Cunha justificou, em menos de 24 horas, os argumentos de Moro para prendê-lo

Em menos de 24 horas após sua prisão o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos deputados [isso apavora Renan – presidente do Senado], justificou os argumentos utilizados pelo Juiz Sérgio Moro para prendê-lo.

Ciente dos passos e da capacidade de articulação e ações de Cunha, o Juiz Moro fez questão de destacar os motivos – exatamente as ações praticadas preventivamente que continuariam numa escala bem maior.

Não demorou para ficar comprovado que o preso estava se articulando muito bem.

Os 220 milhões não existiam mais, os papéis a R$ 2,10 e advogado de delator contratado para a defesa de sua esposa, também prestes a ser presa.

Cunha_afp

Eduardo Cunha


– Onde estão as centenas de milhões?

Justiça Federal se depara com extratos zerados e papel da Oi de R$ 2,10 em nome de Cunha

20/10/2016 – Ao decretar a indisponibilidade de bens no montante de R$ 220 milhões do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Justiça Federal encontrou extratos zerados e uma ação da Oi no valor de R$ 2,10 em nome do peemedebista.

Já em nome de sua mulher Cláudia Cruz, o Banco Central identificou R$ 622 mil. A decisão foi dada pela 6.ª Vara Federal de Curitiba em ação civil de improbidade administrativa movida pela Procuradoria da República, na capital paranaense, contra o peemedebista.

Nesta ação, que não tem caráter penal – sanções previstas têm natureza civil, como inelegibilidade, perda dos direitos políticos, pagamento de multa e ressarcimento de danos ao erário – o peemedebista é acusado de improbidade administrativa por supostamente ter recebido US$ 1,5 milhão em propina envolvendo a compra pela Petrobras de um campo de exploração de petróleo na África, em 2010.

Além do bloqueio feito pelo Banco Central, como é de praxe os próprios bancos encaminharam, posteriormente, à Justiça Federal os dados das contas identificadas em nome do peemedebista e sua mulher.

– Eduardo Cunha contrata advogado de delatores

Criminalista Marlus Arns costurou colaboração premiada de empreiteiros da Camargo Corrêa e atua na defesa de Cláudia, mulher do peemedebista; após visitar ex-deputado na PF, advogado disse que ‘acordo não foi tema da conversa’

Eduardo Cunha. Foto: Denis Ferreira/AP

Eduardo Cunha. Foto: Denis Ferreira/AP

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contratou o advogado Marlus Arns, que atuou no acordo de delação premiada de empresários na Operação Lava Jato. O peemedebista está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, desde a noite de quarta-feira, 19.

Ao deixar a sede da Federal na capital paranaense nesta sexta-feira, 20, após visitar o ex-deputado, o criminalista Marlus Arns afirmou que delação premiada ‘não foi tema de conversa’.

O escritório de Marlus Arns é uma das três bancas que atuam na defesa do ex-deputado. Marlus Arns vai entrar com habeas corpus em favor de Eduardo Cunha no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que mantém jurisdição sobre a 1ª instância da Lava Jato, em Curitiba – todos os recursos e outras medidas contra atos do juiz federal Sérgio Moro são submetidos ao TRF4.

Marlus faz a defesa técnica de Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha. A jornalista também é representada pelo criminalista Pierpaolo Bottini.

A mulher do peemedebista é acusada de lavagem de dinheiro. Segundo denúncia do Ministério Público, Cláudia teria evadido cerca de US$ 1 milhão por meio de contas secretas no exterior abastecidas por seu marido com dinheiro da corrupção na Petrobrás.

O advogado costurou os acordos de colaboração dos empreiteiros Dalton Avancini, Eduardo Leite e Paulo Augusto Santos, da Camargo Corrêa, e do empresário João Bernardi Filho, todos investigados na Lava Jato.

Ainda no universo da Lava Jato, Marlus fez a defesa técnica de Ivan Vernon, ex-assessor parlamentar do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), de Valério Neves – ligado ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF) -, e de João Cláudio Genu, ex-assessor do ex-deputado do PP José Janene (morto em 2010), apontado como o mentor do esquema de cartel e propinas na Petrobrás.

Eduardo Cunha foi preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro. O magistrado acolheu os argumentos da força-tarefa da Procuradoria da República de que, em liberdade, o ex-deputado representa um ‘risco para a instrução do processo e para a ordem pública’.

O ex-deputado foi capturado preventivamente na garagem do prédio onde ele ocupava um apartamento funcional da Câmara na Asa Sul, em Brasília, por volta de 13h15 de quarta.

da Redação OEB
com Estadão conteúdo

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