Categoria: Ministério da Saúde

Militares estão só esquentando o banco no Ministério da Saúde, diz Mandetta

SAÚDE –

“O governo federal se rendeu ao vírus, se entregou, e deixou o Brasil a reboque da doença” Mandetta

“A gente vai colocar todas essas histórias, alguns momentos dramáticos, coisas que ocorreram, mas é basicamente para deixar um registro para que a gente saiba com o Ministério da Saúde se posicionou enquanto eu estive ali naqueles 90 dias. Vai ter muito barulho”, alerta.

Mandetta não poupou o presidente Bolsonaro de críticas ácidas, apesar de não citar o nome do mandatário em nenhum momento. “O presidente tem um comportamento errático diante da crise de saúde. A história vai julgar melhor o presidente. Estará registrado e retratado, de uma maneira indelével, o papel do presidente neste processo”, disse.

O ex-ministro finaliza a entrevista anunciando que vai lançar em agosto, pela editora Companhia das Letras, um livro com as histórias de quando era ministro da Saúde.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta participou de live da IstoÉ na noite da terça-feira, 28. Em entrevista ao diretor editorial Carlos José Marques e ao diretor de redação da revista, Germano de Oliveira, Mandetta analisou a crise sanitária do coronavírus falou sobre como o governo, do qual fez parte por 15 meses, tem enfrentado a doença. “O governo federal se rendeu ao vírus, se entregou, e deixou o Brasil a reboque da doença”, afirmou ele.

A matéria completa se encontra na IstoÉ.

Vídeo reproduzido diretamente do canal

Matéria e produção da Revista IstoÉ

Por que Bolsonaro rifou Bebianno

No fim de fevereiro, começo de março de 2019, fui ao Rio para uma reunião e lá um amigo querido, que conhecera Gustavo Bebianno através de Paulo Marinho, me contou que a verdadeira causa da queda do advogado carioca da assessoria próxima de Jair Bolsonaro foi ele haver avisado ao presidente que o relatório do Coaf enviado à Operação Furna da Onça do MP sobre movimentações financeiras atípicas do assessor e amigão da famiglia Fabrício Queiroz poderia ter consequências mais graves do que de início parecia. Por isso, a revelação feita pelo suplente do senador Flávio do encontro do ex-ministro com o então presidente eleito na toalete de seu escritório no governo de transição me soou verdadeira, confirmando minha certeza de que esse avisp tinha sido dado seria a única explicação plausível para as demissões do subtenente da PM do gabinete do nota zero um na Alerj e da filha deste, Nathalia, funcionária-fantasma do gabinete de Jair na Câmara dos Deputados. Direto ao assunto. Inté.
E só a verdade nos salvará.

Assista!

OMS: Mundo passa de 16 milhões de casos e 646 mil mortes por Covid-19

VÍDEO

Enquanto os dirigentes de todos os países do mundo estão focados nas taxas de contaminação e mortes pelo Covid-19, o Brasil ocupa lugar de destaque no descontrole da pandemia, com o Ministério da Saúde não atendendo as necessidades do enfrentamento e combate ao vírus, destinando apenas um terço da verba disponível para este fim, completando com uma interinidade de ministro que não atende a “logística” da distribuição de remédios imprescindíveis para o tratamento, em falta num grande número dos hospitais.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informa que o número de casos do novo coronavírus confirmados oficialmente ao redor do mundo subiu para 16.114.449. As informações foram baseadas em dados recebidos pela organização até as 5h (de Brasília) neste 27 de julho de 2020.

A taxa global de mortalidade dos casos confirmados de coronavírus, segundo dados disponíveis, é de 4,0%.

Segundo a OMS, os três países onde houve maior número de novos casos foram Estados Unidos (63.968), Brasil (51.147) e Índia (49.931). Neste mesmo intervalo de tempo, os que registraram o maior número de novas mortes foram:
Brasil (1.211), EUA (929) e México (729).

Os últimos dados oficiais

Américas: 8.610.134 (53,43%)
Europa: 3.234.043 (20,06%)
Região do Leste Mediterrâneo: 1.482.315 (9,19%)
Região Africana: 712.920 (4,42%)
Sudeste Asiático: 1.786.145 (11,08%)
Região do Oeste Pacífico: 288.151 (1,78%)
Outros: 741 (0,00%).

Segundo dados publicados pelo UOL, seguem alguns números, onde o relatório completo se encontra naquele portal de notícias.
Países com casos confirmados:

Estados Unidos – 4.148.011 casos, 145.727 mortes
Brasil – 2.394.513 casos, 86.449 mortes
Índia – 1.435.453 casos, 32.771 mortes
Rússia – 818.120 casos, 13.354 mortes
África do Sul – 445.433 casos, 6.769 mortes
México – 385.036 casos, 43.374 mortes
Peru – 379.884 casos, 18.030 mortes
Chile – 345.790 casos, 9.112 mortes
Reino Unido – 299.430 casos, 45.752 mortes
Irã – 291.172 casos, 15.700 mortes
Paquistão – 274.289 casos, 5.842 mortes
Espanha – 272.421 casos, 28.432 mortes
Arábia Saudita – 266.941 casos, 2.733 mortes
Itália – 246.118 casos, 35.107 mortes
Colômbia – 240.795 casos, 8.269 mortes
Turquia – 226.100 casos, 5.613 mortes
Bangladesh – 223.453 casos, 2.928 mortes
Alemanha – 205.609 casos, 9.118 mortes
França – 169.222 casos, 30.078 mortes
Argentina – 158.321 casos, 2.913 mortes
Canadá – 113.556 casos, 8.885 mortes
Iraque – 110.032 casos, 4.362 mortes
Catar – 109.305 casos, 165 mortes
Indonésia – 98.778 casos, 4.781 mortes
Egito – 92.062 casos, 4.606 mortes
China – 87.028 casos, 4.659 mortes
Cazaquistão – 83.122 casos, 585 mortes
Equador – 80.694 casos, 5.515 mortes
Filipinas – 80.448 casos, 1.932 mortes
Suécia – 78.997 casos, 5.697 mortes
Omã – 76.005 casos, 384 mortes
Bolívia – 68.281 casos, 2.535 mortes
Bielorrússia – 66.846 casos, 524 mortes
Bélgica – 65.933 casos, 9.821 mortes
Ucrânia – 65.656 casos, 1.616 mortes

(Trecho do conteúdo completo que pode ser acessado no portal UOL)
Este conteúdo foi gerado pelo sistema de produção automatizada de notícias do UOL e revisado pela redação antes de ser publicado.

Fonte: Portal UOL | OMS – Organização Mundial de Saúde

COMO FUNCIONA A CORTE QUE PODE JULGAR BOLSONARO (vídeo)

Foi solicitado ao TPI que instaure um procedimento jurídico para investigar a conduta do presidente. “Por ação ou omissão, Bolsonaro coloca a vida da população em risco, cometendo crimes e merecendo a atuação do Tribunal Penal Internacional para a proteção da vida de milhares de pessoas”, dizem os juristas no documento protocolado pelos advogados Ricardo Franco Pinto e Charles Kurmay.

Na representação é apresentada uma lista de ações defendidas e realizadas pelo presidente da República. Entre elas, estão: pronunciamentos que incentivam o fim do isolamento social e a reabertura de serviços não essenciais, assim como a divulgação da campanha “O Brasil não pode parar”; visitas a comércio e a manifestações estimulando a população a participar de aglomerações; e a edição de um decreto que permite a abertura de igrejas e casas lotéricas durante a pandemia.

Corte Internacional de Justiça – Tribunal de Haia

“Os crimes cometidos afetam gravemente a saúde física e mental da população brasileira, expondo-a a um vírus letal para vários segmentos e com capacidade de proliferação assustadora, como já demonstrado em diversos países. Os locais que negligenciaram a política de quarentena são onde o impacto da pandemia tem se revelado maior, como na Itália, Espanha e Estados Unidos”, ressalta.

Vídeo da Agência AFP – publicação UOL

Governador do RS Eduardo Leite testou positivo para a Covid-19

Eduardo Leite é o décimo governador a contrair o Covid-19.
Em postagem no Twitter nesta sexta-feira (24), ele disse que está assintomático mas que fará isolamento como recomendado pelos médicos.

TWITTER Eduardo Leite
Após um teste RT-PCR e mesmo estando assintomático, fui surpreendido agora há pouco com o resultado positivo para Covid-19. Cancelei as minhas agendas e iniciei isolamento, seguindo as instruções médicas.
4:57 PM · 24 de jul de 2020

Na última terça-feira, 21, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, se encontrou com o governador do RS, em Porto Alegre, para falar sobre as ações de combate à pandemia no estado. A reunião foi a primeira parada de uma comitiva que visitou os três estados do Sul para integrar ações.

Palácio Piratini – Sede do Governo do Rio Grande do Sul

No dia seguinte, Pazuello foi a Florianópolis para um encontro com o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, que já teve Covid-19. Na quinta-feira, 23, esteve em Curitiba para uma reunião com o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.

Segundo o Ministério da Saúde, nenhuma das pessoas que fizeram parte da comitiva apresentou sintomas até esta sexta-feira. A pasta informou ainda que todos farão teste para detectar a presença do SARS-CoV-2.

Leite, de 35 anos, é o décimo governador a contrair a doença. Antes dele, testaram positivo Moisés (SC), Belivaldo Chagas (SE), Wilson Witzel (RJ), Helder Barbálho (PA), Renato Casagrande (ES), Renan Filho (AL), Mauro Mendes (MT), Paulo Câmara (PE) e Antonio Denarium (RR).

O presidente Jair Bolsonaro também segue testando positivo para a doença há cerca de duas semanas.

Estadão conteúdo
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Mudança de orientação: Saúde diz que não é obrigada a fornecer testes, respiradores e máscaras

Após descumprir promessas de entregas de testes de diagnóstico, leitos de UTI, respiradores e equipamentos para proteção individual, o Ministério da Saúde mudou a orientação sobre compras contra a covid-19, transferindo a responsabilidade para estados e municípios em pleno avanço da pandemia. A guinada de discurso foi registrada em ata de reunião do Centro de Operações de Emergência (COE) do ministério de 17 de junho, já sob a gestão interina do general Eduardo Pazuello.

Esplanada dos Ministérios (Arquivo/Agência Brasil)

O documento sugere “deixar claro” que o ministério “não tem a responsabilidade de fornecer respiradores e equipamentos para proteção individual (EPIs)”. “Isso ocorreu devido a atual conjuntura da emergência de a falta de atendimento no mercado, porém hoje já estamos com um panorama mais estabilizado possibilitando aos estados usarem suas verbas destinadas a esta emergência para aquisição”, registra a ata.

A ata da reunião de 17 de junho não diz de quem partiu a fala sobre mudar o discurso para compras, mas o Estadão apurou que a orientação é de auxiliares de Pazuello. A composição dos encontros do COE varia. Além de técnicos da Saúde, já participaram representantes da Casa Civil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), entre outros. O órgão serve para orientar o ministro da Saúde sobre ações na pandemia e já alertou sobre benefícios do isolamento, falta de medicamentos para UTI e sobras de cloroquina, como revelou o Estadão.

Na reunião, representantes da Saúde ainda afirmam que o governo federal precisava ser “reativo” e atender imediatamente os locais mais impactados no começo da pandemia, mas que a ideia “neste segundo momento” é “estruturar onde ainda não aconteceu levando em consideração capacidade de compra e logística.”

Auxiliares de Pazuello pediram também atenção “especial” em contratações extraordinárias, para evitar “tantos problemas na hora da compra por erros nos editais.” “Verificar com o solicitante se a demanda está de acordo com sua real necessidade e capacidade para uso de imediato. Fazer um check-list do pedido para entender qual a urgência da situação no momento, se isto vai realmente salvar vidas naquele momento”, orienta ainda o COE.

Representantes de estados e municípios queixam-se de que o Ministério da Saúde, além de descumprir promessas de compras, não coordenou a aquisição nacional de insumos estratégicos, como medicamentos usados em UTI para sedar e intubar pacientes graves.

Para o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e primeiro presidente da Anvisa, o médico Gonzalo Vecina, o ministério deveria liderar as aquisições na crise. “A política de compra, de garantia de estoque regulador, ou mesmo de tentar importar produto, é do governo federal. O ministério importa com um ‘pé nas costas’. Já para um estado ou município, comprar na pandemia é um desastre”, disse.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirma que, no começo da pandemia, o ministério “chamou para si” a responsabilidade de distribuição de respiradores. Os estados “montaram seus leitos de UTI certos de que receberiam aqueles equipamentos, o que não se concretizou”, diz a entidade em nota. O Conass afirma que muitos estados e municípios tiveram de arcar com compras emergenciais após o governo não cumprir com o prometido.

O mesmo ocorreu com máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção, diz o Conass. “É necessário atentar para o fato de que o mercado está desregulado com o consumo exagerado em escala mundial, exigindo ações coordenadas e efetivas.”Veja também

Promessas descumpridas

O Ministério da Saúde chegou a prometer a entrega de 3.000 kits para instalação de leitos de UTI. Somente 540 foram enviados. Após licitações fracassadas, a pasta desistiu de novos contratos.

A pasta lançou em 6 de maio e relançou em 24 de junho o programa Diagnosticar para Cuidar, com praticamente a mesma meta de entrega de testes para a covid-19: cerca de 46 milhões, sendo 24 milhões do tipo RT-PCR, mais preciso e que detecta a presença do vírus, e 22 milhões de exames sorológicos (rápidos), que encontram anticorpos para a doença.

Mesmo após reciclar o programa, no entanto, o governo entregou cerca de 20% dos testes RT-PCR e 34% dos modelos sorológicos prometidos.

As promessas descumpridas se repetem com respiradores. Além de contar com a fabricação nacional, a pasta chegou a fechar contrato de cerca de 1 bilhão de reais para trazer 15.000 unidades da China, mas, em 29 de abril, anunciou que o negócio seria desfeito pois o acordo não foi cumprido pela empresa. Não houve pagamento. Desde então, o governo conta com um mutirão da indústria do país para entregar a mesma quantidade. Até a última semana, mais da metade (7.994) respiradores foram distribuídos.

O presidente Jair Bolsonaro afirma, desde o começo da pandemia, que o governo federal já fez sua parte para conter a doença ao enviar recursos para a saúde a estados e municípios. “Vocês não vão botar no meu colo essa conta. O que nós, do governo federal, fizemos desde o começo foi liberar recursos para a Saúde. E também criar aquele benefício emergencial”, disse em 29 de abril.

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), no entanto, aponta que, até o fim de junho, o ministério pagou apenas cerca de 30% do orçamento reservado para a pandemia.

Procurado para comentar sobre diversos pontos registrados em atas do COE, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre a mudança de discurso em relação às compras na pandemia. A pasta tem destacado que, no lugar da entrega de kits para instalação de leitos, faz o custeio das estruturas, com diária de 1.600 reais para cerca de 10.500 quartos, montadas pelos próprios estados.

Estadão conteúdo
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Hidroxicloroquina: Contra o vírus, tão inútil quanto quem o propaga

Por Celso Brasil

A hidroxicloroquina mostrou-se totalmente ineficaz no tratamento contra os infectados pelo Covid-19.
A Anvisa proibiu a venda da cloroquina e ivermectina sem receita médica, após os resultados dos estudos e constatar o risco dos efeitos que esses medicamentos causam.

Nos pacientes com sintomas leves e moderados, não apresentou qualquer melhoria clínica. A pesquisa foi feita por vários hospitais, liderados pelo Albert Einstein, HCor, Sírio Libanês, Moinho de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficiência Portuguesa, pelo Brazilian Clinical Reserarch Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Em 55 hospitais brasileiros, o estudo foi feito com 665 pessoas.

Por sorteio, os pacientes foram divididos em três grupos:

  • 217 pacientes medicados com hidroxicloroquina e azitromicina.
  • 221 pacientes medicados somente com hidroxicloroquina.
  • 227 pacientes foram receberam apenas suporte clínico, sem qualquer droga.

O resultado dos três grupos foram semelhantes, sendo que, 15 dias após, 69% do primeiro grupo, 64% do segundo e 68% do terceiro, já estavam sem qualquer limitações respiratórias e em casa. O número de óbitos também foi muito semelhante – 3%, de acordo com os pesquisadores.

O New England Journal of Medicine publicou os resultados.

A pesquisa destaca dois pontos nos efeitos adversos.

Nos dois grupos tratados com hidroxicloroquina, foram mais frequentes as alterações nos exames de eletrocardiograma, com aumento do intervalo de QT, o que representa maior risco de arritmias. Nestes dois grupos também foi notado maior número de lesões hepáticas.

O estudo teve a colaboração da EMS no fornecimento dos medicamentos, aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Portanto, a hidroxicloroquina não apresenta qualquer benefício no tratamento da Covid-19 e, ainda, mostra riscos à saúde, contrário ao que prega o presidente Bolsonaro que não tem nenhum conhecimento na área da saúde.

Centenas de cientistas participaram de inúmeras pesquisas e, todos, são unânimes no não aconselhamento ou indicação do remédio que se tornou plataforma política e causou tanta polêmica desnecessária, enquanto as atenções deveriam estar voltadas para soluções.

O Brasil continua assombrando o mundo, com a evolução da pandemia que ainda está fora de controle, com aumento do coeficiente de infectados que estava em 1×1 e agora se mostra 1×2 em crescimento, num processo de relaxamento do distanciamento social, abertura do comércio e volta às aulas programada para agosto.

Especialistas informam que, sem a manutenção do isolamento social, estaremos enfrentando o problema por mais dois anos, o que travará, ainda mais a economia, no país que mantém sua moeda como a mais desvalorizada do planeta, sem perspectivas de correções e retomada da economia, contrário aos países da América Latina, vizinhos, que tomaram medidas sérias de controle da pandemia.

A irresponsabilidade do chefe do governo está causando o afastamento de investidores, somado a repercussão negativa das queimadas, abandono da educação e sem Ministro da Saúde.

Redação: Celso Brasil
Fonte: Folha/UOL, Estadão e instituições privadas ligadas à saúde

Anvisa proíbe venda sem receita de cloroquina e ivermectina

Medida está publicada no Diário Oficial da União

Regras que proíbem a venda sem receita em farmácias de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, nitazoxanida e ivermectina foram publicadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As orientações estão na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 405/2020, publicada ontem no Diário Oficial da União . De acordo com a agência, a lista poderá ser revista a qualquer momento para a inclusão de novos medicamentos, caso seja necessário.

Ainda segundo a Anvisa, o objetivo da norma é impedir a compra indiscriminada de medicamentos que têm sido amplamente divulgados como potencialmente benéficos no combate à infecção pelo novo coronavírus, embora ainda não existam estudos conclusivos sobre o uso desses fármacos para o tratamento da doença.  A medida visa também manter os estoques destinados aos pacientes que já têm indicação médica para uso desses produtos, uma vez que os medicamentos que constam na resolução também são usados no tratamento de outras doenças, como a malária (cloroquina e hidroxicloroquina); artrite reumatoide, lúpus e outras (hidroxicloroquina); doenças parasitárias (nitazoxanida) e tratamento de infecções parasitárias (ivermectina). 

Compra

A compra desses produtos em farmácias e drogarias será permitida apenas mediante apresentação da receita médica em duas vias. Cada receita terá validade de 30 dias, a partir da data de emissão, e poderá ser utilizada somente uma vez. A resolução será revogada automaticamente a partir do reconhecimento, pelo Ministério da Saúde, de que não mais se configura a situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

Farmácias e drogarias

Conforme previsto na resolução, todos os medicamentos que contenham as substâncias listadas na norma estão sujeitos aos procedimentos de escrituração no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). A escrituração dos medicamentos à base de hidroxicloroquina, cloroquina e nitazoxanida já era obrigatória desde a inclusão dessas substâncias nas listas de controle da Portaria 344/1998. Para os medicamentos à base de ivermectina, a entrada de medicamentos já existentes em estoque nas farmácias e drogarias antes da resolução não necessita ser transmitida ao SNGPC.

Da Redação OEB
Fonte: Agência Brasil
Edição: Graça Adjuto

BID: teste em larga escala é fundamental para retomada de atividades

Alerta é feito no documento do confinamento à reabertura

Com o objetivo de orientar a retomada das atividades nos países da América Latina após o término da etapa de confinamento, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgou hoje (24) no Brasil um documento que lista medidas tomadas para evitar novas ondas de covid-19 por países que já superaram o pico de contágio. O uso de testes em grande escala é considerado ponto fundamental para o controle da pandemia e a identificação rápida de possíveis novas ondas.

A publicação Do confinamento à reabertura: considerações estratégicas para a retomada das atividades na América Latina e no Caribe no Contexto da COVID-19 demonstra que a transição com segurança para a próxima etapa exige uma série de condições. Apesar de cada país implementar diferentes estratégias na flexibilização do isolamento, existem pontos em comum entre aqueles que já avançaram na reabertura da economia, observados, por exemplo, na Ásia e na Europa.

Entre as condições observadas nos países desenvolvidos que iniciaram a reabertura, estão a redução sustentada, durante dias seguidos, de casos confirmados de covid-19; leitos de UTI disponíveis; máscaras, higienizadores, respiradores e outros recursos em quantidade suficiente; e capacidade de testes em massa.

Além dos testes em larga escala, o BID destacou o monitoramento de contatos como medida de sucesso no combate à disseminação da doença. Em caso de contágios, considera-se importante dispor de uma base de dados que localize, avise e isole quem esteve no mesmo ambiente da pessoa doente. A Coreia do Sul, país citado na publicação, cruzou essas informações por meio de aplicativos no celular.

“O contexto é inédito, mas algumas experiências já estão postas. Enquanto as autoridades lutam para enfrentar a pandemia, é preciso que alguém esteja olhando para o que vem dando certo e o que pode ser melhorado, e temos orgulho de desempenhar esse papel”, disse Morgan Doyle, representante do BID no Brasil.

Segundo a instituição, a reabertura exige controle minucioso dos dados epidemiológicos e agilidade para voltar a restringir a circulação em determinadas áreas ou setores econômicos, se necessário. Com a reabertura de algumas atividades, a recomendação é para que haja reforço nas medidas de higiene, proteção e espaçamento entre as pessoas.

A restrição de viagens e quarentenas para viajantes integra a lista de orientações. De acordo com o BID, Singapura viu uma segunda onda de contágios devido à chegada de trabalhadores do exterior, o que demonstrou a importância de restringir deslocamentos não só internacionais, mas entre regiões com diferentes estágios epidemiológicos, ou ainda a necessidade de impor isolamento para aqueles que chegam de viagem.

Economia

Segundo o documento, os confinamentos estão afetando drasticamente a renda dos trabalhadores. Pesquisa do BID, realizada em 17 países da região, mostrou que muitos latino-americanos perderam emprego ou outros meios de subsistência, sendo que a situação mais grave foi observada nas famílias mais vulneráveis.

Entre aqueles que antes da crise tinham renda abaixo do salário mínimo, 59% disseram que algum integrante da família perdeu o emprego durante a pandemia e 43% daqueles que tinham um negócio relataram que tiveram de fechar. Aqueles que recebiam renda de mais de seis salários mínimos tiveram perda de emprego em 15% das famílias e fechamento de empresas em 21%.

O BID avalia que esticar a quarentena tem custos econômicos de impacto, mas que reabrir sem meios para enfrentar a doença pode custar vidas. Apesar de ter menos idosos – um dos grupos de risco da doença -, a região latino-americana tem maior prevalência de doenças crônicas, como diabetes, que também são agravantes para quadros de covid-19.

Conforme a publicação, no Brasil mais de 10% da população têm diabetes, número próximo à média da América Latina e Caribe, contra 6%, em média. da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo de países desenvolvidos.

Além disso, a região tem menos testes diagnósticos do que os países desenvolvidos e há mais gente morando em cada casa, ou seja, uma pessoa que sai para trabalhar pode contaminar mais gente no seu retorno. Segundo apontou o BID, são 3,4 pessoas por domicílio no Brasil, abaixo da média de 4,1 na América Latina, mas acima dos 2,5 observados na OCDE.

Capacidade hospitalar

O levantamento alerta para o fato de que os países latino-americanos têm menor capacidade hospitalar – incluindo leitos de terapia intensiva (UTI) e respiradores -, o que aumenta o risco de colapso do sistema de saúde caso haja aumento na proporção de doentes graves. Em média, na América Latina e no Caribe há somente dois leitos para cada mil habitantes, inferior à média dos países da OCDE, que têm cerca de cinco leitos por mil habitantes.

Para relaxar as medidas de confinamento, a solução passa por expandir a capacidade hospitalar e de UTIs e controlar o número de casos da doença. Segundo análise do BID, quando há saturação do sistema de saúde, a mortalidade entre os doentes graves por covid-19 aumenta rapidamente pela insuficiência de recursos. Isso limita ainda a capacidade de tratar de forma adequada as pessoas afetadas por outras doenças, o que pode resultar em mortes adicionais por causas que poderiam ser prevenidas.

“Na realidade, a justificativa para as medidas de confinamento está relacionada não tanto com a redução do número de casos (que pode ser muito difícil), mas com sua distribuição ao longo do tempo, para evitar o colapso da capacidade do sistema hospitalar de atender adequadamente os infectados graves”, diz o documento do BID.

Da Redação OEB
Fonte: Agência Brasil
Edição: Graça Adjuto

Diretor da OCDE: “Pandemia evidencia que Brasil gasta pouco e mal em saúde pública”

Fazer investimentos na saúde pública brasileira é algo urgente, afirma Frederico Guanais, diretor-adjunto da divisão de saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, a pandemia de covid-19 “deixou claro que despesas na área de saúde são investimentos.”

O Brasil gasta em saúde 9,2% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas), pouco acima da média dos 37 países-membros da OCDE, a maioria ricos, que é de 8,8% do PIB. Mas no caso do Brasil boa parte dessas despesas são privadas. A fatia dos recursos públicos investidos nessa área representa apenas 4% do PIB, enquanto na média da organização ela é de 6,6% do PIB.

“O financiamento do sistema público de saúde do Brasil é muito inferior ao dos países da OCDE”, afirma o diretor ítalo-brasileiro, especialista em saúde pública que já atuou no Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Ele afirma que a pandemia relança a discussão sobre a necessidade de ampliar a verba do sistema público de saúde no Brasil. Além disso, é preciso “gastar melhor os recursos e se assegurar que eles sejam mais bem utilizados”, acrescenta.

“Há bons investimentos e maus investimentos na saúde”, destaca. Ele cita alguns exemplos no caso do Brasil, como o elevado índice de cesarianas, muito acima da média da OCDE, prescrições de antibióticos desnecessárias em muitos casos, procedimentos cirúrgicos que não garantem taxa de retorno, hospitalizações que poderiam ser evitadas com melhor atendimento primário de saúde ou ainda o uso de remédios de marca em vez de genéricos.

O financiamento da saúde também é necessário para a manutenção da infraestrutura de hospitais e laboratórios, aponta Guanais. Já surgiram temores no Brasil sobre a possibilidade de falta de verbas nos municípios e Estados para manter, após a crise sanitária, os novos equipamentos adquiridos durante a pandemia, como respiradores, monitores e tomógrafos, que reforçaram as capacidades de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Desafios do SUS

Para o especialista, a pandemia de covid-19 expõe ainda a importância de retomar discussões pendentes do que pode ser feito para melhorar o SUS.

Um dos temas, afirma Guanais, é o sistema de informações integradas do SUS, que pode ter uma melhor utilização dos dados (como hospitalizações, uso de medicamentos e óbitos) para detectar precocemente epidemias e rastrear sua propagação e ainda analisar a qualidade do atendimento dado aos pacientes.

“Essa é uma agenda importantíssima de política pública de saúde no Brasil”, ressalta.

Os mecanismos de governança do SUS também precisam ser rediscutidos, diz ele, já que “há vários problemas na articulação federativa” do sistema com os demais níveis da área de saúde, com impacto direto sobre a sua gestão.

“Hoje em dia há uma duplicação de funções. Há Estados e municípios construindo hospitais e deixando um vazio na atenção primária ou um Estado que espera que o município faça algo ou vice-versa. É preciso melhorar essa articulação.”

Guanais afirma ainda que no Brasil existem subsídios públicos à saúde privada, com deduções dos gastos no Imposto de Renda. O governo estuda encerrar ou limitar esses abatimentos na proposta de reforma tributária que está sendo elaborada.

Na pandemia de covid-19, muitas pessoas no Brasil recorrem ao setor privado para fazer testes de diagnóstico do novo coronavírus. Na avaliação do diretor-adjunto, a testagem maciça da população é uma função básica do sistema público e deve ser realizada por ele.

No atual contexto de reabertura da economia em vários países, incluindo o Brasil, a OCDE recomenda a realização de testes como estratégia para evitar uma segunda onda de contágio, que poderia acarretar novos confinamentos. Para a organização, é fundamental testar, rastrear as pessoas infectadas e localizar seus contatos.

No Brasil, diz o especialista, os agentes comunitários de saúde poderiam auxiliar no rastreamento dos contatos das pessoas contaminadas. “O país poderia usar mais as ferramentas que têm.”

O Brasil é o segundo país em número de casos de covid-19, mas é um dos que menos faz testes entre os mais afetados. O governo brasileiro alega a falta de insumos, como reagentes, devido à forte demanda mundial, para ampliar a testagem. De acordo com a OCDE, uma segunda onda de contágio do novo coronavírus pode ser evitada ou mitigada — mesmo sem vacina ou tratamento ainda disponíveis — com programas de testes e rastreamento de infectados, medidas de higiene e uso de máscaras, distanciamento social, além do teletrabalho, quando possível e a não realização de grandes eventos.

Apesar da recomendação da OCDE e também da Organização Mundial de Saúde e de especialistas na área sobre a necessidade do uso de máscaras para conter a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do equipamento de proteção em comércios, indústrias, locais religiosos, prisões, estabelecimentos de ensino e outros locais fechados.

Visões diferentes

Essa não é a única diferença de visão entre a OCDE, que o Brasil pretende integrar (o pedido de ingresso na organização foi feito em 2017), e o governo federal brasileiro em relação à pandemia. Na análise da OCDE, o confinamento aplicado por inúmeros países conseguiu conter o número de mortes. Guanais afirma que os impactos econômicos de não aplicar o isolamento social são mais elevados do que quando eles são implementados.

Em seu último estudo com previsões para a economia mundial, publicado em junho, a OCDE estima que o PIB brasileiro cairá 7,4% neste ano. Mas se houver uma segunda onda de covid-19 no país após a reabertura da economia, a queda do PIB é estimada em 9,1%. Para Guanais, as recentes ocorrências de novos surtos em países onde a pandemia parece estar sob controle mostram que uma segunda onda de contágio é possível.

“É necessário manter a vigilância e o foco na continuidade das medidas de prevenção até que uma vacina seja desenvolvida e aplicada em grande parte da população ou que a imunidade de rebanho seja alcançada”, afirma. Mas essa segunda opção implicaria número ainda mais elevado de mortes.

Segundo o diretor-adjunto de saúde, é comum o relaxamento de parte da população em relação as medidas de prevenção, que ocorre em vários países que reabriram suas economias, como a França.

“A mudança de comportamentos que afetam a saúde é inerentemente difícil e vemos claramente isso em outros exemplos relacionados à saúde pública, como uso de cintos de segurança, capacetes para motos e bicicletas ou assentos de carro para crianças.”.

Os mecanismos mais eficazes para assegurar a mudança de comportamento dependem da cultura e dos hábitos locais, diz ele. “Em alguns países recomendações podem ser suficientes. Em outros, mecanismos mais estritos talvez sejam necessários”, afirma, acrescentando que em todo o mundo a segurança da “nova normalidade” requer algum tipo de mudança de comportamento. Para Guanais, a pandemia reforça também a necessidade de investimentos na ciência e na colaboração entre centros de pesquisa e o livre intercâmbio de dados.

“Na atual crise, a descoberta científica evoluiu muito mais rapidamente do que antes.” A rapidez para identificar o genoma completo da covid-19 e sua publicação em acesso livre contribuíram para acelerar o desenvolvimento das vacinas atualmente, afirma.

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC News Brasil

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