Marcelo Odebrecht – da prisão para mais 10 anos [preso] em uma luxuosa mansão

Marcelo Odebrecht não terá vida fácil após deixar a prisão

AFP/Arquivos / Heuler AndreyMarcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht, o magnata da construção no centro do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, deixará a prisão na terça-feira, mas não será convidado pela família para as festas de fim de ano.

Após receber o direito de prisão domiciliar, deixará sua cela na penitenciária para cumprir o resto de sua sentença de dez anos de prisão em uma luxuosa mansão em São Paulo. Um conforto obscurecido pelas tensões familiares dignas de novelas.

Apelidado de “o príncipe” em seu auge, liderou a maior empreiteira da América Latina, com projetos em todo o mundo, do estádio da equipe de basquete Miami Heat a uma barragem em Angola.

Apenas alguns anos atrás, este CEO de olhar penetrante por trás de seus pequenos óculos de aro redondo era um dos homens mais influentes do Brasil.

Mas tudo mudou em 2015. Acusado de pagar subornos a dezenas de líderes políticos em todo o mundo para obter contratos, foi preso em sua casa, como parte das investigações da Lava Jato.

A investigação revelou uma rede de corrupção de magnitude inimaginável, da qual a Odebrecht é um dos casos mais emblemáticos.

A empresa dispunha de um departamento de contabilidade dedicado apenas a esses pagamentos ocultos: o “setor de operações estruturadas”, mais conhecido internamente como o “departamento da propina”.

– Cerco se fechando –

Agora, com 49 anos, Marcelo Odebrecht já não é o CEO do grupo familiar.

Terça-feira, ele vai deixar a prisão de Curitiba, depois de passar dois anos e meio atrás das grades por corrupção e lavagem de dinheiro.

Suas condições atuais de detenção não são particularmente severas. Dispõe de micro-ondas, uma geladeira e uma televisão em sua cela, cujas portas podem permanecer abertas.

Mas, a partir de terça, o ex-empresário vai trocar uma cela de 12 m2 pelo conforto de uma mansão de 3.000 m2.

Ele viajará para São Paulo em um jato particular, para retornar ao bairro do Morumbi, onde vivem sua esposa Isabel e seus três filhos.

Equipado com uma tornozeleira eletrônica, ele primeiro deverá permanecer confinado em sua gaiola dourada 24 horas por dia, antes de poder sair, às vezes, em 2020.

O que quer que aconteça, seu retorno à sociedade deve ser agitado.

A maioria dos membros da família Odebrecht foi atingida pelo escândalo, mas foi a partir do momento em que Marcelo assumiu as rédeas da empresa, em 2008, que a corrupção atingiu níveis alarmantes.

Depois de resistir por bastante tempo, finalmente sentou-se à mesa das delações ao perceber que o cerco da Lava Jato estava se fechando.

A empresa também teve que pagar uma multa astronômica de US$ 2,6 bilhões aos governos do Brasil, Suíça e Estados Unidos.

Em troca, Marcelo Odebrecht obteve uma redução de sua pena, de 19 a 10 anos de prisão, com uma boa parte a ser cumprida em domicílio.

– O pai contra os filhos –

Mas o fato de ter confessado os crimes da companhia não foi bem recebido por parte de sua família.

De acordo com o jornal O Globo, seu pai, Emílio, o visitou apenas uma vez na prisão. Outro jornal, a Folha de São Paulo, relata relações tempestuosas com sua irmã, sua mãe e outras figuras importantes do grupo familiar.

Três tios estariam do lado do pai, apenas um ao lado do filho.

“Havia dois grupos dentro da empresa: o do Marcelo, que não queria a delação de jeito nenhum, e o do Emílio, que achava a delação a melhor saída. Venceu a tese do Emílio”, declarou um membro do conselho administrativo ao site UOL.

A empresa está agora em processo de reestruturação e as novas regras proíbem o CEO de ser membro da família.

Daniel Vargas, professor de direito na Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, considera que o grupo Odebrecht está “fazendo grandes esforços” para pôr fim às práticas antigas.

Mas a sobrevivência da empresa depende de uma tomada de consciência de todo o setor de construção no Brasil.

“Se não, como a Odebrecht pode permanecer competitiva sem participar da corrupção?”, questiona Daniel Vargas.

da Redação OEB
com agência AFP

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