Dilma reforça a vitimização que passa a ser o "tiro no pé" do PT e os poucos aliados

dilma-rousseffA argumentação de todos os envolvidos no maior escândalo já visto na política, que não se restringe ao petrolão, é a mesma de sempre, vitimizando os que estão em queda e lançando previsões de caos para aqueles que são privilegiados, mais diretamente, os pobres que perderão os “bolsa voto” até concessões de terras, onde estão envolvidos os substitutos dos antigos grileiros, ou seja, políticos e empresas que passaram a ser “proprietários” de grandes extensões de terra (muitas retiradas de proprietários a força) e até, pasmem, bolsa família.
O grande e complexo esquema de corrupção, quebrou o Brasil.

“Infelizmente’ Temer e Cunha são cúmplices de um processo grave

Acusa Dilma Rousseff

No mesmo dia em que a comissão do impeachment do Senado votará o relatório sobre seu possível impedimento, a presidente Dilma Rousseff usou mais uma cerimônia no Palácio do Planalto para defender seu mandato e atacar o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). “Não vamos nos iludir. Todos aqueles que são beneficiários desse processo, como, por exemplo, aqueles que estão usurpando o poder, infelizmente o vice-presidente da República, são cúmplices de um processo extremamente grave”, disse.

Em seu discurso, Dilma comentou o afastamento de Cunha na quinta-feira, 5, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que, com isso, o Poder Judiciário confirmou que o presidente da Câmara afastado “usava de práticas condenáveis”. “Uma das práticas mais condenáveis foi a chantagem explícita contra o meu governo”, disse, ressaltando que a situação é “descarada”.

Sem comentar que o governo pretende questionar no Supremo o fato de Cunha ter conduzido o processo de impeachment na Câmara, Dilma disse que “o pecado original deste processo não pode escondido”. “Não foi só chantagem explícita, é um golpe explícito e o desvio de poder”, afirmou.

Na quinta-feira, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que pedirá ao STF a anulação do processo com base no “desvio de finalidade” do presidente da Câmara. No Planalto, entretanto, interlocutores de Dilma dizem que Cardozo “está apenas cumprindo o seu papel” e que é difícil reverter o processo.

A presidente, que participou nesta sexta-feira, 6, de cerimônia relativa ao Programa Minha Casa Minha Vida, afirmou ainda que sabe que é “muito incômoda” para alguns e reafirmou que não irá renunciar. “Eu tenho a disposição de resistir. Resistirei até o último dia”, pontuou. “Vivemos um impeachment golpista; é ridícula essa questão de pedaladas fiscais.”

Pouco antes de começar a cerimônia, o ministro do desenvolvimento agrário, Miguel Rossetto, chamou o vice-presidente Michel de “impostor” e ameaçou avisando que seu “governo ilegítimo não terá um minuto de sossego”. “Ele (Temer) é um golpista e seu governo não terá legalidade”, comentou o ministro. E acrescentou: “Será uma crise prolongada e não haverá estabilidade política no País com um presidente impostor”.

A argumentação do “retrocesso” que inicia o processo de “infernizar o governo Temer”, como prometido, exaltando a perda de “privilégios da sociedade”

Ao defender o programa Minha Casa Minha Vida, Dilma afirmou ter “consciência” de que o “golpe” não é exclusivamente contra o seu mandato. “Fui eleita com 54 milhões de votos e com um programa”, afirmou. “O que está acontecendo é uma eleição indireta, que é travestida de impeachment. Vão querer, na maior cara de pau, referendar um programa que não foi eleito nas urnas”, completou.

Sem citar diretamente Temer, Dilma disse que vão querer reduzir o Bolsa Família “a pó”. Segundo ela, a proposta sugerida pelo PMDB de limitar o benefício a 5% da população deixará “mais de 36 milhões de pessoas à margem”. “O bolsa família hoje contempla 47 milhões de pessoas. A proposta reduziria para 10 milhões”, disse.

Mesmo com o impeachment em estágio avançado, Dilma seguiu falando de metas e prometeu a contratação de mais 2 milhões de casas no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida Segundo ela, ao final de 2018, o governo terá construído mais de 5 milhões de unidades habitacionais. “A cada oito brasileiros, um terá uma casa do Minha Casa Minha Vida”, afirmou. Na cerimônia desta sexta-feira, o governo anunciou a contratação de 25 mil unidades habitacionais no âmbito do programa.

Apoio dos movimentos ditos “sociais”

Como aconteceu nos últimos eventos no Palácio do Planalto, a cerimônia teve uma plateia – desta vez bastante reduzida – formada por claque de apoiadores de Dilma, como os movimentos sociais. Das cerca de 400 cadeiras separadas para o evento, mais de 100 estavam vazias.

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, que discursou no evento, fez duras críticas ao processo de impeachment e disse que “é importante que se reafirme que há um golpe, conduzido pelo maior bandido da história, que é o senhor Eduardo Cunha”.

Boulos questionou o fato de o Superior Tribunal Federal (STF) julgar pelo afastamento de Cunha. “Por que demoraram quatro meses para afastar Cunha? Dizem que tentaram higienizar o golpe, mas nem com muito desinfetante vão higienizar o golpe neste País”, afirmou.

Boulos afirmou ainda que há um risco “real e iminente” de retrocessos no Brasil e garantiu que os movimentos sociais vão tomar as ruas após o afastamento de Dilma. “Não daremos nenhum passo atrás, presidente, e barraremos nas ruas esse golpe e qualquer retrocesso”, disse o coordenador do MTST a Dilma. “O jogo ainda não está jogado. Nas ruas o povo está pronto para defender o golpe.” “Para aqueles que querem ameaçar a democracia: não mexam com as conquistas históricas do povo brasileiro. A luta está na rua”.

da Redação OEB
com Agência Estado

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