionista de todos os fatos, contraria o que diz seu ministro da Economia, que afirma estarmos num crescimento em “V”, o que, convenhamos, é uma doce ilusão.

Da mesma forma, com sua postura irresponsável, contraria Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que defendem a vacinação em massa, o que está longe dos planos e da capacidade do elemento em questão.

Sem o combate sério da pandemia, não haverá economia e a população vê com temor o futuro próximo, esperando a inevitável crise.

O Tesouro começa 2021 com uma fatura trilionária a ser paga aos investidores. A dívida que vence neste ano já somava 1,31 trilhão de Reais no fim de novembro de 2020. Este valor deve continuar crescendo com mais juros que vão se somando ao total. 

Realmente, não temos presidente em Brasília. O que temos é um elemento sem escrúpulos, sem caráter, sem responsabilidade, ocupando a cadeira onde deveríamos ter, sim, um Presidente.

Dessa forma, chegamos a uma conclusão de que o primeiro passo para o Brasil tentar escapar deste caos anunciado, será o afastamento do mandatário. Caso contrário, continuaremos sem a educação, sem as prioridades que o meio ambiente exige, sem a diplomacia e gestão correta que poderia nos livrar do isolamento mundial.

Continuaremos num barco sem capitão, sem rumo, sem vacina, sem economia e sem esperança.

Celso B. Rabelo
Jornalista e comunicador

Bolsonaro, o beócio, e a anomia brasileira

O fracasso econômico das 4 últimas décadas.
As desilusões políticas.
A ausência de projeto nacional.
Como reencontrar o caminho do progresso

Marco Antonio Villa

Finalmente fechado o acordo Brexit: Grã-Bretanha se esforça para ver como funcionará

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A Grã-Bretanha está finalmente saindo da União Europeia, mas sua saída formal é apenas o começo de uma experiência de alto risco para desfazer as relações comerciais em um continente integrado.

Brexit

Para negociadores cansados ​​da Brexit de ambos os lados do Canal da Mancha, um acordo comercial de véspera de Natal selou 11 meses de árduas deliberações sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, abrangendo detalhes tão misteriosos como quais espécies de peixes poderiam ser capturadas pelos barcos de cada lado em Águas britânicas.

Mas para muitos outros – entre eles banqueiros, comerciantes, caminhoneiros, arquitetos e milhões de migrantes – o Natal foi apenas o começo, o primeiro dia de uma experiência imprevisível e de alto risco para desvendar uma teia de relações comerciais em toda a Europa.

O negócio , longe de fechar o livro sobre a tumultuada parceria da Grã-Bretanha com a Europa, abriu um novo, começando nas primeiras páginas com o que os analistas dizem que será a maior mudança da noite para o dia nas relações comerciais modernas.

Nos quatro anos desde que os britânicos votaram para romper meio século de laços com a Europa, muitos migrantes pararam de se mudar para a Grã-Bretanha a trabalho e empresas britânicas enviaram funcionários a Paris e Frankfurt para estabelecer pontos de apoio no continente. Mas, para todos esses preparativos, sete dias são tudo o que resta entre os negócios e uma avalanche de novos obstáculos comerciais em 1º de janeiro.

“Vamos ter que aprender como fazer isso à medida que avançamos”, disse Shane Brennan, executivo-chefe da Cold Chain Federation, um grupo britânico que representa empresas de logística. “Vamos torcer para que seja melhor no final, mas será lento, complexo e caro.”

Os distribuidores britânicos, poupados da calamidade de uma separação sem acordo , estavam, no entanto, lutando para preparar a primeira de centenas de milhares de novas certificações de exportação para permitir que sua carne, peixe e laticínios fossem vendidos ao bloco. Os alimentos britânicos, antes isentos de tais controles onerosos, agora enfrentam as mesmas inspeções que as importações europeias de países como Chile ou Austrália.

O setor de serviços da Grã-Bretanha – abrangendo não apenas o poderoso setor financeiro de Londres, mas também advogados, arquitetos, consultores e outros – foi largamente deixado de fora do acordo de 1.246 páginas, apesar de o setor ser responsável por 80% da atividade econômica britânica.

O acordo também fez pouco para acalmar os migrantes europeus, alguns dos quais deixaram a Grã-Bretanha durante a pandemia e agora estão lutando para determinar se precisam voltar para estabelecer o direito de se estabelecer na Grã-Bretanha antes que a divisão seja finalizada em 31 de dezembro.

“A partir de 1º de janeiro, a paisagem muda e o cobertor de segurança do período de transição se foi”, disse Maike Bohn, cofundadora da the3million , que apóia cidadãos europeus na Grã-Bretanha, expondo seus temores de que os europeus serão empregos e apartamentos alugados injustamente recusados ​​em meio à confusão sobre as regras. “Há apreensão e também dormência.”

Os negociadores não publicaram formalmente o volumoso acordo comercial, embora ambos os lados tenham oferecido resumos, deixando analistas e cidadãos comuns incertos sobre alguns detalhes, mesmo enquanto legisladores na Grã-Bretanha e na Europa se preparam para votá-lo em questão de dias.

Mas há muito estava claro que o acordo ofereceria à City de Londres, um centro para bancos internacionais, gestores de ativos, seguradoras e fundos de hedge, poucas garantias sobre o comércio futuro através do Canal da Mancha . A Grã-Bretanha vende cerca de 30 bilhões de libras, ou US $ 40 bilhões, de serviços financeiros para a União Europeia a cada ano, lucrando com um mercado integrado que torna mais fácil, em alguns casos, vender serviços de um país membro para outro do que vender serviços de um Estado americano para outro.

O novo acordo comercial facilita o fluxo de mercadorias através das fronteiras britânicas. Mas isso deixa as empresas financeiras sem o maior benefício da adesão à União Europeia: a capacidade de oferecer serviços facilmente a clientes em toda a região a partir de uma única base. Isso há muito permite que um banco em Londres conceda empréstimos a uma empresa em Veneza ou negocie títulos para uma empresa em Madrid.

Essa perda é especialmente dolorosa para a Grã-Bretanha , que teve um superávit de £ 18 bilhões, ou US $ 24 bilhões, no comércio de serviços financeiros e outros com a União Europeia em 2019, mas um déficit de £ 97 bilhões, ou US $ 129 bilhões, no comércio de bens.

“O resultado do negócio é que a União Europeia retém todas as suas vantagens atuais no comércio, principalmente de bens, e o Reino Unido perde todas as suas vantagens atuais no comércio de serviços”, disse Tom Kibasi, ex-diretor do Instituto for Public Policy Research, um instituto de pesquisa. “O resultado dessa negociação comercial é precisamente o que acontece com a maioria dos acordos comerciais: a parte maior consegue o que quer e a parte menor rola.”

Concordar em permitir que mercadorias cruzassem a fronteira sem tarifas onerosas garantiu que os suprimentos mais vitais – ou seja, alimentos e remédios – estivessem acessíveis em toda a Europa. Um acordo sobre mercadorias também era mais fácil de fechar; dadas as intrincadas regulamentações financeiras de cada país, como quanto dinheiro os bancos devem manter, a maioria dos acordos comerciais contorna os setores de serviços.

Mas o Brexit não era a maioria dos acordos comerciais: estava erguendo barreiras, não derrubando-as, dentro de um mercado europeu que é excepcionalmente bem conectado.

Depois de 1º de janeiro, a venda de serviços, uma vez garantida, dependerá de decisões colcha de retalhos de reguladores europeus sobre se as novas regulamentações financeiras da Grã-Bretanha são próximas o suficiente das suas para serem confiáveis. Embora a experiência de Londres seja difícil de igualar, colocando suas empresas financeiras e de serviços em uma posição forte para enfrentar a tempestade, alguns obstáculos são inevitáveis. Os britânicos que vivem na Europa e que têm contas bancárias no Reino Unido já foram informados de que suas contas serão encerradas .

“Imagine se você pegasse o Reino Unido e o mudasse para o Canadá ou Austrália”, disse Davide Serra, presidente-executivo da Algebris Investments, uma empresa de gestão de ativos com escritórios em toda a Europa. “Isso é o que isso faz com os serviços. O Reino Unido se tornou um terceiro país. ”

Ao anunciar o acordo comercial esta semana, o primeiro-ministro Boris Johnson, da Grã-Bretanha, reconheceu que ofereceu “não tanto” acesso para empresas financeiras “como gostaríamos”. Mas ele não foi tão direto quanto às dificuldades enfrentadas até mesmo pelos varejistas britânicos sob o acordo, disseram analistas.

Ao prometer que “não havia barreiras não tarifárias” à venda de mercadorias após o Brexit, ele ignorou as dezenas de milhões de declarações alfandegárias, avaliações de saúde e outros controles pelos quais as empresas agora serão responsáveis.

A Grã-Bretanha carece de agentes alfandegários necessários para lidar com esses documentos, e até mesmo os veterinários que realizam exames de saúde, disseram especialistas do setor. E, nos últimos dias, os caminhoneiros europeus receberam uma previsão alarmante da destruição causada por atrasos de embarque de até mesmo alguns dias, quando ficaram presos em portos britânicos por causa de proibições de viagens conectadas à nova variante do coronavírus.

“É um problema enorme que vai custar à indústria milhões de libras e euros”, disse Alex Altmann, sócio responsável por questões relacionadas ao Brexit na Blick Rothenberg, uma prática contábil e tributária. “No final do dia, isso será repassado aos consumidores.”

Para os cidadãos europeus que vivem na Grã-Bretanha, a conclusão de um acordo com o Brexit pouco ajudou a diminuir os temores sobre como as novas regras de imigração do país poderiam complicar suas vidas. Os migrantes foram autorizados a solicitar o chamado “status estabelecido” na Grã-Bretanha. Mas poucas providências foram feitas para pessoas que não podem concluir o processo online, muito menos para pessoas que não percebem que precisam de permissão para permanecer em um país onde viveram por décadas.

“Há potencial para uma crise nos próximos um ou dois anos em relação aos migrantes da UE que já estiveram aqui, e estiveram aqui por um longo tempo, mas caíram pelas rachaduras do sistema de registro”, disse Robert Ford, professor de política na Universidade de Manchester.

As limitações do acordo do Brexit refletem o fato de que, mesmo com as regulamentações financeiras e outras ficando mais complexas nos últimos anos, os acordos comerciais têm lutado para acompanhar o ritmo, disse David Henig, analista do Centro Europeu para Economia Política Internacional.

Mas a Grã-Bretanha também limitou o que buscava no acordo a algumas áreas-chave, tornando o surgimento de um acordo básico quase inevitável, disseram analistas.

Próximo a um rompimento sem acordo, envolvendo enormes congestionamentos nas fronteiras e profunda incerteza para as empresas, o acordo foi um bálsamo. Mas mesmo com tal acordo, o caminho a seguir é incerto.

“O Brexit sempre será um golpe de longa data para a competitividade do Reino Unido”, disse Kibasi, o analista. “Mas a maneira como tudo vai se desenrolar é prejudicando o investimento no Reino Unido, então é um furo lento, não uma queda rápida.”

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: Novos Obstáculos à medida que a Grã-Bretanha termina a luta Brexit
NYT – Benjamin Mueller

Briefings: Pandemia em vários territórios

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De forma resumida e rápida, importantes posições que todos precisamos saber.

Reino Unido, África do Sul, Itália, República Tcheca, Espanha, França, México, Chile, Argentina, Brasil…

A pandemia no planeta.

REINO UNIDO e ÁFRICA DO SUL

O Reino Unido detectou dois casos de covid-19 causados por outra variante 70% “mais transmissível” do coronavírus, disse o secretário de saúde britânico, Matt Hancock.

Depois de detectar uma nova cepa no Reino Unido, Boris Johnson avisou o mundo, o que alertou a comunidade científica internacional, provocou bloqueios de voos originados dessa região e, como se não bastasse, uma segunda nova cepa, ainda mais agressiva, originada da África do Sul, já foi detectada no Reino Unido.

Os pacientes tiveram contato com pessoas que viajaram nas últimas semanas para a África do Sul, onde a nova cepa tem sido apontada como causa para um número recorde de hospitalizações, inclusive entre pessoas mais jovens e sem comorbidades.

O governo britânico impôs restrições para viagens ao país e instruiu a todos que tenham passado pela África do Sul nas últimas duas semanas, bem como aqueles que eventualmente tenham tido contato com essas pessoas, que entrem em quarentena imediatamente.

A variante, 501.V2, foi identificada por pesquisadores sul-africanos e relatada à Organização Mundial de Saúde (OMS), disse o ministro da Saúde, Zweli Mkhize, em um comunicado.

A equipe sequenciou centenas de amostras de todo o país desde o início da pandemia, em março.

“Eles perceberam que uma determinada variante domina os resultados dos últimos dois meses”, informa nota.

ITÁLIA

O governador da região de Veneto, no nordeste da Itália, onde o primeiro italiano morreu de Covid, disse que os hospitais da região estão agora mais lotados de pacientes do que em março. O necrotério do hospital de uma cidade teve que retirar uma sobrecarga de cadáveres.

REPÚBLICA TCHECA

Na República Tcheca, após várias semanas de um declínio constante no número de novos pacientes com coronavírus, os números começaram a aumentar novamente este mês, e agora há mais de 4.600 pessoas nos hospitais do país.

“Muito frágil”, disse Jan Blatny, o ministro da saúde da República Tcheca, neste mês, sobre a situação nos hospitais do país.

Na quarta-feira, as autoridades registraram o maior aumento diário de novos casos nas últimas duas semanas, quando 8.235 pessoas testaram positivo.

ESPANHA

O surto inicial do vírus na primavera pegou os hospitais espanhóis de surpresa. Muitos profissionais de saúde enfrentaram a epidemia sem equipamentos de proteção adequados e dezenas de milhares foram infectados. Nos hospitais de Madrid, alguns pacientes dormiam nos corredores. De modo geral, a reação impetuosa da Espanha minou a reputação de um sistema público de saúde do qual muitos espanhóis se orgulhavam.

FRANÇA

Mesmo antes da infecção de Macron, o governo francês parecia inseguro sobre a sabedoria de se abrir novamente. As taxas de infecção não caíram tão rapidamente quanto o esperado, levando o governo a adiar o relaxamento de algumas restrições. Museus, cinemas e teatros permanecerão fechados pelo menos até o início de janeiro.

No início e em meados de novembro, o ressurgimento do vírus quase quebrou o sistema de saúde da França. Como os hospitais do país registraram cerca de 3.000 novos pacientes com Covid-19 por dia, um número não visto desde abril, até 97 por cento dos leitos de terapia intensiva estavam ocupados com quase 5.000 pacientes com Covid-19.

BRASIL

Enquanto isso, no Brasil, somente neste dia 25 de dezembro será interrompida a entrada de aviões provenientes do Reino Unido, como sempre, o último da fila nas providências.

A decisão foi tomada depois do corpo técnico da Anvisa insistir na ação.

O país deverá iniciar o ano com janeiro atingindo, em seu início, 200.000 óbitos e um número assustador de contaminados e leitos de UTIs lotados.

A CoronaVac deverá apresentar sua vacina em janeiro, num segundo adiamento para ser apreciado todo o processo e aprovação pela Anvisa.

O Governo do Estado de São Paulo mantém a previsão de início de vacinação em 25 de janeiro, enquanto Eduardo Pazuello – Ministro da Saúde, informa 3 datas prováveis para o início de vacinação pelo desgastado e confuso PNI (Plano Nacional de Imunização), sem planos, sem vacinas e sem rumo, no momento em que atingimos quase mil mortes nas últimas 24 horas.

MÉXICO – CHILE – ARGENTINA

México, Chile e Argentina disputam quem será o primeiro país da América Latina a começar a vacinação contra a covid-19. Os três preveem começar a aplicar a vacina em algum momento da semana que vem. A Colômbia também se preparar para receber as primeiras doses da vacina Pfizer / BioNTech.

 Anúncio da mutação viral da COVID-19

Sábado foi anunciado uma mutação da COVID-19, que, segundo Boris Johnson, pode ter capacidade 70% maior de transmissão. 

A epidemiologista Susan Hopkins, da Public Health England (PHE), agência ligada ao Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, disse que “as duas variantes parecem mais transmissíveis”, mas ressaltou que “ainda estão aprendendo” sobre a cepa “importada” da África do Sul.

Mercado Financeiro

A notícia trouxe inquietação para o mercado, levantando especulações sobre a possibilidade de algo pior estar por vir – o que, por consequência, aumentou a aversão ao risco e derrubou mercados ao redor do mundo. 

A pergunta que não quer calar: 
Qual a eficácia da atual vacina para essa nova forma do vírus?
Ainda serão necessários estudos, mas, até o momento, especialistas indicam que é pouco provável que a nova variedade da COVID-19 irá afetar a eficácia dos imunizantes em produção.

Da Redação O Estado Brasileiro
Fontes: órgãos de imprensa e instituições internacionais.

Países barram viajantes do Reino Unido devido a nova variante do coronavírus.

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Londres – Reino Unido bloqueado graças à mutação do coronavírus.

Os países começam a barrar viajantes do Reino Unido devido a preocupações com uma nova variante do coronavírus.
No sábado, o primeiro-ministro Boris Johnson da Grã-Bretanha impôs um bloqueio em Londres e no sudeste da Inglaterra, citando uma variante do coronavírus de rápida disseminação.

Boris Johnson fará reunião de crise à medida que mais países interrompem voos do Reino Unido.

Os países europeus proibiram voos e balsas que transportavam passageiros do Reino Unido em uma tentativa desesperada de suprimir a propagação de uma nova variante do coronavírus que mergulhou o sudeste da Inglaterra em um bloqueio de nível 4 .

No desenvolvimento mais dramático , a França anunciou que suspenderia o transporte de passageiros e carga humana do Reino Unido por 48 horas a partir das 23h GMT. A Road Haulage Association alertou que a mudança teria um “efeito devastador” nas cadeias de suprimentos já interrompidas pelo estoque do Brexit e restrições à pandemia.

Países em toda a Europa e além começaram a fechar suas fronteiras para viajantes do Reino Unido no domingo, e a União Europeia organizou uma reunião de gestão de crise, um dia depois que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ordenou um bloqueio total em Londres e áreas vizinhas, citando preocupações com uma nova variante de rápida disseminação do coronavírus.

As estações de trem em Londres na noite de sábado se encheram de multidões lutando para deixar a cidade para escapar das novas restrições, que entraram em vigor à meia-noite e efetivamente colocaram em quarentena a capital e outras áreas do resto do país, as medidas mais duras a serem tomadas desde o primeiro bloqueio do país em março.

No domingo, o secretário de saúde da Grã-Bretanha, Matt Hancock, chamou aqueles que carregavam os trens de “claramente irresponsáveis” Ele também disse que as restrições impostas por Johnson podem durar meses.

A primeira leva de países a barrar viajantes do Reino Unido foi na Europa. A Holanda disse que suspenderia os voos da Grã-Bretanha de domingo até 1º de janeiro, observando que a variante encontrada na Inglaterra “foi pensada para se espalhar mais facilmente e mais rapidamente”.

A Itália também suspendeu as viagens aéreas, e as autoridades belgas decretaram no domingo uma proibição de 24 horas de chegadas do Reino Unido por avião ou trem, que pode ser prorrogada. A Alemanha e a Suíça anunciaram a proibição de viagens entre seus países e a Grã-Bretanha e a África do Sul, onde uma versão contagiosa do vírus surgiu . Áustria, Irlanda, França e Bulgária também anunciaram proibições. Portugal, que proibiu viagens de e para o Reino Unido, está abrindo exceções para portugueses ou residentes. E o Canadá disse no domingo que iria proibir todos os voos do Reino Unido por 72 horas, começando à meia-noite.

Nos Estados Unidos, o governador Andrew M. Cuomo de Nova York instou o governo federal a agir, dizendo que “neste momento, esta variante no Reino Unido está entrando em um avião e voando para JFK”, embora também reconheça que pode seja tarde demais. O Departamento de Estado disse que sua assessoria de viagens à Grã-Bretanha não foi alterada e permaneceu no Nível 3.

A Espanha pediu à União Europeia uma resposta coordenada, e altos funcionários dos 27 Estados membros do bloco se reuniram por videoconferência no domingo à noite para compartilhar seus planos. Eles concordaram em decidir sobre qualquer ação coordenada na reunião de gerenciamento de crise, a ser realizada na manhã de segunda-feira.

Em poucas horas, mais países entraram em ação. O Irã suspendeu os voos para a Grã-Bretanha por duas semanas, informou a Reuters. Israel proibiu estrangeiros não apenas do Reino Unido, mas também da África do Sul e Dinamarca , onde uma mutação do coronavírus que ocorria no vison foi transmitida de volta à população humana. A Turquia suspendeu temporariamente os voos desses três países, bem como da Holanda, disse a Reuters.

Autoridades de transporte na Inglaterra disseram que aumentariam o número de policiais monitorando centros como estações ferroviárias para garantir que apenas as viagens essenciais sejam feitas. E durante um dos maiores períodos de navegação do ano, os efeitos certamente seriam vistos nos portos da Grã-Bretanha. O Porto de Dover, um dos mais movimentados do mundo, por onde passam milhares de caminhões todos os dias, fechou seu terminal de balsas para “todo o tráfego acompanhado”. O tráfego atingiu um pico febril à medida que as empresas estocavam mercadorias antes que as novas regras alfandegárias pós-Brexit entrassem em vigor.

Mutações virais não são incomuns, e as autoridades britânicas disseram que essa variante foi detectada em um punhado de outros países. A estimativa de maior transmissibilidade para a variante britânica é baseada em modelagem e não foi confirmada por experimentos de laboratório, disse Muge Cevik, especialista em doenças infecciosas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e consultor científico do governo britânico.

“Acima de tudo, acho que precisamos ter um pouco mais de dados experimentais”, disse ela. “Não podemos descartar totalmente o fato de que alguns desses dados de transmissibilidade podem estar relacionados ao comportamento humano.”

O bloqueio do vírus ocorreu no momento em que outro drama real estava se desenrolando para os britânicos: as negociações comerciais entre a Grã-Bretanha e a União Europeia . Os críticos dizem que a tendência do primeiro-ministro britânico para decisões de última hora complicou o manejo da crise do coronavírus e estreitou a janela para o escrutínio de qualquer acordo comercial com a UE.

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: NYT / The Guardian

Gabinete de Biden inclina-se para o centro, deixando alguns liberais frustrados

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Ainda um trabalho em andamento, as escolhas de pessoal do presidente eleito são mais pragmáticas e familiares do que ideológicas. É o que ele fez campanha, mas a esquerda esperava mais.

EUA Presidente eleito Joe Biden

WASHINGTON – Suas equipes econômica e ambiental estão um pouco à esquerda do centro. Suas escolhas de política externa caem diretamente na corrente principal do Partido Democrata. Seus principais assessores da Casa Branca são veteranos de Washington.

Em conjunto, a imagem que emerge da onda inicial de escolhas pessoais do presidente eleito Joseph R. Biden Jr. é familiar, pragmática e amplamente centrista.

Isso se encaixa no acordo implícito que o ex-vice-presidente e senador de longa data ofereceu aos democratas durante as primárias de 2020 – que ele não era tão progressista quanto os senadores Bernie Sanders de Vermont e Elizabeth Warren de Massachusetts, nem um produto de Wall Street como Michael Bloomberg, o O republicano que virou democrata falhou em sua tentativa de última hora de oferecer uma alternativa moderada a Biden.

Ainda um trabalho em andamento, o gabinete de Biden foi projetado para ser uma extensão de sua própria ideologia, enraizada em princípios de longa data do Partido Democrata, mas com um foco maior na situação dos americanos da classe trabalhadora, um novo senso de urgência sobre o clima mudança e uma empatia mais profunda sobre as questões de justiça racial que, segundo ele, o persuadiram a concorrer à presidência pela terceira vez.

Seus indicados são um reflexo da imagem que sua campanha transmitiu e que impulsionou sua derrota do presidente Trump. Eles são diversos em formas que atraem os liberais, eleitores jovens e pessoas de cor. E eles são moderados como os eleitores indecisos que o ajudaram a vencer em estados como Wisconsin, Pensilvânia e Michigan.

“É ele”, disse Bill Daley, que atuou como chefe de gabinete da Casa Branca para o presidente Barack Obama. “Essa é toda a campanha dele.”

Para seu gabinete, Obama reuniu personalidades descomunais, como a secretária de Estado Hillary Clinton e Robert M. Gates, o secretário de defesa que era um remanescente do governo George W. Bush.

O gabinete de Biden até agora não tem ninguém que possa atrair o mesmo tipo de atenção de alta octanagem. Suas escolhas têm décadas de experiência silenciosa e nos bastidores na formulação de políticas, combinando com a promessa de Biden de devolver a competência básica ao governo após quatro anos de administração caótica de Trump.

Seus indicados e a escolha dos principais assessores da Casa Branca são apenas uma referência ao movimento progressista do Partido Democrata que ajudou Biden a ganhar a eleição. Isso deixou alguns dos liberais do partido frustrados com o que eles dizem ser a criação de um novo governo dominado pelo pensamento antigo, despreparado para enfrentar o mundo pós-trumpiano de profundas desigualdades raciais e econômicas e uma resistência republicana mais arraigada.

Ainda não há ninguém no gabinete de Biden carregando a tocha pelas políticas contra as quais ele fez campanha durante as primárias: faculdade gratuita para todos, um caro New Deal Verde, uma agenda anti-Wall Street, saúde universal e aumentos acentuados no salário mínimo.

O perigo, disse Faiz Shakir, que administrou a campanha presidencial de Sanders em 2020, é que Biden não dê atenção suficiente à luta da classe trabalhadora, cujas fortunas declinaram sob as políticas econômicas dos presidentes de ambos os partidos. Ele disse que o retorno ao status quo democrata, antes da presidência de Trump, não era suficiente.

“Uma das preocupações é que você queira perfurar a bolha de como nossas elites democratas têm pensado sobre política e formulação de políticas e exortá-las a serem mais ousadas”, disse Shakir. “E agora estamos contando com os instintos de muitas pessoas que foram aprimorados, francamente, durante uma era diferente da política.”

Varshini Prakash, o diretor executivo e fundador do Movimento Sunrise, um grupo liberal focado na mudança climática, elogiou as escolhas ambientais de Biden como um bem-vindo “afastamento do modo de pensar do tipo deixar para os mercados que definiu o início dos anos 2000. ”

Mas ela disse que espera que Biden faça mais para promover os jovens, cuja experiência não é definida pelas gerações anteriores.

“Ainda é um grupo mais velho, mais branco e masculino em geral”, disse ela. “Nunca iremos desenvolver a liderança de que precisamos nas próximas décadas, se continuarmos a nomear pessoas na faixa dos 60 e 70 anos que já serviram em várias administrações.”

Pode ser difícil adivinhar a direção política precisa de uma administração a partir da seleção de uma dúzia de membros do gabinete. Quaisquer que sejam as opiniões de cada um dos secretários, seus mandatos, uma vez no cargo, serão agora definidos pelas promessas e políticas do novo presidente.

Xavier Becerra, escolhido por Biden para liderar o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, por exemplo, já havia adotado propostas do “Medicare para Todos”. Agora ele será chamado para apoiar o plano do presidente eleito para melhorar o Obamacare.

Mas Biden já sinalizou uma tendência mais populista do que Obama. Ele fala sobre o fortalecimento dos sindicatos e a criação de empregos para a classe trabalhadora, com aumentos significativos nos gastos para construir novas estradas, pontes e rodovias e consertar as antigas.

No sábado, ele disse que faria das mudanças climáticas um foco da recuperação econômica do coronavírus, pedindo a construção de 1,5 milhão de casas com eficiência energética e 500.000 novas estações de recarga de veículos elétricos, e para a criação de um “corpo civil climático ”Para realizar projetos.

Seus conselheiros econômicos acreditam em ajudar os trabalhadores marginalizados, expandindo os direitos trabalhistas, abordando a desigualdade de renda e acabando com a discriminação racial e de gênero no local de trabalho.

E como presidentes anteriores, Biden já sinalizou que deseja controlar firmemente a formulação de políticas de dentro da Casa Branca, instalando confidentes próximos e pessoas com anos de experiência que trabalharão no corredor do Salão Oval.

As impressões digitais de Ron Klain , o novo chefe de gabinete da Casa Branca e um assessor de longa data de Biden, já são evidentes na seleção de conselheiros da Casa Branca com o tipo de estatura e experiência para enfrentar secretários de gabinete durante debates sobre complexos e questões difíceis.

Susan Rice , que foi conselheira de segurança nacional de Obama, supervisionará a política doméstica de Biden, que a escolheu não por sua expertise substantiva, mas por sua capacidade de disputar interesses conflitantes em uma burocracia governamental desordenada e frequentemente indisciplinada.

Ray LaHood, um republicano que atuou como secretário de transporte de Obama, disse que a dinâmica também ficou evidente na decisão de Biden de colocar John Kerry, o ex-secretário de Estado, e Gina McCarthy, que dirigia a Agência de Proteção Ambiental, no comando da política climática na Casa Branca.

“Todas as grandes questões legislativas ou outras saíram da Casa Branca”, disse LaHood, lembrando a Casa Branca de Obama. E, previu ele, será o mesmo no governo Biden.

Algumas peças importantes do quebra-cabeça do gabinete ainda não se encaixaram.

Biden não escolheu um procurador-geral para supervisionar o Departamento de Justiça, que estará no centro da promessa do presidente eleito de expandir os direitos de voto, reformar a aplicação da lei e fazer cumprir a justiça racial no sistema judicial do país.

Os nomeados para os Departamentos de Trabalho, Educação e Comércio ainda não foram anunciados, o que não deixa claro exatamente como Biden pretende realizar sua visão de mais investimentos em escolas, empregos mais seguros e prósperos e um ambiente econômico melhor para os negócios.

Mas alguns temas estão surgindo.

Um dos desafios mais urgentes de Biden como presidente será reverter rapidamente uma economia destruída pela pandemia do coronavírus , com milhões de pessoas desempregadas e empresas lutando para sobreviver.

Para isso, o presidente eleito se apoiará em uma equipe econômica que se inclina para a esquerda de seus antecessores no governo Obama.

Espera-se que Cecilia Rouse , sua escolha para liderar o Conselho de Consultores Econômicos, concentre-se nas forças que retêm as pessoas na economia e nos desafios que os trabalhadores enfrentam, especialmente na chamada economia de gig.

Janet Yellen , sua escolha para ser secretária do Tesouro, é uma economista trabalhista que há muito defende esforços para aumentar os salários. Heather Boushey, nomeada membro do Conselho de Consultores Econômicos, é uma defensora de um salário mínimo mais alto e tem lutado para fornecer até 12 semanas de licença familiar e médica aos trabalhadores.

Não há um falcão do déficit entre os indicados de Biden, mas também não há membros da esquerda progressista defendida por Sanders ou Warren. Qualquer membro da equipe de Biden poderia ter trabalhado para Hillary Clinton se ela tivesse conquistado a presidência há quatro anos.

Na política externa, Biden recorreu a um grupo de pessoas com quem trabalhou intimamente, um grupo em grande parte não ideológico que parece disposto a executar sua visão em vez de seguir agendas próprias.

“É como a equipe do Senado”, disse Leon E. Panetta, ex-chefe de gabinete de Clinton na Casa Branca e diretor da CIA e secretário de defesa no governo Obama. “Eu não acho que você pode dizer que eles vêm com um conjunto de ideais ideológicos. Eles vêm prontos para servir ao presidente, e as pessoas precisam entender que Joe Biden, em grande medida, é quem manda aqui. ”

O nomeado de Biden para secretário de Estado, Antony J. Blinken , trabalhou pela primeira vez para Biden como membro da equipe do comitê do Senado na década de 1990 e, mais do que qualquer outra pessoa, é uma extensão de seu cérebro em política externa. Em comentários públicos de sua autoria, o Sr. Blinken geralmente refletiu os pontos de vista de Biden, incluindo a crença no valor da liderança global americana, alianças e força militar.

As escolhas de Biden para diretor de inteligência nacional, conselheiro de segurança nacional e secretário de defesa são vistas como gerentes habilidosos e operadores burocráticos; nenhum está associado a fortes visões políticas ou agendas políticas distintas.

“É uma equipe de política externa sólida, sensata e centrista que provavelmente trabalhará bem em conjunto e estará bem alinhada com as prioridades do presidente”, disse Kori Schake, diretor de estudos de política externa e de defesa do American Enterprise Institute.

No início de sua presidência, ao pesar sua estratégia para o Afeganistão, Obama sentiu a pressão por um aumento substancial das tropas de Clinton e Gates. É improvável que Biden enfrente tais tensões dentro de sua própria equipe.

Biden disse que lidar com a ameaça da mudança climática é uma de suas quatro principais prioridades, juntamente com o enfrentamento da pandemia Covid-19, ajudando a economia a se recuperar e avançar em direção à justiça racial nos Estados Unidos. É provável que ele forneça outra visão ampla de seus objetivos em seu discurso de posse e mais detalhes em seu primeiro discurso ao Congresso, logo após assumir o cargo.

Mas conseguir o tipo de mudança radical que ele prometeu será mais difícil se os democratas não conseguirem vencer duas eleições para o Senado na Geórgia no início do próximo mês. Os republicanos só precisam vencer uma das duas disputas para manter o controle do Senado e o poder de bloquear grande parte da agenda de Biden.

E mesmo se os democratas vencerem, as margens do partido no Senado e na Câmara serão finas como uma navalha, tornando muito menos provável que o Congresso adote propostas políticas ousadas e caras. Tom Ridge, um ex-governador republicano na Pensilvânia que atuou como secretário de Segurança Interna do presidente George W. Bush, disse que muitas das soluções virão dos departamentos liderados pelo gabinete de Biden.

“Não conheço um presidente moderno que, na data em que tomou posse, foi confrontado com a gama de desafios que ele e este governo enfrentam no momento em que assume o cargo”, disse Ridge. “São problemas difíceis e desafiadores. Neste momento, é bom ter mãos experientes. ”

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: Matéria New York Times
com Michael D. Shear e Michael Crowley

EUA: Covid-19 matou mais americanos que quatro anos de combate da Segunda Guerra

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Quem já assistiu documentários sobre os horrores da guerra, poderá avaliar a gravidade do momento atual.

Mais americanos morreram de Covid-19 do que pereceram em quatro anos de combate na Segunda Guerra Mundial. Esta é a triste constatação deste momento pandêmico e todos especialistas concordam que o pior ainda está por vir.

Muito disso está relacionado ao colossal fracasso de liderança do presidente Trump.

Esta deve ser uma temporada de esperança: em breve estaremos recebendo uma vacina contra o coronavírus altamente eficaz, e a pandemia deve diminuir nos próximos meses.

Considerar:

  • Mais americanos morreram de Covid-19 em nove meses do que em combate ao longo de quatro anos na Segunda Guerra Mundial. O número de mortes por vírus ultrapassa 292.000, em comparação com 291.557 mortes em batalhas americanas na Segunda Guerra Mundial.
  • Às vezes, estamos perdendo mais americanos com o vírus em um único dia do que morreram nos ataques a Pearl Harbor ou no 11 de setembro. Mas, ao contrário dos memes virais que flutuam pela internet, o vírus não está criando os “dias mais mortais” da história americana: em outubro de 1918, em uma população muito menor, mais de 6.000 americanos morreram de gripe espanhola em média a cada dia durante todo o mês.
  • Se os estados americanos fossem tratados como países, os locais com as maiores taxas de mortalidade per capita por coronavírus seriam: Eslovênia , Dakota do Sul , Dakota do Norte, Bulgária, Iowa, Bósnia, Hungria, Croácia, Illinois, Macedônia do Norte, Rhode Island, Nebraska, Kansas , Arkansas, San Marino.

Uma pandemia é um teste de governança de um país, e este foi reprovado pelos Estados Unidos. Muito disso está relacionado ao colossal fracasso de liderança do presidente Trump , mas também reflete um ceticismo mais profundo sobre a ciência e uma tendência à irresponsabilidade pessoal – como a recusa a usar máscaras.

O desmoronamento da América foi capturado pelo vídeo de uma reunião do conselho distrital de saúde em Idaho, há alguns dias, para discutir um mandato de máscara. Uma integrante, Diana Lachiondo, recebeu uma ligação de emergência e interrompeu freneticamente a discussão.

“Meu filho de 12 anos está em casa sozinho agora, e há manifestantes batendo na porta”, disse ela, tão perturbada que é difícil entender suas palavras exatas. “Eu estou indo para casa.”

O menino apavorado e seu irmão de 8 anos estavam sozinhos em casa (sua avó havia levado o cachorro para passear) quando manifestantes armados chegaram, gritando, soprando buzinas e chamando sua mãe de tirana – por tentar salvar a vida das pessoas com cara máscaras.

“Estou triste”, escreveu Lachiondo mais tarde em um post no Facebook . “Estou cansado… Há uma feiura e crueldade em nossa retórica nacional que está atingindo um nível febril aqui em casa, e isso deveria preocupar a todos nós. E, acima de tudo, estou apavorado com a atual trajetória do vírus. ”

Ela acrescentou: “Estou convocando os líderes republicanos que politizaram a saúde pública, que amplificaram a retórica, capitalizaram sobre ela, tacitamente a endossaram enquanto seguravam as facções mais extremistas de seu partido. Dê uma boa olhada no que você se tornou. Já passou da hora de fazer melhor. ”

Historicamente, as crises nacionais sempre estressaram o tecido social. A praga levou a ataques a judeus e colheitas ruins deram início a julgamentos de bruxas . Hoje também, muitos políticos e americanos comuns desdenham a ciência ou qualquer iota de responsabilidade pessoal, polarizando o país e enganando os cidadãos.

“Abra a América”, o representante Matt Gaetz, um republicano da Flórida, tuitou recentemente. “As máscaras não funcionam”, disse Ron Paul, o ex-candidato presidencial republicano. Ambas as afirmações desafiam as recomendações científicas e de saúde pública; eles não são apenas enganosos, mas potencialmente letais.

Tudo isso pode piorar a pandemia.

“Acho que vamos subir por semanas”, avisa o Dr. Tom Frieden, ex-diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças. “Os casos estão crescendo no meio-oeste superior, mas isso é apenas devido às taxas extremamente altas, e o aumento pós-Ação de Graças está apenas começando a acontecer.”

Assim que o solavanco do Dia de Ação de Graças desaparecer, temo que o solavanco do Natal chegue.

Não é que o coronavírus não possa ser controlado: a Europa teve uma terrível onda de outono, mas controlou o vírus – enquanto mantinha as escolas abertas. Mesmo assim, os Estados Unidos como um todo ainda não conseguem se equiparar à Europa no gerenciamento racional do vírus. Isso remonta à fraca governança americana; se Trump atacasse um vírus real de forma tão agressiva quanto o faz com a manipulação eleitoral falsa.

“A maioria dos países europeus está fazendo o seu melhor com mensagens do governo, restrições à hospitalidade e visitas domiciliares, testes, rastreamento, restrições de fronteira de toque suave e coberturas faciais, enquanto os EUA parecem um vale-tudo”, disse Devi Sridhar, um americano que é professor de saúde global na Universidade de Edimburgo. Ela observou que os países europeus também implementaram estruturas – saúde universal, auxílio-doença, exames gratuitos – que tornam mais fácil enfrentar uma crise como esta.

Embora os republicanos tenham sido particularmente irresponsáveis ​​em resistir às máscaras, são principalmente as autoridades democratas locais que irresponsavelmente mantiveram as escolas fechadas mais do que o necessário. isso agrava a desigualdade e as lacunas de aprendizado – sem conter o vírus de forma significativa.

“Se o status quo continuar, os alunos negros podem perder de 11 a 12 meses de aprendizado até o final do ano [escolar]”, avisa a McKinsey & Company em um novo relatório . Os alunos brancos teriam um atraso de menos, quatro a oito meses, diz ele.

Os Estados Unidos também estão prejudicando a resposta econômica. A organização sem fins lucrativos Feeding America adverte que a pandemia pode causar insegurança alimentar, afetando uma em cada quatro crianças americanas, mas o Congresso não conseguiu aprovar um projeto de lei emergencial para apoiar as que estão desempregadas. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, está tentando de forma imprudente desativar as ferramentas usadas pelo Federal Reserve para lidar com a crise econômica, aparentemente procurando infligir mais dor aos americanos no governo Biden.

Gente, deveríamos estar comemorando agora. Temos uma nova vacina da Pfizer que é 95% eficaz! Logo atrás no processo de aprovação está uma vacina da Moderna! No próximo verão, devemos ser capazes de sair de nossas cavernas e nos abraçar novamente.

Exceto que então centenas de milhares de nós não estaremos mais por perto.

O Institute for Health Metrics and Evaluation projeta que mais de 500.000 americanos terão morrido de coronavírus até o final de março. Ele espera que as vacinas tenham salvado 25.000 vidas até então – mas o uso mais amplo de máscaras neste período poderia salvar ainda mais vidas, 56.000.

“As vacinas são incrivelmente promissoras – muito mais do que eu pensava ser possível”, disse Frieden. “Mas eles não estarão aqui por um tempo, então precisamos dobrar os protocolos de proteção.”

Recusar-se a usar máscara equivale hoje a dirigir embriagado. As chances de matar alguém são baixas, mas, coletivamente, neste ano, a recusa em usar máscaras matará muito mais americanos do que dirigir alcoolizado.

Este é o teste de nossas vidas. Vamos parar de falhar.

Da Redação O Estado Brasileiro
Fonte: matéria New York Times
Por Nicholas Kristof

Bolsonaro, um insano na Presidência

A cada dia dia fica mais grave a pandemia.
UTIs lotadas.
A obsessão de Bolsonaro pelo milionário “kit covid”.
O Presidente quer confiscar vacinas.
O documento da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro A Abin como agência de proteção dos Bolsonaro.
O documento do Sindifisco Nacional.

Marco Antonio Villa

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