Categoria: Ucho Haddad

Ford mostra que recuperação econômica em “V” é misto de devaneio e embuste

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OPINIÃO.

A decisão da gigante americana Ford de encerrar a produção de automóveis no Brasil é uma incontestável prova de que a política econômica comandada pelo ainda ministro Paulo Guedes (Economia) é um fracasso, assim como demonstra que a tão propalada “recuperação em V” não passa de retórica embusteira.

Desde a campanha presidencial de 2018, o UCHO.INFO afirma que Guedes é um teórico conhecido que tropeça no momento de colocar em prática suas ideias, nem sempre alinhadas à realidade. Antes da pandemia do novo coronavírus, o ministro afirmou que a economia brasileira estava “decolando” e em seguida disse que estava em “pleno voo”. Diante dos primeiros estragos promovidos pela Covid-19, Paulo Guedes foi obrigado a desdizer-se. Reconhecendo que sua fala foi marcada pelo ufanismo.

A decisão da Ford foi lamentada por integrantes da cúpula do Ministério da Economia, até porque trata-se de uma empresa que está há 102 anos no Brasil, mas Guedes disse que a saída da montadora do País destoa da “forte recuperação” observada no setor industrial brasileiro.

Paulo Guedes tem o direito de pensar o que bem quiser e externar seu pensamento a qualquer momento, até porque trata-se de direito constitucional, mas não pode induzir a opinião pública a erro. Afirmar que a indústria brasileira está em franca recuperação é fruto de devaneio.

A Ford apenas puxou a fila de um processo que pode custar caro ao País: a debandada de montadoras. Afinal, a falta de empenho do governo na aprovação de reformas econômicas estruturais tem feito o chamado “custo Brasil” permanecer nas alturas, o que inviabiliza qualquer negócio sério e responsável.

Como se não bastasse o delírio de Guedes, o vice-presidente da República, Antônio Hamilton Mourão, disse que a Ford “ganhou bastante dinheiro no Brasil” e poderia ter adiado a decisão.

“Não é uma notícia boa. Acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Me surpreende essa decisão que foi tomada pela empresa. Uma empresa que está no Brasil há praticamente 100 anos. Acho que ela poderia ter retardado isso aí e aguardado, até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros”, afirmou Mourão.

O vice-presidente deveria saber que nenhuma empresa pode enfrentar prejuízos em função dos desvarios de um governo perdido e marcado pela incompetência, até porque a Ford, assim como outras grandes companhias, tem acionistas, a quem deve explicações sobre desempenho econômico-financeiro.

Sobre o tamanho do mercado consumidor brasileiro, Hamilton Mourão precisa abandonar o “País de Alice” que reina nos quartéis e se inteirar da realidade econômica do País. Não se pode falar em recuperação econômica ou mercado consumidor em um país em que dois terços da população recebem menos de dois salários mínimos por mês.

Além disso, os efeitos colaterais da pandemia colocaram milhões de brasileiros em situação de penúria, sem contar os que ainda não alcançaram esse cenário de caos, mas revisaram os hábitos de consumo.

Quando o salário mínimo oficial (R$ 1.100,00) equivale a aproximadamente um quinto da remuneração ideal, segundo cálculos do Dieese (R$ 5.300,00), falar em recuperação da economia em “V” ou querer que a Ford continue a ter prejuízos para agradar o governo são declarações irresponsáveis de quem realmente desconhece a realidade nacional.

É importante ressaltar que o presidente Jair Bolsonaro, que vendeu aos incautos brasileiros a falsa ideia de que era o único candidato ao Palácio do Planalto com condições de resolver os problemas do País, fracassou nos campos político e econômico. Isso significa que sem ter o que entregar ao eleitorado, terá de radicalizar acalmar a turba de apoiadores. E isso se dará no vácuo da pauta de costumes, que levará o Brasil ao retrocesso no campo da democracia e dos direitos individuais.

Ucho Haddad
Jornalista e Comunicador

Mourão, que tem o apoio da cúpula das Forças Armadas, vê “queda de braços” com Bolsonaro aumentar

Vice-presidente General Hamilton Mourão

A queda de braços entre o presidente Jair Bolsonaro e o vice Antônio Hamilton Mourão, que nesse embate tem a companhia de boa parte da cúpula das Forças Armadas, está apenas começando. Cansados das bizarrices de Bolsonaro e inconformados com as humilhações a que são submetidos, os militares de alta patente estão dispostos a levar adiante esse embate que cresce e ganha força nas coxias do poder.

Na edição de 3 de novembro, o UCHO.INFO afirmou, sem receio de errar, que Mourão havia se transformado em líder da mais nova frente de oposição ao presidente da República. Na ocasião, muitos duvidaram da nossa informação, mas o tempo – curto, é verdade – foi o senhor da razão. Dias antes, em 30 de outubro, o vice-presidente contrariou declaração de Bolsonaro ao dizer que o Brasil certamente comprará a vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Em 4 de novembro, Mourão confrontou declaração de Bolsonaro ao falar sobre a vantagem do democrata Joe Biden na eleição presidencial americana. “O relacionamento do Brasil com os EUA é um relacionamento de Estado para Estado, independente do governo que tiver lá. Óbvio que cada governo tem suas prioridades, tem suas características. Então, pode ter algumas mudanças pontuais, mas no conjunto da obra nós vamos continuar com a mesma, vamos dizer assim, com as mesmas ligações”, afirmou o vice.

A situação piorou sobremaneira quando Hamilton Mourão tentou minimizar a ameaça feita por Bolsonaro ao presidente eleito dos Estados Unidos. “Quando acaba a saliva tem que ter pólvora. Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem”, afirmou presidente. “Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de Estado dizendo que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele vai levantar barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas pela diplomacia não dá”, afirmou Bolsonaro.

Mourão por sua vez, exercendo seu papel de “babá de plantão” de um tresloucado com mandato, usou o termo aforismo antigo para colocar panos quentes sobre a ameaça feita por Bolsonaro, caso o próximo presidente dos EUA cumpra a promessa de retaliar comercialmente o Brasil se o governo não agir para conter o desmatamento na Amazônia.

“Acho que ele se referiu a um aforismo antigo que diz que quando acaba a diplomacia entram os canhões, foi isso que ele se referiu”, afirmou o vice aos jornalistas.

A temperatura entre ambos subiu na esteira de recente declaração do ex-juiz Sérgio Moro, que considerou Mourão um bom nome para enfrentar Bolsonaro na corrida presidencial de 2022. Para piorar o cenário, uma proposta do Conselho Nacional da Amazônia Legal, presidido por Mourão, prevê a expropriação de terras onde ocorram desmatamentos e queimadas.

Jair Bolsonaro, ciente de que o nascedouro da proposta é o Conselho da Amazônia, rebateu a ideia com sua verborragia insana. Em rede social, o presidente postou a seguinte mensagem: “Mais uma mentira do Estadão ou delírio de alguém do Governo. Para mim a propriedade privada é sagrada. O Brasil não é um país socialista/comunista”. O documento com a sugestão de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a expropriação de terras foi obtido pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Na sequência, em conversa com os apoiadores que se aglomeram diariamente na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, Bolsonaro, falar sobre a proposta, disse que “ou é mais uma mentira ou alguém deslumbrado do governo resolveu plantar essa notícia aí.”

“A propriedade privada é sagrada. Não existe nenhuma hipótese nesse sentido. E se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo. A não ser que essa pessoa seja indemissível”, afirmou o presidente.

Como Hamilton Mourão não é passível de demissão, até porque foi eleito, Bolsonaro terá de travar uma guerra intestina se quiser esvaziar uma eventual candidatura do vice em 2022. Caso isso ocorra, é preciso reconhecer que parte do eleitorado conservador despejará votos em Mourão, que no campo do conhecimento e da inteligência está muito à frente do presidente da República.

Para incrementar o cabo de guerra que se instalou no Planalto Central, o Ministério da Defesa decidiu que todos os oficiais da ativa das Forças Armadas terão de se submeter a vacinação compulsória, não importando contra qual doença. A decisão contraria discurso de Bolsonaro, que defende a não obrigatoriedade da vacinação.

Por: Ucho.info
Edição: Jornalista Ucho Haddad

Em novo “jogo rasteiro”, Bolsonaro decide que análise do Renda Cidadã será retomada após as eleições

Colunistas.

Nada é mais nocivo a uma nação do que o populismo barato, rasteiro e covarde dos governantes. A situação torna-se ainda pior quando o governante faz uso da miséria para alcançar seus objetivos político-eleitorais.

Dessa forma age o presidente Jair Bolsonaro, que enquanto candidato prometeu aos incautos governar de uma forma diferente, ocasião em que demonizou o que decidiu chamar de velha política, como se ele próprio não fosse um conhecido representante do que há de mais nefasto nesse segmento.

Antes de chegar ao Palácio do Planalto, Bolsonaro foi um ácido e contundente crítico do programa Bolsa Família, tema ao qual dedicou sua insana verborragia. Com o programa Renda Brasil “sepultado” pelo presidente da República e o Renda Cidadã ainda em processo de elaboração, Bolsonaro decidiu que tratará do projeto de distribuição de renda somente após as eleições municipais, que por conta da pandemia do novo coronavírus foram remarcadas para 15 de novembro – o segundo turno acontecerá em 29 de novembro.

Essa decisão é uma manobra pífia e tosca, que leva o eleitor mais pobre a votar nos candidatos apoiados por Bolsonaro, na esperança de que o resultado da eleição contribuirá para a definição de um novo programa social que substituirá o Bolsa Família. Trata-se de um “jogo sujo” por parte de Bolsonaro, que já afirmou que o Bolsa Família servia para comprar o voto dos idiotas. Tal declaração foi dada em 2011, durante palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF).

No mesmo ano, em nova investida contra o programa social, o então deputado federal disparou: “O Bolsa Família nada mais é do que um projeto para tirar dinheiro de quem produz e dá-lo a quem se acomoda, para que use seu título de eleitor e mantenha quem está no poder. E nós devemos colocar, se não um ponto final, uma transição a projetos como o Bolsa Família”.

Um ano antes, mais precisamente em agosto de 2010, o agora presidente da República criticou o Bolsa Família durante discurso no plenário da Câmara dos Deputados. “Se, hoje em dia, eu der R$ 10 para alguém e for acusado de que esses R$ 10 seriam para a compra de voto, eu serei cassado. Agora, o governo federal dá para 12 milhões de famílias em torno de R$ 500 por mês, a título de Bolsa Família definitivo, e sai na frente com 30 milhões de votos”, disse Bolsonaro. Na sequência, o então deputado completou: “Disputar eleições num cenário desses é desanimador, é compra de votos mesmo”.

Em 2012, Jair Bolsonaro não poupou o programa de críticas, durante entrevista a uma emissora de televisão: “O Bolsa Família é uma mentira, você não consegue uma pessoa no Nordeste para trabalhar na sua casa. Porque se for trabalhar, perde o Bolsa Família”.

Em 2017, reforçando sua ojeriza ao Bolsa Família, Bolsonaro, durante evento na cidade de Barretos, no interior paulista, declarou, já de olho na candidatura à Presidência: “Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para a demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto”.

Muito além de ser um digno (sic) representante da “velha política”, Bolsonaro age de forma trapaceira, pois está a fazer exatamente o que condenou em passado recente. Seu objetivo é fisgar o eleitor para, na medida do possível, despejar a esquerda, em especial o Partido dos Trabalhadores, da região Nordeste, pavimentando o caminho para seu projeto de reeleição em 2022.

A covardia de Bolsonaro é desmedida, já que até o momento desconhece-se as possíveis fontes de financiamento do Renda Cidadã. Os envolvidos no projeto garantem que o teto de gastos será respeitado, mas é importante que a origem dos recursos seja revelada. Bolsonaro evita o assunto para poupar os candidatos que terão seu apoio nas eleições municipais.

Criar um novo imposto, nos moldes da famigerada CPMF, é trair a população e rasgar o discurso do próprio presidente, que em 2019 condenou com veemência o processo de ressuscitação desse fantasma tributário que durante anos a fio apavorou o brasileiro. NA ocasião, a proposta foi apresentada pelo então secretário da receita federal, Marcos Cintra. Em suma, Jair Bolsonaro não escreve, sentado, o que em pé balbucia. Ou seja, um covarde como tantos que existem na política.

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Ucho Haddad

Em novo devaneio, Bolsonaro diz que acabou com a Lava-Jato porque “não tem mais corrupção no governo”

Em mais uma das suas conhecidas bazófias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (7), que a Operação Lava-Jato acabou “porque não tem mais corrupção no governo”.

“Eu desconheço lobby para criar dificuldade e vender facilidade, não existe. É um orgulho, uma satisfação que eu tenho dizer a essa imprensa maravilhosa nossa que eu não quero acabar com a Lava-Jato. Eu acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, declarou Bolsonaro, durante cerimônia de lançamento de medidas de desburocratização do setor aéreo.

A Família toda investigada

“Essa imprensa que é muito importante para todos nós e que nós queremos a sua liberdade. Me acusam muitas vezes de ser autoritário, eu nunca propus o controle social da mídia, eu nunca propus projeto para combater fake news, se bem que eu sou quem mais sofre o que mais sofre com fake news”, completou o presidente da República.

A fala de Bolsonaro perpassa pela indicação do desembargador Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga que será aberta com a aposentadoria do decano Celso de Mello. Como se sabe, Kassio Marques é um garantista e isso significa que a Lava-Jato terá mais um adversário na Corte.

 “Nós fazemos um governo de peito aberto. E quando indico qualquer pessoa para qualquer local eu sei que é uma pessoa boa tendo em vista a quantidade de críticas que ela recebe em grande parte da mídia”, disse o presidente.

O amadorismo de Bolsonaro como governante avança pelas raias do absurdo com a afirmação de que a competência de um indicado se mede a partir das críticas que ele recebe. Ou seja, o presidente avalia os escolhidos com a ajuda do “criticômetro”. Isso denota a forma irresponsável como o futuro do País está sendo decidido.

Em relação às notícias falsas (fake news), Bolsonaro não tem moral para tratar do assunto, pois o clã presidencial usa a mentira como ferramenta política para atacar adversários e desafetos, como se a atentar contra a reputação alheia fosse algo recepcionado pela legislação brasileira. Em qualquer país razoavelmente sério, o populismo barato e tosco de Bolsonaro já teria sido varrido de cena.

No tocante ao fato de a corrupção ter acabado, trata-se de mais um devaneio discursivo de Jair Bolsonaro. A declaração de que a Lava-Jato chegou ao fim pela ausência de escândalos de corrupção no âmbito do governo é mais uma tentativa tosca do presidente da República de ludibriar a opinião pública, já que o apoio do “Centrão” ao Palácio do Planalto não acontece à sombra do bom-mocismo. Que tiver dúvidas a respeito do tema que confira o histórico de cada integrante do bloco parlamentar.

Além disso, o UCHO.INFO desafia o presidente Jair Bolsonaro a abrir a “caixa preta” da mineração para provar de fato a inexistência de casos de corrupção no governo. Ao longo dos últimos anos, este portal tem denunciado escândalos de corrupção no setor de mineração, sendo que os protagonistas dos ilícitos agora estão em postos de destaque na estrutura governamental. Presidente, “alea jacta est”!

Ucho.Info
Parceria O Estado Brasileiro
Ucho Haddad

Indicação de Kássio Marques ao STF gera enxurrada de críticas

Indicação de Kássio Marques ao STF gera enxurrada de críticas nas redes sociais após anúncio de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (1), durante sua enfadonha “live” semanal, que indicará o juiz federal Kássio Nunes Marques para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) que abrirá com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que deixará a Corte em 13 de outubro.

“Sai publicado amanhã no Diário Oficial o nome do Kássio Marques para a nossa primeira vaga do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Bolsonaro, durante transmissão ao vivo em rede social. “Nós temos uma vaga prevista para o ano que vem, também. Esta segunda vaga vai ser para um evangélico, tá certo?”, acrescentou.

A necessidade de Bolsonaro criar um fato novo a cada dia, como forma de estar no noticiário, é conhecida de todos, mas causa espécie a pressa em indicar o próximo integrante do STF, já que Celso de Mello continua no cargo. Ou seja, um sinal evidente de desrespeito ao decano da Corte, cujo conhecimento jurídico fará muita falta ao País.

Kássio Nunes Marques, de 48 anos, passou a ser cotado para a vaga no Supremo no início desta semana e sua indicação surpreendeu, pois até então Bolsonaro vinha anunciando que pretendia indicar um “terrivelmente evangélico”. O presidente da República ignora a laicidade do Estado, como preconiza a Constituição Federal, não sem antes acreditar que o indicado lhe dedicará obediência e lealdade.

É importante ressaltar que após envergar a toga do STF pela primeira vez, qualquer magistrado esquece as eventuais promessas feitas ao patrono e seus canhestros interesses. Basta ver o comportamento dos ministros do STF indicados nos governos petistas. Todos voaram, na extensa maioria das vezes, contra os interesses da legenda.

 Católico, natural de Teresina, Kássio Marques é desembargador no Tribunal Federal da 1a Região (TRF-1), tendo sido indicado ao cargo pela então presidente Dilma Rousseff em 2011. Formado em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Kássio Marques possui mestrado em Direito Constitucional pela Universidade Autônoma de Lisboa, além de doutorado pela Universidade de Salamanca.

Sua indicação depende de votação no plenário do Senado, após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Caso aprovado, ele será o primeiro ministro nordestino na atual constituição da Corte. A escolha de Bolsonaro é vista como um aceno do presidente ao Nordeste, região onde ele conta com uma pequena base eleitoral.

A indicação de Kássio Marques foi articulada por líderes do centrão, sendo diretamente influenciada pelos senadores Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI). O fato de o juiz ser considerado um garantista teria sido fundamental para o presidente. Ao assumir a vaga de Celso de Mello, ele poderá herdar o processo que investiga Bolsonaro por supostas interferências na Polícia Federal (PF), aberto após as acusações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro.

Reação bolsonarista

Após a confirmação do nome de Kássio Marques para o STF, a turba bolsonarista invadiu as redes sociais para criticar o presidente da República. Antes do anúncio oficial sobre o próximo integrante da Suprema Corte, assessores palacianos apresentaram a Bolsonaro vários nomes como alternativa, no intuito de evitar a enxurrada de críticas. A cúpula do governo apostava na “fritura cibernética” de Kássio Marques para dissuadir Bolsonaro.

Nos bastidores do palácio do Planalto, a avaliação é que a reação nas redes sociais supera com folga as críticas recebidas pela indicação de Augusto Aras à Procuradoria-Geral da República (PGR), em 2019. Para se ter ideia do movimento contra o próximo ministro do STF, as críticas superam em volume as desferidas por ocasião da saída de Sérgio Moro do governo.

Da Redação O Estado Brasileiro
Parceria Ucho.Info
Publicação original autorizada por Ucho.Info

Motivo de vergonha para os brasileiros, discurso de Bolsonaro na ONU é ode ao absurdo e ao despreparo

Por Ucho Info

Nove entre dez néscios que se aventuram na política usam discursos boquirrotos para atacar a imprensa, especial quando são alçados à mira das críticas. O presidente Jair Bolsonaro, que discursou na abertura da 75ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), disse que se a imprensa está a criticar sua fala é porque o pronunciamento foi bom.

Bolsonaro, que desconhece o mais raso significado de humildade, até porque sua soberba chega a ser nauseante, prefere fazer ouvidos moucos para a enxurrada de críticas que surgem de todas as partes do planeta, pois sua fala flanou nos ares do devaneio.

Na edição desta terça-feira, o UCHO.INFO publicou matérias com análises pontuais sobre trechos do discurso do presidente da República, mas ainda sim merece destaque a afirmação delirante que envolve religião e Estado.

Por desconhecer os artigos 5º (inciso VI) e 19 (inciso I) da Constituição Federal de 1988, Bolsonaro sentiu-se à vontade para emoldurar o Estado brasileiro com os dogmas do cristianismo, como se a laicidade fosse letra morta no texto constitucional.

Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Inciso VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.”

Art. 19 – É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

Inciso I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

O presidente ousou afirmar que “a liberdade é o bem maior da humanidade”, mas preferiu esquecer seu apoio aos protestos antidemocráticos e as ameaças feitas ao Judiciário e ao Legislativo, apenas porque foi contrariado em seus interesses. Ou seja, para Bolsonaro a liberdade é primordial, desde que ele permaneça na zona de conforto.

 Nesse trecho do discurso, o presidente pediu que comunidade internacional combata a cristofobia, sugerindo de forma mentirosa que no Brasil os cristãos são alvo de perseguições e impedidos de professar a fé. Na verdade, a perseguição se dá por parte dos fundamentalistas evangélicos, os quais engrossam a horda de apoiadores de Bolsonaro. Basta voltar no tempo e conferir as reações dos evangélicos diante do aborto legal a que se submeteu uma garota de 10 anos estuprada pelo tio.

Mais uma vez, ignorando que a Carta Magna estabelece que o Estado é laico, Bolsonaro afirmou, ao final do seu patético discurso, que “o Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base”.

A exemplo do que ocorreu na edição anterior da Assembleia-Geral da ONU, Bolsonaro abriu mão da oportunidade de falar à comunidade internacional para dirigir a palavra aos seus eleitores, já que, sem jamais ter descido do palanque de 2018, está debruçado em seu projeto de reeleição. E manter coesa a insana e descontrolada base de apoio parece ser mais importante do que defender os interesses do País.

Afirmar que o Brasil é um país cristão beira o delírio, pois sabe-se que a liberdade religiosa e de crença é garantida pela Carta Magna. Além disso, Bolsonaro foi eleito para governar para todos os brasileiros, evangélicos ou não. De acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os cristãos representam 86,8% da população brasileira, sendo que 64,6% são católicos. Os evangélicos, segundo levantamento de uma década atrás, somam 43 milhões, algo como 20% do contingente populacional.

Em relação ao fato de o Brasil ser um país que tem a família como base, Bolsonaro não é a pessoa mais indicada para discorrer sobre o tema. Afinal, a família tradicional e conservadora, como sugeriu o presidente em seu discurso, abomina quem casa-se mais de uma vez e usa apartamento funcional do Parlamento para “comer gente”. Ademais, Bolsonaro precisa explicar aos brasileiros que conservadorismo é esse que consente que um ex-assessor parlamentar deposite dinheiro de origem suspeita na conta bancária da primeira-dama.

No tocante a ser aparentemente adepto do cristianismo, como demonstra em declarações e aparições públicas de encomenda, Bolsonaro deveria penitenciar-se, já que um cristão de fato jamais dirá a uma mulher que deixará de estuprá-la por ser feia e não merecer, como fez com a deputada federal Maria do Rosário.

Contudo, os destampatórios de Bolsonaro não se limitaram à seara da fé e do suposto conservadorismo. Avançou no terreno das relações internacionais e dos investimentos estrangeiros no Brasil. No campo das relações entre países, o presidente exaltou o esforço do homólogo americano, Donald Trump, para alcançar a paz entre israelenses e palestinos.

Bolsonaro referiu-se à formalização das relações diplomáticas entre Israel, Emirados Árabes e Bahrein, algo que já existia de forma não oficial. Falar em acordo de paz entre essas três nações é um absurdo, pois não se sela um pacto dessa natureza entre países que jamais estiveram em guerra. Não obstante, o “salamaleque” oficial em questão só serviu para acirrar as beligerantes disputas entre israelenses e palestinos. Como quem liderou esse processo foi Donald Trump, maiores explicações são desnecessárias.

Com referência aos investimentos internacionais no Brasil, Bolsonaro disse que “no primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo”.

O presidente tem o direito de falar inverdades e passar vergonha sozinho, mas não pode impor ao povo brasileiro vexames colossais. Na comparação com o primeiro semestre de 2019, a queda nos investimentos estrangeiros no Brasil foi de 30% (caiu de US$ 36,4 bilhões para US$ 25,5 bilhões). Isso porque os absurdos praticados pelo governo nos últimos vinte meses reduziram a atratividade do Brasil como destino de investimentos. Afinal, investidores, grandes empresas e empresários de todo o planeta passaram a dar importância a ao meio ambiente e ao bem-estar social antes de abrirem os cofres.

Por Redação Ucho.Info
Publicação autorizada parceria Ucho.Info/Redação OEB