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Cai o presidente da Funai depois de repudiar infanticídio na Paralimpíadas

Artur Nobre Mendes – exonerado pelo presidente Michel Temer

“O Brasil não suporta mais tantas crianças indígenas morrendo em nome da cultura. Os organizadores da paralimpíadas tiveram a coragem de romper o silêncio e mostrar ao mundo que os índios brasileiros amam seus filhos e querem todos eles vivos.
Minha menina Iganani Suruwaha levou a tocha e disse ao Brasil e ao mundo: Eu existo,  eu estou aqui, eu sou feliz! “
Dra. Damares Alves – Defensora e ativista da causa indígena

funai-1A Fundação Nacional do Índio (Funai) criticou, no dia 16 de setembro, a organização da Paraolimpíada dos Jogos do Rio por “ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil” em uma nota divulgada no começo deste mês divulgada pole Globo.com.

No texto divulgado no último dia 1º, que trazia informações sobre o revezamento da tocha, a organização dos Jogos deu detalhes da história de uma índia que participou do evento. Na explicação, ela disse que infanticídio, homicídio, abuso sexual, estupro, escravidão, tortura, abandono e violência doméstica são “práticas tradicionais nocivas em comunidades indígenas”.

“A indiazinha nasceu na Amazônia, na tribo Suruwahá, com paralisia cerebral. Sua mãe, Muwaji Suruwahá, precisou fugir da aldeia para evitar o infanticídio indígena. A criança, por não andar, estava condenada à morte por envenenamento em sua própria comunidade”, escreveu a organização da Paraolimpíada.

De acordo com a Funai, a alegação dessa suposta prática serve como tentativa de criminalização e demonstração de preconceito contra os povos indígenas, além de uma tentativa de justificativa para penalizar servidores públicos que atuam em áreas indígenas.

A Nota da Funai que gerou a demissão

“A Funai repudia que um evento que tem entre seus objetivos dar visibilidade às pessoas com deficiências, promovendo, justamente, o respeito à diversidade e ao próximo e combatendo o preconceito e a discriminação, utilize concepções baseadas em ideias preconceituosas e discriminatórias para se referir aos povos indígenas do Brasil”, disse a fundação.

A demissão do presidente da Funai

A índia Iganani Suruwaka participou do revezamento da tocha

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, exonerou nesta terça-feira (20), o atual presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Artur Nobre Mendes. Em seu lugar, Moraes colocou seu assessor especial no Ministério da Justiça, Agostinho do Nascimento Netto.

A demissão de Artur Nobre Mendes foi publicada hoje no Diário Oficial da União, com data de segunda-feira (19). A exoneração ocorre quatro dias depois da publicação de uma carta de repúdio divulgada pela Funai, por causa de uma menção feita aos povos indígenas durante o carregamento da tocha olímpica dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Questionado sobre as razões de trocar a presidência da Funai, o Ministério da Justiça negou que o desligamento esteja relacionado com a carta divulgada pela fundação na sexta-feira. “O Ministério da Justiça e Cidadania informa que a nomeação se trata de uma ação administrativa já prevista e representa mais uma das etapas no processo de dinamização das ações administrativas da Funai”, declarou, por meio de nota.

Na apresentação da índia Iganani Suruwaha, a garota que carregou a tocha, a organização dos Jogos afirmou que “a indiazinha nasceu na Amazônia, na tribo Suruwahá, com paralisia cerebral” e que “sua mãe, Muwaji Suruwahá, precisou fugir da aldeia para evitar o infanticídio indígena”.

O texto mencionou que “a criança, por não andar, estava condenada à morte por envenenamento em sua própria comunidade” e que “a prática cultural que não é considerada crime pelas leis brasileiras”. “Hoje, Iganani tem 13 anos e em agosto de 2015 a Câmara dos Deputados aprovou a “Lei Muwaji”, que visa combater práticas tradicionais nocivas em comunidades indígenas – como infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica – e garantir a proteção de direitos básicos dos indígenas”.

Na sexta-feira, a Funai lamentou que “a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, por meio de comunicado oficial divulgado no site do evento, promova ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se a crimes como “práticas tradicionais” indígenas.

“A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida”, declarou a fundação.

Na nota, a Funai destacou que o Projeto de Lei nº 1057/2007, conhecido como “Lei Muwaji”, aprovado pelo Plenário da Câmara, em agosto de 2015, desconsidera a falta de dados concretos sobre a suposta prática de infanticídio, “uma vez que não existem dados coletados com rigor e em número suficiente para afirmar que essa seja uma ação frequente e costumeira por parte de povos indígenas, como se tem alardeado”.

“A alegação dessa suposta prática serve, muitas vezes, como tentativa de criminalização e demonstração de preconceito contra os povos indígenas, e também como justificativa para penalizar servidores públicos que atuam em áreas indígenas”, declarou a fundação, que é vinculada ao Ministério da Justiça.

A instituição declarou ainda repudiar “que um evento que tem entre seus objetivos dar visibilidade às pessoas com deficiências, promovendo, justamente, o respeito à diversidade e ao próximo e combatendo o preconceito e a discriminação, utilize concepções baseadas em ideias preconceituosas e discriminatórias para se referir aos povos indígenas do Brasil”.

Agostinho do Nascimento Netto, nomeado agora para a presidência da Funai, estava há apenas três meses no cargo de assessor especial no Ministério da Justiça. Artur Nobre Mendes estava na fundação desde setembro de 2014 e passou a presidir o órgão em junho, quando assumiu o cargo em substituição a João Pedro Gonçalves da Costa – exonerado pelo presidente Michel Temer.

da Redação OEB
com Estadão conteúdo

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