Categoria: Economia & Finanças

Setor de máquinas e equipamentos registra queda de 12,4% na receita

Segundo trimestre do ano encolheu 17,4% na comparação com 2019

O setor de máquinas e equipamentos teve queda de 12,4% na receita líquida do mês de junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em maio, a redução foi de 14,1% e, em abril, foi de 25,6%. Com isso, o segundo trimestre do ano encolheu 17,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a junho, o faturamento do setor encolheu 8,5%.

A queda na indústria de máquinas e equipamentos

Apesar da redução em junho, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) ressalta que os últimos resultados têm apontado para uma queda menos brusca da receita, com apoio no faturamento de vendas no mercado interno. 

“Ainda que a receita total nos últimos três meses tenha retraído, esses resultados têm sido menos negativos a cada mês por conta das receitas internas. Em junho, as receitas internas encolheram 10,1% na comparação interanual, queda menos densa que a observada em maio (14,9%) e abril (26,5%)”, divulgou a entidade. A sequência desses resultados negativos acarretou na queda de 17% das receitas internas no segundo trimestre, neutralizando o avanço de 2,6% nos primeiros três meses do ano. Com isso, as receitas de vendas no mercado doméstico acumulam queda de 7,8% até junho 2020.

Exportação

Já as receitas de exportação do setor de máquinas e equipamentos apresentaram forte queda pelo quarto mês consecutivo. Em junho, as exportações em dólar caíram 35,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, após queda de 34,7% em maio e de 41,6% em abril. Segundo a entidade, o setor já apresentava dificuldades na competição externa mesmo antes da pandemia: as exportações encolheram 37,3% no segundo trimestre e 12,8% no primeiro trimestre. No acumulado de janeiro a junho, a exportação caiu 25,4%.

No acumulado de janeiro a junho, as vendas em dólar para os Estados Unidos caíram 31,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. “Como este destino representa cerca de 30% das vendas totais, tal queda intensa impactou consideravelmente as receitas do setor”, avaliou a Abimaq. Na mesma comparação, as vendas para os países da América Latina caíram 23,9%. Atualmente, a América Latina representa 32,2% das exportações totais. Entre janeiro e junho as exportações para a Europa também recuaram 21,7%.

Em junho, as importações de máquinas e equipamentos pelo Brasil também recuaram, registrando queda de 32,5% na comparação anual. Essa foi a queda mais forte dos últimos três meses. O segundo trimestre do ano fechou 26,5% abaixo do mesmo trimestre do ano passado. No entanto, como o primeiro trimestre havia registrado uma forte alta, as importações acumularam saldo positivo de 6,2% entre janeiro e junho de 2020.

Segundo a Abimaq, por consequência do baixo nível de operação da indústria de máquinas e equipamentos, o mercado de trabalho registrou queda nos empregos. Em junho, o setor registrou 295,8 mil trabalhadores, uma redução de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. De janeiro e junho, o setor demitiu 6,6 mil empregados, após ter iniciado o ano com 3,1 mil contratações.

Da Redação OEB
Edição: Aline Leal
Fonte: Agência Brasil

Banco Central anuncia lançamento da nota de R$ 200

ECONOMIA –

Nova cédula terá como personagem o lobo-guará

A partir do fim de agosto, os brasileiros poderão circular com um novo tipo de cédula. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje (29) a criação da nota de R$ 200.

A cédula terá como personagem o lobo-guará, espécie que ficou em terceiro lugar em uma pesquisa realizada pelo BC sobre quais animais em extinção deveriam ser representadas em novas cédulas. O anúncio foi feito pelo Banco Central (BC), que convocou uma entrevista coletiva para apresentar a nova nota.

A diretora de administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, disse que o lançamento da nova nota é uma forma de a instituição agir preventivamente para a possibilidade de aumento da demanda da população por papel moeda.

Segundo o BC, entre março e julho deste ano, um dos efeitos econômicos da pandemia de covid-19 foi o aumento de R$ 61 bilhões no entesouramento de moeda, ou seja, notas que deixaram de circular porque a população deixou o dinheiro em casa. 

De acordo com a diretora, não há falta de numerário no mercado, mas o BC entende que o momento é oportuno para o lançamento da nova cédula diante da possibilidade de aumento na demanda. 

“Estamos vivendo neste momento um período de entesouramento, efeito derivado da pandemia. O Banco Central nesse momento não consegue precisar por quanto tempo os efeitos do entesouramento devem perdurar”, disse a diretora. 

Em entrevista coletiva, Carolina também afirmou que a imagem da nota de R$ 200 ainda não está disponível porque está na fase final de testes de impressão. O lançamento está previsto para o final de agosto deste ano.

Segundo o BC, a tiragem em 2020 será de 450 milhões de unidades, equivalentes a R$ 90 bilhões.

Da Redação OEB
Edição: Wellton Máximo e Lílian Beraldo
Fonte: Agência Brasil

3 nuvens gigantes de gafanhotos ameaçam o Brasil e a Argentina

VÍDEO –

Eles são centenas de milhões e continuam se reproduzindo

A capacidade de devastação dessas nuvens de gafanhotos, podem causar um desastre econômico por onde passarem e afetar, ainda mais, a debilitada economia, agravada com a pandemia do novo coronavírus.

“O calor acelera o metabolismo dos gafanhotos, que passam a se reproduzir mais e a se movimentar em grandes grupos”, diz Carlos Goulart, diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura.
“Ainda é preciso ter cuidado”, diz Carlos Goulart. A nuvem de gafanhotos está a cerca de 100 quilômetros da fronteira com o Brasil.

Três grandes nuvens de gafanhotos na Argentina e Paraguai vem preocupando os governos do Brasil e da região. Duas nuvens permanecem sobre a Argentina, uma delas com 400 milhões de gafanhotos, e a outra se encontra no Paraguai. No último final de semana, o governo argentino e produtores rurais decidiram fazer uma aplicação maciça de inseticidas na nuvem gigante.

Os técnicos argentinos continuam monitorando a região para verificar quantos gafanhotos foram mortos e se há possibilidades de reagrupamento e nascimento de novos insetos.

Os governos da Argentina e do Brasil acompanham atentamente o fenômeno. O maior risco é a destruição de áreas de pastagem e lavouras. Segundo técnicos do governo argentino, um conglomerado de 40 milhões de gafanhotos, um décimo da nuvem identificada na região de Entre Rios, na Argentina, é capaz de consumir pastagens utilizadas por até 2.000 cabeças de gado. Os insetos se alimentam da grama.

Ao menos para os produtores rurais brasileiros, é que a chegada de uma frente fria nesta terça-feira, dia 28, na Argentina, deve manter os insetos no local onde se encontram. Mas permanece a preocupação de que, com a chegada de novas ondas de calor e umidade, a nuvem possa se avolumar e mudar de direção.

Uma nuvem de gafanhotos está se deslocando dentro do Paraguai, em direção à fronteira com a Argentina. Caso os insetos continuem a se reproduzir, como tem acontecido, a nuvem pode aumentar de tamanho. Por enquanto, ela está a 600 quilômetros do Brasil.

Fonte: Exame
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Mudança de orientação: Saúde diz que não é obrigada a fornecer testes, respiradores e máscaras

Após descumprir promessas de entregas de testes de diagnóstico, leitos de UTI, respiradores e equipamentos para proteção individual, o Ministério da Saúde mudou a orientação sobre compras contra a covid-19, transferindo a responsabilidade para estados e municípios em pleno avanço da pandemia. A guinada de discurso foi registrada em ata de reunião do Centro de Operações de Emergência (COE) do ministério de 17 de junho, já sob a gestão interina do general Eduardo Pazuello.

Esplanada dos Ministérios (Arquivo/Agência Brasil)

O documento sugere “deixar claro” que o ministério “não tem a responsabilidade de fornecer respiradores e equipamentos para proteção individual (EPIs)”. “Isso ocorreu devido a atual conjuntura da emergência de a falta de atendimento no mercado, porém hoje já estamos com um panorama mais estabilizado possibilitando aos estados usarem suas verbas destinadas a esta emergência para aquisição”, registra a ata.

A ata da reunião de 17 de junho não diz de quem partiu a fala sobre mudar o discurso para compras, mas o Estadão apurou que a orientação é de auxiliares de Pazuello. A composição dos encontros do COE varia. Além de técnicos da Saúde, já participaram representantes da Casa Civil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), entre outros. O órgão serve para orientar o ministro da Saúde sobre ações na pandemia e já alertou sobre benefícios do isolamento, falta de medicamentos para UTI e sobras de cloroquina, como revelou o Estadão.

Na reunião, representantes da Saúde ainda afirmam que o governo federal precisava ser “reativo” e atender imediatamente os locais mais impactados no começo da pandemia, mas que a ideia “neste segundo momento” é “estruturar onde ainda não aconteceu levando em consideração capacidade de compra e logística.”

Auxiliares de Pazuello pediram também atenção “especial” em contratações extraordinárias, para evitar “tantos problemas na hora da compra por erros nos editais.” “Verificar com o solicitante se a demanda está de acordo com sua real necessidade e capacidade para uso de imediato. Fazer um check-list do pedido para entender qual a urgência da situação no momento, se isto vai realmente salvar vidas naquele momento”, orienta ainda o COE.

Representantes de estados e municípios queixam-se de que o Ministério da Saúde, além de descumprir promessas de compras, não coordenou a aquisição nacional de insumos estratégicos, como medicamentos usados em UTI para sedar e intubar pacientes graves.

Para o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e primeiro presidente da Anvisa, o médico Gonzalo Vecina, o ministério deveria liderar as aquisições na crise. “A política de compra, de garantia de estoque regulador, ou mesmo de tentar importar produto, é do governo federal. O ministério importa com um ‘pé nas costas’. Já para um estado ou município, comprar na pandemia é um desastre”, disse.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirma que, no começo da pandemia, o ministério “chamou para si” a responsabilidade de distribuição de respiradores. Os estados “montaram seus leitos de UTI certos de que receberiam aqueles equipamentos, o que não se concretizou”, diz a entidade em nota. O Conass afirma que muitos estados e municípios tiveram de arcar com compras emergenciais após o governo não cumprir com o prometido.

O mesmo ocorreu com máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção, diz o Conass. “É necessário atentar para o fato de que o mercado está desregulado com o consumo exagerado em escala mundial, exigindo ações coordenadas e efetivas.”Veja também

Promessas descumpridas

O Ministério da Saúde chegou a prometer a entrega de 3.000 kits para instalação de leitos de UTI. Somente 540 foram enviados. Após licitações fracassadas, a pasta desistiu de novos contratos.

A pasta lançou em 6 de maio e relançou em 24 de junho o programa Diagnosticar para Cuidar, com praticamente a mesma meta de entrega de testes para a covid-19: cerca de 46 milhões, sendo 24 milhões do tipo RT-PCR, mais preciso e que detecta a presença do vírus, e 22 milhões de exames sorológicos (rápidos), que encontram anticorpos para a doença.

Mesmo após reciclar o programa, no entanto, o governo entregou cerca de 20% dos testes RT-PCR e 34% dos modelos sorológicos prometidos.

As promessas descumpridas se repetem com respiradores. Além de contar com a fabricação nacional, a pasta chegou a fechar contrato de cerca de 1 bilhão de reais para trazer 15.000 unidades da China, mas, em 29 de abril, anunciou que o negócio seria desfeito pois o acordo não foi cumprido pela empresa. Não houve pagamento. Desde então, o governo conta com um mutirão da indústria do país para entregar a mesma quantidade. Até a última semana, mais da metade (7.994) respiradores foram distribuídos.

O presidente Jair Bolsonaro afirma, desde o começo da pandemia, que o governo federal já fez sua parte para conter a doença ao enviar recursos para a saúde a estados e municípios. “Vocês não vão botar no meu colo essa conta. O que nós, do governo federal, fizemos desde o começo foi liberar recursos para a Saúde. E também criar aquele benefício emergencial”, disse em 29 de abril.

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), no entanto, aponta que, até o fim de junho, o ministério pagou apenas cerca de 30% do orçamento reservado para a pandemia.

Procurado para comentar sobre diversos pontos registrados em atas do COE, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre a mudança de discurso em relação às compras na pandemia. A pasta tem destacado que, no lugar da entrega de kits para instalação de leitos, faz o custeio das estruturas, com diária de 1.600 reais para cerca de 10.500 quartos, montadas pelos próprios estados.

Estadão conteúdo
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Hidroxicloroquina: Contra o vírus, tão inútil quanto quem o propaga

Por Celso Brasil

A hidroxicloroquina mostrou-se totalmente ineficaz no tratamento contra os infectados pelo Covid-19.
A Anvisa proibiu a venda da cloroquina e ivermectina sem receita médica, após os resultados dos estudos e constatar o risco dos efeitos que esses medicamentos causam.

Nos pacientes com sintomas leves e moderados, não apresentou qualquer melhoria clínica. A pesquisa foi feita por vários hospitais, liderados pelo Albert Einstein, HCor, Sírio Libanês, Moinho de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficiência Portuguesa, pelo Brazilian Clinical Reserarch Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Em 55 hospitais brasileiros, o estudo foi feito com 665 pessoas.

Por sorteio, os pacientes foram divididos em três grupos:

  • 217 pacientes medicados com hidroxicloroquina e azitromicina.
  • 221 pacientes medicados somente com hidroxicloroquina.
  • 227 pacientes foram receberam apenas suporte clínico, sem qualquer droga.

O resultado dos três grupos foram semelhantes, sendo que, 15 dias após, 69% do primeiro grupo, 64% do segundo e 68% do terceiro, já estavam sem qualquer limitações respiratórias e em casa. O número de óbitos também foi muito semelhante – 3%, de acordo com os pesquisadores.

O New England Journal of Medicine publicou os resultados.

A pesquisa destaca dois pontos nos efeitos adversos.

Nos dois grupos tratados com hidroxicloroquina, foram mais frequentes as alterações nos exames de eletrocardiograma, com aumento do intervalo de QT, o que representa maior risco de arritmias. Nestes dois grupos também foi notado maior número de lesões hepáticas.

O estudo teve a colaboração da EMS no fornecimento dos medicamentos, aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Portanto, a hidroxicloroquina não apresenta qualquer benefício no tratamento da Covid-19 e, ainda, mostra riscos à saúde, contrário ao que prega o presidente Bolsonaro que não tem nenhum conhecimento na área da saúde.

Centenas de cientistas participaram de inúmeras pesquisas e, todos, são unânimes no não aconselhamento ou indicação do remédio que se tornou plataforma política e causou tanta polêmica desnecessária, enquanto as atenções deveriam estar voltadas para soluções.

O Brasil continua assombrando o mundo, com a evolução da pandemia que ainda está fora de controle, com aumento do coeficiente de infectados que estava em 1×1 e agora se mostra 1×2 em crescimento, num processo de relaxamento do distanciamento social, abertura do comércio e volta às aulas programada para agosto.

Especialistas informam que, sem a manutenção do isolamento social, estaremos enfrentando o problema por mais dois anos, o que travará, ainda mais a economia, no país que mantém sua moeda como a mais desvalorizada do planeta, sem perspectivas de correções e retomada da economia, contrário aos países da América Latina, vizinhos, que tomaram medidas sérias de controle da pandemia.

A irresponsabilidade do chefe do governo está causando o afastamento de investidores, somado a repercussão negativa das queimadas, abandono da educação e sem Ministro da Saúde.

Redação: Celso Brasil
Fonte: Folha/UOL, Estadão e instituições privadas ligadas à saúde

BID: teste em larga escala é fundamental para retomada de atividades

Alerta é feito no documento do confinamento à reabertura

Com o objetivo de orientar a retomada das atividades nos países da América Latina após o término da etapa de confinamento, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgou hoje (24) no Brasil um documento que lista medidas tomadas para evitar novas ondas de covid-19 por países que já superaram o pico de contágio. O uso de testes em grande escala é considerado ponto fundamental para o controle da pandemia e a identificação rápida de possíveis novas ondas.

A publicação Do confinamento à reabertura: considerações estratégicas para a retomada das atividades na América Latina e no Caribe no Contexto da COVID-19 demonstra que a transição com segurança para a próxima etapa exige uma série de condições. Apesar de cada país implementar diferentes estratégias na flexibilização do isolamento, existem pontos em comum entre aqueles que já avançaram na reabertura da economia, observados, por exemplo, na Ásia e na Europa.

Entre as condições observadas nos países desenvolvidos que iniciaram a reabertura, estão a redução sustentada, durante dias seguidos, de casos confirmados de covid-19; leitos de UTI disponíveis; máscaras, higienizadores, respiradores e outros recursos em quantidade suficiente; e capacidade de testes em massa.

Além dos testes em larga escala, o BID destacou o monitoramento de contatos como medida de sucesso no combate à disseminação da doença. Em caso de contágios, considera-se importante dispor de uma base de dados que localize, avise e isole quem esteve no mesmo ambiente da pessoa doente. A Coreia do Sul, país citado na publicação, cruzou essas informações por meio de aplicativos no celular.

“O contexto é inédito, mas algumas experiências já estão postas. Enquanto as autoridades lutam para enfrentar a pandemia, é preciso que alguém esteja olhando para o que vem dando certo e o que pode ser melhorado, e temos orgulho de desempenhar esse papel”, disse Morgan Doyle, representante do BID no Brasil.

Segundo a instituição, a reabertura exige controle minucioso dos dados epidemiológicos e agilidade para voltar a restringir a circulação em determinadas áreas ou setores econômicos, se necessário. Com a reabertura de algumas atividades, a recomendação é para que haja reforço nas medidas de higiene, proteção e espaçamento entre as pessoas.

A restrição de viagens e quarentenas para viajantes integra a lista de orientações. De acordo com o BID, Singapura viu uma segunda onda de contágios devido à chegada de trabalhadores do exterior, o que demonstrou a importância de restringir deslocamentos não só internacionais, mas entre regiões com diferentes estágios epidemiológicos, ou ainda a necessidade de impor isolamento para aqueles que chegam de viagem.

Economia

Segundo o documento, os confinamentos estão afetando drasticamente a renda dos trabalhadores. Pesquisa do BID, realizada em 17 países da região, mostrou que muitos latino-americanos perderam emprego ou outros meios de subsistência, sendo que a situação mais grave foi observada nas famílias mais vulneráveis.

Entre aqueles que antes da crise tinham renda abaixo do salário mínimo, 59% disseram que algum integrante da família perdeu o emprego durante a pandemia e 43% daqueles que tinham um negócio relataram que tiveram de fechar. Aqueles que recebiam renda de mais de seis salários mínimos tiveram perda de emprego em 15% das famílias e fechamento de empresas em 21%.

O BID avalia que esticar a quarentena tem custos econômicos de impacto, mas que reabrir sem meios para enfrentar a doença pode custar vidas. Apesar de ter menos idosos – um dos grupos de risco da doença -, a região latino-americana tem maior prevalência de doenças crônicas, como diabetes, que também são agravantes para quadros de covid-19.

Conforme a publicação, no Brasil mais de 10% da população têm diabetes, número próximo à média da América Latina e Caribe, contra 6%, em média. da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo de países desenvolvidos.

Além disso, a região tem menos testes diagnósticos do que os países desenvolvidos e há mais gente morando em cada casa, ou seja, uma pessoa que sai para trabalhar pode contaminar mais gente no seu retorno. Segundo apontou o BID, são 3,4 pessoas por domicílio no Brasil, abaixo da média de 4,1 na América Latina, mas acima dos 2,5 observados na OCDE.

Capacidade hospitalar

O levantamento alerta para o fato de que os países latino-americanos têm menor capacidade hospitalar – incluindo leitos de terapia intensiva (UTI) e respiradores -, o que aumenta o risco de colapso do sistema de saúde caso haja aumento na proporção de doentes graves. Em média, na América Latina e no Caribe há somente dois leitos para cada mil habitantes, inferior à média dos países da OCDE, que têm cerca de cinco leitos por mil habitantes.

Para relaxar as medidas de confinamento, a solução passa por expandir a capacidade hospitalar e de UTIs e controlar o número de casos da doença. Segundo análise do BID, quando há saturação do sistema de saúde, a mortalidade entre os doentes graves por covid-19 aumenta rapidamente pela insuficiência de recursos. Isso limita ainda a capacidade de tratar de forma adequada as pessoas afetadas por outras doenças, o que pode resultar em mortes adicionais por causas que poderiam ser prevenidas.

“Na realidade, a justificativa para as medidas de confinamento está relacionada não tanto com a redução do número de casos (que pode ser muito difícil), mas com sua distribuição ao longo do tempo, para evitar o colapso da capacidade do sistema hospitalar de atender adequadamente os infectados graves”, diz o documento do BID.

Da Redação OEB
Fonte: Agência Brasil
Edição: Graça Adjuto

Financiamento de imóveis aumenta 29% no primeiro semestre

Valor é voltado ao financiamento da aquisição e construção de imóveis

O volume liberado para financiamento imobiliário com recursos da poupança no Brasil aumentou 29% no primeiro semestre deste ano em comparação ao primeiro semestre de 2019, alcançando R$ 43,4 bilhões. O valor é voltado ao financiamento da aquisição e construção de imóveis. Os dados foram divulgados hoje (23) pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

As unidades da federação que tiveram as maiores variações comparando os primeiros semestre de 2019 e 2020 foram Tocantins, com um aumento de 117%; Acre, com 101%; e, Distrito Federal, com 97%. Já aqueles que tiveram as menores variações foram o Rio de Janeiro, com queda de 1%; Pará, com aumento de 2%; e Ceará, com aumento de 6%.

“Com a pandemia, com toda essa situação que estamos vivendo, ainda temos um crescimento”, diz a presidente da Abecip, Cristiane Portella. “Esse primeiro semestre é um primeiro semestre que foi maior que o primeiro semestre do ano passado em todas as regiões do país, com a exceção do Rio”. 

Cristiane enfatiza, no entanto, que o primeiro semestre de 2019 foi menos aquecido que o segundo semestre do ano passado. A comparação deste ano é, portanto, feita com o período de menos aquecimento do financiamento imobiliário do ano passado. No segundo semestre de 2019, o valor financiado chegou a R$ 45 bilhões, totalizando R$ 78,7 bilhões no ano.

A variação no volume financiado observada na comparação do primeiro semestre de 2019 e de 2020 foi puxada principalmente pelo valor usado para financiar aquisições de imóveis, que totalizou, no país, R$ 34,1 bilhões, um aumento de 34% em relação aos R$ 25,5 bilhões usados para esse fim no mesmo período do ano passado. O financiamento da aquisição de imóveis usados apresentou um aumento de 56% na comparação entre os semestres, enquanto o de imóveis novos aumentou 2%.   

Já o financiamento usado para a construção de imóveis nesse período teve um aumento de 12%, passando de R$ 8,2 bilhões no ano passado para R$ 9,2 bilhões este ano. 

A expectativa da Abecip é que, neste ano, os financiamentos cresçam 12% em relação ao ano passado. Essa expectativa, do mês de julho, aumentou em relação a calculada em junho, quando esperava-se um crescimento de 7% no ano. 

Projeções 

 “O que a gente percebeu é as pessoas estão sim comprando imóveis, seja pelo déficit habitacional, seja pela conjunção dos valores atrativos dos imóveis, em termos de valorização, mais a taxa de juros, seja pela questão que muitos já haviam se planejado, já haviam juntado o valor da entrada e não viram o seu fluxo financeiro tão seriamente afetado que fizesse desistir disso. O que a gente percebeu em maio e junho é que o mercado continuou vindo”, diz, Cristiane. 

A presidente pondera, no entanto, que antes da pandemia, no começo deste ano, a projeção de crescimento para 2020 era 32%. Nos anos anteriores, entre 2018 e 2019, houve um aumento de 37,1% considerados os financiamentos para construção e aquisição com recursos da poupança. Uma nova projeção deverá ser divulgada em um mês pela Abecip.

Da Redação OEB
Edição: Liliane Farias
Fonte: Agência Brasil

Diretor da OCDE: “Pandemia evidencia que Brasil gasta pouco e mal em saúde pública”

Fazer investimentos na saúde pública brasileira é algo urgente, afirma Frederico Guanais, diretor-adjunto da divisão de saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, a pandemia de covid-19 “deixou claro que despesas na área de saúde são investimentos.”

O Brasil gasta em saúde 9,2% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas), pouco acima da média dos 37 países-membros da OCDE, a maioria ricos, que é de 8,8% do PIB. Mas no caso do Brasil boa parte dessas despesas são privadas. A fatia dos recursos públicos investidos nessa área representa apenas 4% do PIB, enquanto na média da organização ela é de 6,6% do PIB.

“O financiamento do sistema público de saúde do Brasil é muito inferior ao dos países da OCDE”, afirma o diretor ítalo-brasileiro, especialista em saúde pública que já atuou no Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Ele afirma que a pandemia relança a discussão sobre a necessidade de ampliar a verba do sistema público de saúde no Brasil. Além disso, é preciso “gastar melhor os recursos e se assegurar que eles sejam mais bem utilizados”, acrescenta.

“Há bons investimentos e maus investimentos na saúde”, destaca. Ele cita alguns exemplos no caso do Brasil, como o elevado índice de cesarianas, muito acima da média da OCDE, prescrições de antibióticos desnecessárias em muitos casos, procedimentos cirúrgicos que não garantem taxa de retorno, hospitalizações que poderiam ser evitadas com melhor atendimento primário de saúde ou ainda o uso de remédios de marca em vez de genéricos.

O financiamento da saúde também é necessário para a manutenção da infraestrutura de hospitais e laboratórios, aponta Guanais. Já surgiram temores no Brasil sobre a possibilidade de falta de verbas nos municípios e Estados para manter, após a crise sanitária, os novos equipamentos adquiridos durante a pandemia, como respiradores, monitores e tomógrafos, que reforçaram as capacidades de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Desafios do SUS

Para o especialista, a pandemia de covid-19 expõe ainda a importância de retomar discussões pendentes do que pode ser feito para melhorar o SUS.

Um dos temas, afirma Guanais, é o sistema de informações integradas do SUS, que pode ter uma melhor utilização dos dados (como hospitalizações, uso de medicamentos e óbitos) para detectar precocemente epidemias e rastrear sua propagação e ainda analisar a qualidade do atendimento dado aos pacientes.

“Essa é uma agenda importantíssima de política pública de saúde no Brasil”, ressalta.

Os mecanismos de governança do SUS também precisam ser rediscutidos, diz ele, já que “há vários problemas na articulação federativa” do sistema com os demais níveis da área de saúde, com impacto direto sobre a sua gestão.

“Hoje em dia há uma duplicação de funções. Há Estados e municípios construindo hospitais e deixando um vazio na atenção primária ou um Estado que espera que o município faça algo ou vice-versa. É preciso melhorar essa articulação.”

Guanais afirma ainda que no Brasil existem subsídios públicos à saúde privada, com deduções dos gastos no Imposto de Renda. O governo estuda encerrar ou limitar esses abatimentos na proposta de reforma tributária que está sendo elaborada.

Na pandemia de covid-19, muitas pessoas no Brasil recorrem ao setor privado para fazer testes de diagnóstico do novo coronavírus. Na avaliação do diretor-adjunto, a testagem maciça da população é uma função básica do sistema público e deve ser realizada por ele.

No atual contexto de reabertura da economia em vários países, incluindo o Brasil, a OCDE recomenda a realização de testes como estratégia para evitar uma segunda onda de contágio, que poderia acarretar novos confinamentos. Para a organização, é fundamental testar, rastrear as pessoas infectadas e localizar seus contatos.

No Brasil, diz o especialista, os agentes comunitários de saúde poderiam auxiliar no rastreamento dos contatos das pessoas contaminadas. “O país poderia usar mais as ferramentas que têm.”

O Brasil é o segundo país em número de casos de covid-19, mas é um dos que menos faz testes entre os mais afetados. O governo brasileiro alega a falta de insumos, como reagentes, devido à forte demanda mundial, para ampliar a testagem. De acordo com a OCDE, uma segunda onda de contágio do novo coronavírus pode ser evitada ou mitigada — mesmo sem vacina ou tratamento ainda disponíveis — com programas de testes e rastreamento de infectados, medidas de higiene e uso de máscaras, distanciamento social, além do teletrabalho, quando possível e a não realização de grandes eventos.

Apesar da recomendação da OCDE e também da Organização Mundial de Saúde e de especialistas na área sobre a necessidade do uso de máscaras para conter a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do equipamento de proteção em comércios, indústrias, locais religiosos, prisões, estabelecimentos de ensino e outros locais fechados.

Visões diferentes

Essa não é a única diferença de visão entre a OCDE, que o Brasil pretende integrar (o pedido de ingresso na organização foi feito em 2017), e o governo federal brasileiro em relação à pandemia. Na análise da OCDE, o confinamento aplicado por inúmeros países conseguiu conter o número de mortes. Guanais afirma que os impactos econômicos de não aplicar o isolamento social são mais elevados do que quando eles são implementados.

Em seu último estudo com previsões para a economia mundial, publicado em junho, a OCDE estima que o PIB brasileiro cairá 7,4% neste ano. Mas se houver uma segunda onda de covid-19 no país após a reabertura da economia, a queda do PIB é estimada em 9,1%. Para Guanais, as recentes ocorrências de novos surtos em países onde a pandemia parece estar sob controle mostram que uma segunda onda de contágio é possível.

“É necessário manter a vigilância e o foco na continuidade das medidas de prevenção até que uma vacina seja desenvolvida e aplicada em grande parte da população ou que a imunidade de rebanho seja alcançada”, afirma. Mas essa segunda opção implicaria número ainda mais elevado de mortes.

Segundo o diretor-adjunto de saúde, é comum o relaxamento de parte da população em relação as medidas de prevenção, que ocorre em vários países que reabriram suas economias, como a França.

“A mudança de comportamentos que afetam a saúde é inerentemente difícil e vemos claramente isso em outros exemplos relacionados à saúde pública, como uso de cintos de segurança, capacetes para motos e bicicletas ou assentos de carro para crianças.”.

Os mecanismos mais eficazes para assegurar a mudança de comportamento dependem da cultura e dos hábitos locais, diz ele. “Em alguns países recomendações podem ser suficientes. Em outros, mecanismos mais estritos talvez sejam necessários”, afirma, acrescentando que em todo o mundo a segurança da “nova normalidade” requer algum tipo de mudança de comportamento. Para Guanais, a pandemia reforça também a necessidade de investimentos na ciência e na colaboração entre centros de pesquisa e o livre intercâmbio de dados.

“Na atual crise, a descoberta científica evoluiu muito mais rapidamente do que antes.” A rapidez para identificar o genoma completo da covid-19 e sua publicação em acesso livre contribuíram para acelerar o desenvolvimento das vacinas atualmente, afirma.

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC News Brasil

EUA dão à China 72 horas para fechar consulado de Houston

Acusações são de espionagem

Os Estados Unidos deram à China 72 horas para fechar seu consulado em Houston em meio a acusações de espionagem, o que marca uma dramática deterioração nas relações entre as duas maiores economias do mundo.

O Departamento de Estado dos EUA disse nesta quarta-feira (22) que a missão chinesa em Houston estava sendo fechada “para proteger a propriedade intelectual americana e as informações privadas americanas”.

O Ministério das Relações Exteriores da China informou que Washington emitiu a demanda abruptamente na terça-feira (21) e a chamou de “escalada sem precedentes”. O ministério ameaçou retaliação não especificada.

A Embaixada da China em Washington recebeu “ameaças de bomba e morte” por causa de “calúnias e ódio” espalhados pelo governo dos EUA, escreveu a porta-voz Hua Chunying em um tuíte.

“Os EUA deveriam revogar sua decisão errônea”, disse ela. “A China certamente reagirá com contramedidas firmes.”

O governista Partido Comunista em Pequim estava cogitando fechar o consulado dos EUA na cidade central de Wuhan em retaliação, de acordo com uma fonte com conhecimento do assunto.

Especialistas em China baseados nos EUA disseram que Pequim também pode optar por atingir consulados mais importantes em Hong Kong, Xangai ou Guangzhou, algo que pode prejudicar as empresas norte-americanas.

A decisão sobre Houston ocorre antes das eleições presidenciais de novembro nos EUA, nas quais o presidente Donald Trump e seu rival democrata Joe Biden tentam parecer duros com a China.

Em uma visita à Dinamarca, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, repetiu acusações sobre roubo chinês de propriedade intelectual dos EUA e da Europa, que, segundo ele, está custando “centenas de milhares de empregos”.

Embora não tenha dado detalhes específicos sobre o consulado de Houston, Pompeo se referiu a uma acusação na terça-feira do Departamento de Justiça dos EUA contra dois cidadãos chineses sobre suposta campanha de espionagem cibernética de uma década que visava contratados da Defesa, pesquisadores da Covid-19 e centenas de outras vítimas em todo o mundo.

Pompeo também se referiu a discursos recentes do chefe do FBI e de outros que destacaram as atividades de espionagem chinesas.

“O presidente Trump disse: ‘Basta. Não vamos permitir que isso continue acontecendo'”, afirmou Pompeo a repórteres. “Essas são as ações que vocês veem sendo tomadas pelo presidente Trump e continuaremos envolvidos nisso.”

Um diplomata chinês, falando à Reuters sob condição de anonimato, negou as acusações de espionagem e disse que a missão de Houston agia como outros consulados chineses nos Estados Unidos – emitindo vistos e promovendo visitas e negócios.

Da redação OEB
Fonte: Reuters – Agência Brasil

“O reacionarismo bolsonarista criminalizará a direita”

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