fevereiro de 2016 archive

fev 26

Há provas de cinco crimes envolvendo Lula

Sub-relator da CPI do BNDES pede indiciamento de Lula.
Em relatório separado, deputado sugere também o indiciamento de José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, e Luciano Coutinho, comandante do BNDES.
Enfim, como explicar o inexplicável?

Na reta final da CPI do BNDES, o sub-relator deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO) sugeriu em seu relatório final o indiciamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com documento, protocolado nesta quarta-feira, o parlamentar afirma que há prova de ocorrência de cinco crimes envolvendo Lula. São eles: tráfico de influência, tráfico de influência em transação comercial internacional e lavagem de dinheiro, no período em que deixou o governo, ou seja, de 2011 em diante; além de advocacia administrativa e corrupção passiva, supostamente praticados no exercício do cargo de presidente, ou seja, entre 2003 e 2010. “Diante da existência de indícios suficientes de autoria, sugerimos o indiciamento de Luiz Inácio Lula da Silva”, escreve Baldy.

O sub-relator da CPI do BNDES também registra que “a rejeição do requerimento de convocação do ex-presidente Lula por parlamentares na base do governo teve o condão de impedir que o ex-mandatário se manifestasse a respeito das suspeitas que pesam contra ele”. O parlamentar encaminhará as conclusões do seu trabalho na comissão às autoridades brasileiras para que aprofundem as investigações.

Baldy protocolará esse relatório divergente após o relator José Rocha (PR-PA) contrariar a oposição e, nesta terça-feira (23), ler seu relatório sem nenhum pedido de indiciamento.

Além de Lula, Baldy também sugere o indiciamento por corrupção ativa e lavagem de dinheiro de José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente e preso na Operação Lava Jato, apresentando uma farta documentação coletada ao longo dos trabalhos da comissão. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também é acusado pelo parlamentar de ter cometido os crimes de gestão fraudulenta e prevaricação.

ÉPOCA revelou em sua última edição que o Ministério Público Federal constatou que Lula fez tráfico de influência em favor da Odebrecht. Em inquérito sigiloso, cujo alvo é o ex-presidente, investigadores apontaram que Lula fez parte de um “modus operandi criminoso” e que foi remunerado com contrato fajuto. Segundo o despacho do MPF, a L.I.L.S, empresa de palestras de Lula, “emitiu nota fiscal contendo recolhimento dos tributos devidos sob a operação a fim de dar aparência de legalidade à remuneração paga pelo tráfico de influência exercido por Lula em favor da Odebrecht na Venezuela”.

Em resposta à reportagem, a defesa do Instituto Lula divulgou uma nota dizendo que o ex-presidente “vai representar junto ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denunciando os reiterados abusos e ilegalidades que têm sido cometidos contra Lula no âmbito da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF)”.

O MPF rebateu as acusações e disse que  “investiga fatos, não pessoas” e, por isso,“não adota tratamento diferenciado em razão do nome dos envolvidos em cada procedimento”. “Em relação à alegação da defesa do sr. Luis Inácio Lula da Silva de falta de acesso aos autos, a PR/DF esclarece que o pedido formalizado em dezembro de 2015 foi negado em razão da existência de diligências pendentes naquele momento. Todavia, após a conclusão de parte das diligências, o acesso às informações foi autorizado e os dados concedidos, conforme prevê a Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal e o Estatuto da OAB”.


Baldy: há prova de ocorrência de cinco crimes envolvendo Lula

fev 26

Marcelo Odebrecht quer falar

Não tendo mais nada a perder e com muito mais provas surgindo, na certeza de uma pena com prazo longo, Marcelo Odebrecht quer falar e João Santana será um tema. Muito terá a dizer sobre a campanha de Dilma.
Essa delação certamente complicará ainda mais a situação de Lula que já está até o pescoço de evidências que, fatalmente, o levará para a cadeia por um longo período.

Otávio Marques de Azevedo e Marcelo Odebrecht no IML para realização de exame de corpo de delito, em Curitiba, Paraná, no sábado (20) (Foto: Geraldo Bubniak / Parceiro / Agência O Globo)

Em depoimento, Marcelo Odebrecht diz que quer falar sobre Operação Acarajé
Empreiteiro pediu para ser ouvido na semana que vem e indicou que falará sobre o publicitário João Santana, responsável pela campanha de Dilma Rousseff.

O empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso na Lava Jato desde a metade do ano passado, disse em depoimento prestado à Polícia Federal ontem, às 11h40, que deseja colaborar com as investigações envolvendo o marqueteiro João Santana, que trabalhou para a campanha da presidente Dilma Rousseff e foi detido ontem na Operação Acarajé.

“O declarante não deseja ficar em silêncio, mas não está preparado para responder neste momento em face de estar atuando em sua defesa, a qual se encontra na fase de alegações finais a vencer próxima segunda-feira, dia 29 de fevereiro. Que deseja colaborar e prestar novas declarações a partir da semana que vem”, afirmou Marcelo em depoimento.

A PF fez, ao todo, 17 perguntas para o controlador da Odebrecht — que preferiu ficar em silêncio neste momento. Os investigadores queriam saber se o empreiteiro sabia a quem se refere o termo “Feira”, cuja suspeita é que seja João Santana, e qual o significado da anotação “Prédio (IL)”, apontada como uma possível referência ao Instituto Lula.

Pessoas que tiveram contato com Marcelo ontem disseram que ele está “irritadíssimo”, porque não teve acesso aos inquéritos que balizaram a Operação Acarajé. Além disso, o empresário ficou contrariado porque agora terá de dividir o seu tempo entre se defender na nova etapa da Lava Jato e terminar até a próxima segunda-feira as suas alegações finais na ação penal em que é acusado de ter participado de um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobras.

A defesa do empreiteiro solicitou ao juiz federal Sergio Moro, responsável por conduzir os processos da Lava Jato na primeira instância em Curitiba, que Marcelo retorne ao Complexo Médico Penal em Pinhais, no Paraná, onde estava detido antes de ser transferido ontem para a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Além disso, os advogados solicitam que o prazo para a apresentação das alegações finais seja prorrogado de acordo com os dias em que o empresário esteve na PF.

Confira a seguir a íntegra do depoimento de Marcelo Odebrecht:

O jornalista e marqueteiro João Santana, preso durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, chega ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exame de corpo de delito, em Curitiba, na tarde desta terça-feira (23) (Foto: Ernani Ogata/Codigo19 / Ag. O Globo)

O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica, voltaram ao Brasil e se entregaram para a Polícia Federal nesta terça-feira (23). A prisão ocorre após a PF deflagrar a Operação Acarajé, uma das fases da Lava Jato. Santana é acusado de receber ao menos US$ 7,5 milhões ilícitos, depositados pela empreiteira Odebrecht e pelo operador Zwi Skornicki, ligado ao pagamento de propina proveniente do petrolão.

Entenda a Operação ACARAJÉ – vídeo

com Revista Época

fev 25

Grupo Gerdau é novo alvo da Lava Jato

A operação Lava Jato se estende cada vez mais e o grupo Gerdau não escapou.
Cada vez mais sólida e abrangente, a nova fase trouxe muitas novidades e sempre com peixes grandes em suas novas listas, surpreendendo a todos que acompanham atentamente a maior operação anticorrupção de toda história.

A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Zelotes na manhã desta quinta-feira (25). O alvo da vez é o grupo Gerdau.

Estão sendo cumpridos 22 mandados de condução coercitiva –quando a pessoa é liberada no mesmo dia após prestar depoimento– e 18 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, em São Paulo, Pernambuco e no Distrito Federal.

Em São Paulo, há 14 diligências: sete conduções coercitivas e sete mandados de busca e apreensão.

Um dos mandados de condução coercitiva é para André Gerdau, presidente do grupo Gerdau, que será ouvido na PF de São Paulo. O empresário, medalhista olímpico, levou bronze por equipes nos Jogos de Atlanta-1996 e Sydney-2000 e ouro no Pan de Winnipeg-1999. Na edição da Austrália, ele ficou em 4º lugar na disputa individual.

Segundo a PF, o mandado de André Gerdau não foi cumprido e, ainda de acordo com a PF, a família do empresário informou que ele se apresentará voluntariamente nesta quinta.

Já estão sendo conduzidas para prestarem depoimentos na sede da Polícia Federal em Brasília as advogadas Evanice Canário e Adriana Ribeiro. Elas são sócias do lobista José Ricardo da Silva, que está preso.

A Zelotes, cuja primeira fase foi deflagrada em março do ano passado, investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no país.

Suspeita-se que quadrilhas atuavam junto ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, revertendo ou anulando multas. A operação também foca lobbies envolvendo grandes empresas do país.

A PF constatou que, mesmo após a deflagração da operação, o Grupo Gerdau continuou praticando os crimes de advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Os investigadores estimam que o grupo empresarial, com atividade em 14 países, tenha tentado sonegar R$ 1,5 bilhão, pagando propina a integrantes do Carf.

O esquema se dava pela contratação de escritórios de advocacia e de consultoria, responsáveis por intermediar a negociação do suborno aos conselheiros.

Além das ilegalidades constatadas nas ligações entre empresários e o colegiado vinculado ao Ministério da Fazenda, a Zelotes investiga suspeitas de pagamento de propina para a compra de medidas provisórias que interessavam à indústria automotiva.

Um a ação penal relacionada a esses crimes já está em curso na Justiça Federal em Brasília. Por determinação judicial, dois suspeitos, que estão presos por participação no esquema, serão interrogados na Penitenciária da Papuda, na capital federal.

CPI

O esquema fez com que uma CPI fosse instalada no Senado. Encerrada em dezembro, a CPI recomendou o indiciamento de 28 pessoas, entre ex-conselheiros e lobistas, o relatório final excluiu políticos e não avançou em relação ao trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público.

Em fevereiro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criou, na Câmara, uma CPI para investigar fraudes no Carf.

Em uma das fases da operação, a Polícia Federal realizou um mandado de busca e apreensão na empresa LFT Marketing Esportivo, que pertence a Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

OUTRO LADO

Em nota, o grupo Gerdau diz que “está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal” e que, “com base em seus preceitos éticos, a Gerdau não concedeu qualquer autorização para que seu nome fosse utilizado em pretensas negociações ilegais, repelindo veementemente qualquer atitude que possa ter ocorrido com esse fim”.

O grupo reitera “que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos e reafirma que está, como sempre esteve, à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos que vierem a ser solicitados”.

fev 25

Recado dos Delegados Federais a Cardozo sobre voz de prisão

O aparelhamento sofre um grande enfraquecimento como resultado da pressão e trabalho dos Delegados Federais que, imunes ao  receio, mandam o recado diretamente aos supostos envolvidos que, em breve tempo, terão seus nomes divulgados na lista podre da corrupção.

Cardozo, que tem se mexido tanto para tentar evitar seu envolvimento e de seus chefes, encontra-se num beco sem saída. Mas poderá ter uma entrada – Curitiba!

A tensão vivida nos últimos meses pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre o andamento da Operação Lava Jato e o cerco se fechando a integrantes do Governo Federal não se limita à pressão de Lula e da presidente Dilma para que tenha ingerência na Polícia Federal, sob o comando do Ministério da Justiça.

Zeladores da credibilidade da corporação, os delegados federais fizeram chegar ao ministro o seguinte recado: na primeira ligação que fizesse para interferir na operação, Cardozo ouviria voz de prisão por tentativa de obstrução de investigação.

Obviamente nunca passou pela cabeça do ministro essa tentativa, ele mesmo avisa aos holofotes e à equipe palaciana da presidente Dilma. Sustenta que a PF é independente, a despeito da subordinação ao MJ. Mas o recado foi dado.

com UOL blogosfera
Coluna Esplanada

fev 22

Ação em Brasília ganha noticiário nacional

Reportagem completa com todos os detalhes do evento que marcou a semana

Brasília sediou o clássico Fla x Flu mas, muito mais que isso, acabou por ganhar espaço nos noticiários, graças a programação dos grupos que, unidos, executaram um trabalho modelo em ativismo.
Kelly acabou por se tornar a estrela do evento, simplesmente por ter cumprido o que programou.

É a importância da mobilização para o dia 13 de março que falou mais alto, conscientes de que, sem a mobilização de toda Nação, o País corre o risco de continuar em seu caminho retrógrado. A mudança dos políticos e uma maior participação do povo tornou-se fundamental, para que possamos trazer uma nova Nação, livre da corrupção e com a população fiscalizando aqueles a quem confia seu voto.

fev 21

Como a Lava Jato consegue ser rápida nas investigações

Apesar do aparelhamento do Estado, não há como a Receita Federal recusar o pedido de investigação de dados e suas relações, sempre acompanhado pela Polícia Federal, completando as parcerias que resultam na rapidez e sigilo no andamento das operações.

Receita Federal trabalha de forma intensa e silenciosa na Lava Jato
Receita Federal abriu 484 investigações de pessoas e empresas.
Elas devem pagar mais de R$ 1,4 bilhão em tributos, multas e juros.

A Receita Federal está ajudando os investigadores a descobrir de onde partiu e para onde foi o dinheiro desviado na Petrobras. Com o que conseguiram até agora, vão cobrar mais de R$ 1 bilhão em multas e juros.

Muito antes dos carros da Polícia Federal ganharem as ruas, a Receita Federal já estava na Lava Jato, ao lado dos investigadores da polícia e do Ministério Público Federal, cruzando dados e fazendo análises. Era um mapa para achar o dinheiro desviado por meio de milhares de CPFs e CNPJs.

O trabalho mostrou como os operadores do esquema distribuíam o dinheiro da corrupção: de saques e entregas em espécie a pagamentos entre contas no exterior e o uso de consultorias falsas para receber propina. Faltava descobrir onde esse dinheiro estava escondido.

Para investigar o patrimônio dos suspeitos a Receita Federal desenvolveu um programa de computador que cria um gráfico da complexa teia de relacionamentos dos investigados na Lava Jato. Ele concentra em uma única base de dados todas as informações que os auditores fiscais precisam para selecionar os alvos suspeitos, mapear o caminho do dinheiro e identificar pessoas e empresas que foram usadas para esconder esses recursos desviados.

A Receita abriu 484 investigações de pessoas e empresas que devem pagar em tributos, multas e juros, mais de R$ 1,4 bilhão. Ainda é pouco porque a Lava Jato já identificou desvios da ordem de R$ 42 bilhões. Mas, esse valor deve subir bastante porque as primeiras investigações levaram à descoberta de fraudes em outros setores da economia além do petróleo, como energia, saneamento e transporte.

A Receita Federal também já fez 18 representações por crimes cometidos na área fiscal pelos investigados. Elas serão encaminhadas à força-tarefa da Lava Jato para completar as acusações contra essas pessoas. Mas o trabalho, apesar dos avanços, ainda está longe do fim.

Reportagem G1
Vladimir Netto Brasília

fev 21

Aedes transgênico foi espalhado no Brasil – O que deu errado?

Uma questão vem sendo levantada e longe da teoria da conspiração, o Aedes aegypti transgênico, foi autorizado pelo governo brasileiro e os primeiros testes comprovaram a diminuição populacional do terrível inseto.

Contudo, se a possibilidade levantada pela matéria exibida no vídeo abaixo for comprovada, a criação da espécie transgênica pode ser o motivo da potencialização do inseto e, até mesmo, sua nova função – a microcefalia – relação que ainda está sendo pesquisada.

Ninguém, por hora, pode confirmar nenhum dado ou fato, mas nota-se um grande silêncio sobre a investigação da relação do antibiótico citado e sua relação (negativa) com o fator transgênico.

Todo o trabalho executado no sentido de desenvolver e “fabricar” o novo “modelo” de mosquito pode ser a razão da epidemia que mobiliza os setores responsáveis?

Eis uma questão que somente com o tempo (e breve tempo) poderá ser respondida.

A Revista Época e tantos outros veículos já deram destaque ao assunto – o mosquito transgênico. Hoje todos estão em silêncio provocado ou não. O fato é que a população ainda cobrará muito uma resposta.

Segue, abaixo, reprodução da matéria publicada em 29-12-2015 pela Revista Época


“É impossível acabar com o Aedes aegypti”, diz criadora de mosquito transgênico

A pesquisadora Margareth Capurro, da USP, alerta: contra o Aedes, transmissor do zika e da dengue, é preciso usar várias armas de uma vez

MARCELA BUSCATO
29/12/2015 – 08h01 – Atualizado 29/12/2015 08h01

A bióloga Margareth Capurro, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o Brasil precisa agir em várias frentes ao mesmo tempo para conter o mosquito Aedes aegypti – com a ajuda da população dentro das residências, com armadilhas artesanais feitas de garrafas plásticas, com bombardeios de inseticida e engenharia genética. “Devem-se usar todas as armas imagináveis”, diz a cientista.

O mosquito transmissor da dengue e da febre chikungunya agora carrega o germe de problemas mais graves, o vírus zika (que pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré). Margareth foi indicada pelo governo brasileiro para participar de um projeto internacional sobre o mosquito e estuda há 18 anos formas de alterá-lo geneticamente. Essa estratégia segue um roteiro inusitado, que inclui liberar ainda mais insetos no ambiente. Se der certo, os exemplares modificados em laboratório, todos machos, competirão com os mosquitos selvagens para copular com as fêmeas, mas o cruzamento não resultará em larvas. Exterminar o Aedes aegypti, diz Margareth, é impossível. Ela ressalta que uma política mais agressiva para combatê-lo já deveria estar em prática, mas que o enfrentamento da dengue nunca esteve no topo das prioridades, na disputa pelo orçamento da Saúde. Agora, a epidemia de vírus zika pode impulsionar a adoção de medidas mais eficazes.

“O zika assustou. É uma doença mais grave”, afirma Margareth.
A bióloga Margareth Capurro, em seu laboratório na Universidade de São Paulo.

“O mosquito viaja até de carro” (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

ÉPOCA – O Brasil já conseguiu erradicar o Aedes aegypti. Por que não é possível conseguir esse feito novamente?
Margareth Capurro – É impossível. Quando isso aconteceu, nos anos 1950, o cenário era completamente diferente. Houve uma campanha muito forte para combater a febre amarela. Tínhamos um inseticida poderoso, o DDT, mas que causou desequilíbrio ecológico. Ele matou populações de outros insetos, pássaros, ratos e provocou intoxicação até em humanos. Hoje, é proibido no mundo todo, inclusive no Brasil. Nos anos 1950, além de ter o DDT, havia menos deslocamento humano. Por isso, a erradicação foi possível. As pessoas viajavam menos, o trânsito internacional era menos intenso. Hoje, a principal entrada do mosquito no Brasil é pelos portos. Ovos vêm nos contêineres, nos navios. Quando tentamos mapear de onde vem a população de Aedes aegypti em Santos, por exemplo, é uma confusão. Todo dia entra mosquito novo. Há também um transporte pequeno de avião e entrada via terrestre. O mosquito viaja até no carro.
ÉPOCA – Diante da gravidade da infecção pelo vírus zika, principalmente em grávidas, como controlar a população de mosquitos para reduzir a transmissão?
Margareth – O governo está consultando cientistas para ouvir sugestões. Devem-se usar todas as armas imagináveis. É preciso conscientizar a população e, ao mesmo tempo, eliminar os criadouros. Em lugares onde há epidemia, pode ser usado o fumacê, inseticida que elimina o inseto adulto. O grande problema é que conseguimos eliminar apenas os criadouros que vemos. Há muitos que não ficam à vista. Depois de uma chuva, o Aedes se desenvolve em qualquer lugar. Já peguei larva em papel de bala e levei para o laboratório. Ela se desenvolveu e virou uma fêmea de Aedes. Existem outras possibilidades, como liberar mosquitos modificados.
ÉPOCA – Como funciona essa estratégia?
Margareth – São machos modificados que copulam com a fêmea, mas não são capazes de gerar descendentes. Há o macho estéril por irradiação de raios X ou raios gama. Na USP, estamos desenvolvendo outro tipo de macho estéril. Ele tem um gene que faz com que não tenha espermatozoides. Nesses dois casos, a larva nem nasce. Há ainda um tipo que tem uma bactéria que torna a transmissão do vírus impossível. Essa é a estratégia que está sendo desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Há ainda outro mosquito transgênico, que tem um gene letal que faz com que a larva morra. A ideia é liberar um número muito grande de machos modificados para que as fêmeas selvagens copulem com eles, não com os machos selvagens, e não gerem novos mosquitos. Os machos não picam, não transmitem a doença.
ÉPOCA – Os mosquitos modificados já podem ser usados?
Margareth – O mosquito que tem o gene letal já está pronto. Foi desenvolvido por uma empresa que cobrará royalties sobre o uso da tecnologia, claro. Participei do teste para verificar a eficácia em campo. O piloto foi nas cidades de Juazeiro e Jacobina, na Bahia. Em um dos bairros, houve redução de 80% na população de mosquitos. Em outro, de 100%. Isso significa que 100% das larvas que recolhíamos tinham o gene letal e, consequentemente, não sobreviveriam. É preciso liberar os mosquitos modificados continuamente para criar uma barreira que impeça que o Aedes selvagem volte a se reproduzir. Ainda falta a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que esse mosquito possa ser usado. Também é necessário construir biofábricas que deem conta de produzir esses mosquitos na escala necessária. A linhagem que estamos desenvolvendo na USP pode estar pronta para testes no próximo ano.  Também há linhagens prontas desenvolvidas pela Agência Internacional de Energia Atômica. Dependendo do investimento, poderíamos ter um grande projeto, em uma cidade de grande porte, em um ano e meio. Podemos fazer algo para 2017.
ÉPOCA – Isso significa que, para este verão, não há nenhuma medida de alta eficácia para ser adotada?
Margareth – Não se combate o mosquito no verão, mas no inverno. É quando ele está em menor quantidade. Há algumas estratégias de curto prazo, que poderiam ser implementadas rapidamente. Tem um projeto de captura de mosquito com armadilha que a própria comunidade pode fazer, com ajuda de agentes de saúde. A armadilha é feita com uma garrafa de plástico e larvicida. O mosquito coloca os ovos lá e eles morrem. Precisa de um investimento menor e dá para atingir um grande número de cidades ao mesmo tempo. Outra estratégia é fazer a dispersão de larvicida biológico, como o BTI, usando helicópteros. O BTI é uma bactéria que produz proteínas que atacam o trato digestivo do mosquito e o matam. O Estado da Flórida, nos Estados Unidos, faz isso para combater o Aedes. Desse jeito, atinge-se tanto o criadouro que dá para ver quanto o que não dá. O Exército poderia ajudar nessa estratégia. Provavelmente, custa muito caro, mas é uma técnica que sabemos que é segura para os humanos e eficiente para reduzir a população de mosquito.
ÉPOCA – Agora temos medo do zika e da síndrome de Guillain-Barré, mas o Aedes aegypti é um problema há décadas, por causa da dengue. Por que o governo é tão lento em criar ações mais eficazes de combate ao mosquito?
Margareth – O Brasil passa por uma crise (de falta de verba) muito complicada. A dengue é um problema? É, mas não é uma doença que causa alta mortalidade. Ela tem um custo altíssimo, porque tira o trabalhador da empresa por 20 dias, mas a mortalidade não é alta. No projeto de Jacobina, para testar os mosquitos transgênicos, tivemos problemas no repasse de dinheiro pela Secretaria de Estado da Saúde. Mas entendo a posição da Secretaria. Se ela tem menos dinheiro, por que daria para um projeto-piloto e não para um hospital? É como se tivéssemos de ir ao supermercado comprar comida para o mês inteiro com R$ 100. Você compra arroz e feijão. Parte de todo o dinheiro que foi roubado nesses escândalos de corrupção poderia ir para a dengue. A gente fala de um projeto de R$ 1 milhão para combater a doença, mas roubaram não sei quantos bilhões. Não podemos dizer que o Brasil é pobre. Os recursos é que são muito mal usados. E muito roubados.
ÉPOCA – Quanto a população pode ajudar no combate aos criadouros?
Margareth – No Brasil, temos outro problema: a cultura de que é o governo que tem de cuidar de tudo. Muita gente acha que não precisa cuidar do próprio quintal porque o vizinho não cuida do dele. É um problema cultural. Mas também falta infraestrutura. Nas casas que visito na Bahia, as crianças me mostram onde estão as larvas. Eles têm a informação, sabem que a larva não pode estar lá, mas não têm o que fazer. É um reservatório de cimento, no fundo do quintal. Eles não podem esvaziar o reservatório todo dia porque só recebem água a cada 48 horas. Eles não têm condições financeiras de comprar cloro para jogar na água. O combate ao mosquito não é só questão de virar vasinho. É um problema social: falta saneamento básico.
ÉPOCA – O que podemos esperar para este verão?
Margareth – Os casos de vírus zika aumentarão, principalmente agora que estamos entrando no período chuvoso, porque os criadouros do mosquito aumentam. Como a epidemia de dengue é recorrente há anos, muita gente não pega, porque está protegido pelo menos contra algum sorotipo. Com o zika, não. São 200 milhões de pessoas que nunca viram esse vírus. É uma epidemia nova. O vírus zika está com tudo.

fev 21

Ficou provado – OAS bancou reformas para Lula

Todos os caminhos levam Lula para a cadeia. Por mais que o aparelhamento do Estado tente blindá-lo.

O povo brasileiro, cada dia mais, conhece e se envergonha do que é descoberto, pois as notícias se espalham para o mundo, manchando a imagem do País que tanto lutou para chegar a uma das maiores economias do planeta e, hoje, figura como o mais corrupto e desgovernado.

Lava-Jato localiza diálogos de empreiteiro com seus funcionários sobre as exigências de Lula, o “chefe”, e Marisa, a “madame”, nas reformas do sítio em Atibaia e do tríplex no Guarujá

Em fevereiro de 2014, as obras do Edifício Solaris, no Guarujá, tinham acabado de ser concluídas. A OAS era a empreiteira responsável. O apartamento 164-A, embora novo em folha, já passava por uma reforma. Ganharia acabamento requintado, equipamentos de lazer, mobília especialmente sob encomenda e um elevador privativo. Pouca gente sabia que o futuro ocupante da cobertura tríplex de frente para o mar seria o ex-presidente Lula. Era tudo feito com absoluta discrição. Lula, a esposa, Marisa Letícia, e os filhos visitavam as obras, sugeriam modificações e faziam planos de passar o réveillon contemplando uma das vistas mais belas do litoral paulista. A OAS cuidava do resto. Em fevereiro de 2014, a reforma do sítio em Atibaia onde Lula e Marisa descansavam nos fins de semana já estava concluída. O lugar ganhou lago, campo de futebol, tanque de pesca, pedalinhos, mobília nova. Como no tríplex, faltavam apenas os armários da cozinha.

Os planos da família, porém, sofreram uma mudança radical a partir de março daquele ano, quando a Operação Lava-Jato revelou que um grupo de empreiteiras, entre elas a OAS, se juntou a um grupo de políticos do governo, entre eles Lula, para patrocinar o maior escândalo de corrupção da história do país. As ligações e as relações financeiras entre Lula e a OAS precisavam ser apagadas. Como explicar que, de uma hora para outra, o tríplex visitado pela família e decorado pela família não pertencia mais à família? Teria havido apenas uma opção de compra. O mesmo valia para o sítio de Atibaia – reformado ao gosto de Lula, decorado seguindo orientações da ex-primeira-dama e frequentado pela família desde que deixou o Planalto. Em 2014, os Lula da Silva passaram metade de todos os fins de semana do ano no sítio de Atibaia.

Por que Lula e Marisa deram as diretrizes para as reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia se não são seus donos? Por que a OAS, que tem seu presidente e outros executivos condenados por crimes na Operação Lava-Jato, gastou milhões com Lula? O Ministério Público acredita que está chegando perto das respostas a essas perguntas – a que o próprio Lula se recusou a responder, evadindo-se do depoimento que deveria prestar sobre o assunto na semana passada. Para o MP, Lula se valeu da construtora e de amigos para ocultar patrimônio. Os investigadores da Lava-Jato encontraram evidências concretas disso. Mensagens descobertas no aparelho celular do empreiteiro da OAS Léo Pinheiro, um dos condenados no escândalo de corrupção da Petrobras, detalham como a empresa fez as reformas e mobiliou os imóveis do Guarujá e de Atibaia, seguindo as diretrizes do “chefe” e da “madame” – Lula e Marisa Letícia, segundo os policiais.

Em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro era presidente da OAS, responsável pela condução de um império que já teve quase 70 000 trabalhadores, em 21 países, construindo plataformas de petróleo, hidrelétricas, estradas e grandes usinas. Àquela altura, porém, ele estava preocupado com uma empreitada bem mais modesta. A instalação de armários de cozinha em dois locais distintos: Guarujá e Atibaia – a “cozinha do chefe”. O assunto, de tão delicado, estava sendo discutido com Paulo Gordilho, outro diretor da empreiteira, que avisa: “O projeto da cozinha do chefe está pronto”. E pergunta se pode marcar uma reunião com a “madame”. Pinheiro sugere que a reunião aconteça um dia depois e pede ao subordinado que cheque “se o do Guarujá está pronto”. Seria bom se estivesse. Gordilho responde que sim. No dia seguinte, o diretor pergunta a Léo Pinheiro se a reunião estava confirmada. “Vamos sair a que horas?”, quer saber. “O Fábio ligou desmarcando. Em princípio será às 14 hs na segunda. Estou vendo, pois vou para Uruguai”, responde o presidente da empreiteira.

Para a polícia, os diálogos são autoexplicativos. No início de 2014, a OAS concluiu a construção do edifício Solaris, onde fica o tríplex de Lula, o “chefe”. A partir daí, por orientação da “Madame”, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, a empreiteira iniciou a reforma e a colocação de mobília no apartamento, a exemplo do que já vinha fazendo no sítio de Atibaia. “Fábio”, segundo os investigadores, é Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do casal. Em companhia dos pais, ele visitou as obras, participou da discussão dos projetos e, sabe-se agora, era a ponte com a família sempre que Léo Pinheiro e a OAS precisavam resolver detalhes dos serviços. Para não incomodar o “chefe” com assuntos comezinhos, a OAS tratava das minúcias diretamente com Marisa e Lulinha. Léo Pinheiro, o poderoso empreiteiro, fazia questão de ter controle sobre cada etapa da reforma. Quando havia uma mudança no projeto, ele era informado. “A modificação da cozinha que te mandei é optativa. Puxando e ampliando para lateral. Com isto (sic) fica tudo com forro de gesso e não esconde a estrutura do telhado na zona da sala”, informa Gordilho. Pela data da mensagem, ele se referia ao projeto do sítio de Atibaia.

A antena de telefonia móvel da Oi instalada a cerca de 300 metros do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não tem alvará de funcionamento. A operadora também não quitou a taxa de fiscalização para concessão de licença de funcionamento, de acordo com a Prefeitura de Atibaia. Estão na mesma situação outras 18 antenas da empresa na cidade, segundo o ente municipal.

O total devido chega a 292 Unidades de Valores de Referência Municipal (UVRM), o equivalente a R$ 900,50.A antena próxima ao sítio frequentado pelo ex-presidente Lula foi instalada sem receber aprovação do município.

O levantamento das irregularidades foi feito pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente após solicitação em caráter de urgência do procurador Roberson Henrique Pozzobon, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

O e-mail enviado ao prefeito Saulo Pedroso de Souza (PSD), no dia 10, requisitou “no prazo de 48 horas, a íntegra do procedimento de licenciamento ambiental da antena localizada na Travessa da Estrada do Parque das Cascadas, S/N, Portão, Atibaia/SP”. No ofício, Pozzobon ainda ressaltou que, “diante da urgência que temos nas informações, requisitamos que, se plausível, os dados sejam enviados não só por correio, mas antecipadamente” por e-mail.

Na quarta-feira passada, o jornal Folha de S.Paulo afirmou que o funcionário da operadora e ex-sindicalista ligado ao PT, José Zunga Alves de Lima, articulou a instalação do aparato ao lado do sítio.A força-tarefa da Lava Jato também busca no Cartório de Registros de Imóveis de Atibaia documentos que apontem o proprietário das terras onde está instalada a antena.

com Veja.com e Estadão

fev 21

Umberto Eco – pensamento, vida e obra

“Hoje, quando afloram os nomes de corruptos e fraudadores, as pessoas não se importam com isso, e só vão para a cadeia os ladrões de galinhas.”

Umberto Eco * 5-jan-1932  +19-fev-2016

Umberto Eco surpreende em suas obras e, de forma aberta e contundente, em suas declarações que explica, até, o que ocorre nas redes sociais e WEB em geral, com efeito no ativismo e tantas outras áreas. Da mesma forma, resume o jornalismo atual e fala sobre a missão que não está sendo cumprida.

A conspiração dos imbecis

O escritor italiano diz que a internet dá voz a todo tipo de opinião desqualificada — e que o jornalismo, tema de seu novo romance – Número Zero – deve atuar como um filtro para o que se lê na rede.

As declarações de Eco

Os imbecis na rede (WEB)
As pessoas fizeram um grande estardalhaço por eu ter dito que multidões de imbecis têm agora como divulgar suas opiniões. Ora, veja bem, num mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, você não concordaria que há muitos imbecis? Não estou falando ofensivamente quanto ao caráter das pessoas. O sujeito pode ser um excelente funcionário ou pai de família, mas ser um completo imbecil em diversos assuntos. Com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende.

Sobre o Jornalismo

A crise do jornalismo começa nos anos 50, com a televisão. Antes disso, os jornais diziam, pela manhã, o que havia acontecido no dia anterior, ou até mesmo na noite anterior. Os próprios nomes indicavam um pouco isso: o italiano Corriere della Sera, o francês Le Soir, o inglês Evening Post. Depois da televisão, os jornais passaram a dizer, pela manhã, o que as pessoas já sabiam. Eles deveriam ter mudado – e não mudaram. Mudar, naquele contexto, significaria reduzir o número de páginas, mas, em vez disso, os jornais ampliaram o tamanho, sobretudo por razões de publicidade. Ora, como preencher esse espaço? Três possibilidades. Primeira: aprofundar a informação através de análises e comentários. Alguns jornais foram por esse caminho, com maior ou menor êxito, como o New York Times. Segunda possibilidade: a pura fofoca, que foi o caminho de certos jornais britânicos. Terceira: a repetição das mesmas notícias. Há dois dias, um garoto sul-americano atacou um controlador de trem aqui em Milão com um machado. É uma informação que pode ser dada em uma pequena coluna. No entanto, você olha os jornais e lá estão páginas inteiras sobre o assunto. Pode até ser divertido, enquanto tomo o café, ler mais detalhadamente uma matéria mais longa. Acredito que Hegel estava certo: a leitura dos jornais de manhã é a oração do homem moderno.

As conspirações

No livro O Pêndulo de Foucault, as teorias da conspiração estavam no centro da trama. Em Número Zero, no entanto, Umberto Eco faz um uso diverso das conspirações.
Há um personagem paranoico, Braggadocio, que constrói a sua própria conspiração, com um elemento inventado: Mussolini não teria sido executado. Fora isso, todos os fatos que relato em Número Zero pertencem à categoria das conspirações reais. A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta. Houve uma conspiração para matar Júlio César, e todos sabemos. O perigo está nas conspirações falsas, pois você não consegue desmenti-las – mas elas se prestam à manipulação: quem quiser tirar proveito delas poderá montar contraconspirações muito reais. Foi o que Hitler fez, propagando a falsa conspiração dos judeus, dos Protocolos dos Sábios de Sião.

Escritor ou Filósofo?

Sobre a conciliação entre suas duas facetas – a de acadêmico e a de autor pop, Eco dizia: “Eu sou um filósofo. Escrevo romances apenas aos fins de semana”.

A estética medieval, as seitas secretas e, claro, as teorias conspiratórias são temas recorrentes na obra do escritor – um fascínio que ele compartilhava com seus milhões de leitores. Em O Pêndulo de Foucault, um plano conspiratório feito por diversão sai do controle quando os personagens passam a ser perseguidos por uma sociedade secreta real. Em O Cemitério de Praga, que se passa no final do século XIX, o avô do protagonista é um antissemita que acredita que maçons, templários e illuminatis orquestraram a Revolução Francesa. No seu último romance, Número Zero, lançado no ano passado, um comendador cria um jornal somente para chantagear seus inimigos.

Tanta conspiração rendeu um gracejo que Eco gostava de repetir em suas últimas entrevistas. “Eu inventei Dan Brown”, dizia ele, com uma boa dose de acidez, sobre o autor de O Código Da Vinci. “Ele é um personagem do meu romance O Pêndulo de Foucault. Eu o inventei. Ele compartilha da fascinação de meus personagens pelo mundo das conspirações. Suspeito que Dan Brown nem sequer exista.”

Quem é Umberto Eco

O Castelo Sforzesco, em Milão, preserva tesouros da arte italiana, como a Pietà Rondanini, de Michelangelo. Um dos sóbrios edifícios residenciais em frente ao castelo abrigava outro tesouro italiano: Umberto Eco, filósofo, crítico literário e romancista traduzido em mais de quarenta idiomas.
O italiano transitava com desenvoltura entre o mundo acadêmico e os best-sellers. Nascido em 1932, na cidade de Alexandria, localizada na região italiana do Piemonte, Eco já era um intelectual respeitado quando lançou seu primeiro romance, O Nome da Rosa, em 1980. Na obra, um frade franciscano inspirado em Sherlock Holmes investiga crimes misteriosos em uma abadia na Idade Média. A mistura de erudição e narrativa envolvente agradou público e crítica, e o livro foi um sucesso mundial. A obra ganhou uma também bem-sucedida adaptação para o cinema com Sean Connery – e transformou Eco em um dos maiores fenômenos literários do século XX.

A BBC publicou:

Umberto Eco era famoso tanto por sua criação literária como por suas lúcidas e polêmicas declarações.

Após o falecimento na sexta-feira do escritor e filósofo italiano de 84 anos, autor de romances como “O Nome da Rosa” (1980), “O Pêdulo de Focault” (1988) e “Número Zero” (2015), reunimos dez frases que ilustram o que ele pensava sobre temas diversos, da internet a Deus.
1. Sobre os livros

“Os livros não são feitos para alguém acredite neles, mas para serem submetidos à investigação. Quando consideramos um livro, não devemos perguntar o que diz, mas o que significa.” – O Nome da Rosa

2. Sobre os pais

“Acredito que aquilo em que nos transformamos depende do que nossos pais nos ensinam em pequenos momentos, quando não estão tentando nos ensinar. Somos feitos de pequenos fragmentos de sabedoria.” – O Pêdulo de Focault

3. Sobre Dios
“Quando os homens deixam de crer em Deus, não significa que não creem em nada: creem em tudo.”

4. Sobre o amor
“O amor é mais sábio que a sabedoria.” – O Nome da Rosa

5. Sobre os heróis
“O verdadeiro herói é herói por engano. Ele sonha em ser um covarde honesto como todo mundo.”

6. Sobre os vilões
“Os monstros existem porque são uma parte de um plano divino e, nas características horríveis desses mesmos monstros, revela-se o poder do criador.” – O Nome da Rosa

7. Sobre a poesia
“Todos os poetas escrevem poesia ruim. Os poetas ruins as publicam, os poetas bons as queimam.”

8. Sobre o jornalismo
“Não são as notícias que fazem o jornal, mas o jornal é que faz as notícias, e saber juntar quatro notícias diferentes significa propôr ao leitor uma quinta notícia” – Número Zero

9. Sobre a internet
“As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis” – ao jornalLa Stampa.

10. Sobre a corrupção
“Hoje, quando afloram os nomes de corruptos e fraudadores, as pessoas não se importam com isso, e só vão para a cadeia os ladrões de galinhas.” – à agência EFE

Biografia

Nascimento: 5 de janeiro de 1932, Alexandria, Itália
Falecimento: 19 de fevereiro de 2016, Milão, Itália
Cônjuge: Renate Ramge (de 1962 a 2016)
Educação: Universidade de Turim
Filme: O Nome da Rosa

Umberto Eco começou a sua carreira como filósofo sob a orientação de Luigi Pareyson, na Itália. Seus primeiros trabalhos dedicaram-se ao estudo da estética medieval, sobretudo aos textos de S. Tomás de Aquino. A tese principal defendida por Eco, nesses trabalhos, diz respeito à ideia de que esse grande filósofo e teólogo medieval, que, como os demais de seu tempo, é acusado de não empreender uma reflexão estética, trata, de um modo particular, da problemática do belo.

A partir da década de 1960, Eco se lança ao estudo das relações existentes entre a poética contemporânea e a pluralidade de significados. Seu principal estudo, nesse sentido, é a coletânea de ensaios intitulada Obra aberta (1962), que fundamenta o conceito de obra aberta, segundo o qual uma obra de arte amplia o universo semântico provável, lançando mão de jogos semióticos, a fim de repercutir nos seus intérpretes uma gama indeterminável porém não infinita de interpretações.

Ainda na década de 1960, Eco notabilizou-se pelos seus estudos acerca da cultura de massa, em especial os ensaios contidos no livro Apocalípticos e Integrados (1964), em que ele defende uma nova orientação nos estudos dos fenômenos da cultura de massa, criticando a postura apocalíptica daqueles que acreditam que a cultura de massa é a ruína dos “altos valores” artísticos — identificada com a Escola de Frankfurt, mas não necessariamente e totalmente devedora da Teoria Crítica —, e, também, a postura dos integrados — identificada, na maioria das vezes, com a postura de Marshall McLuhan —, para quem a cultura de massa é resultado da integração democrática das massas na sociedade.

A partir da década de 1970, Eco passa a tratar quase que exclusivamente da semiótica. Eco descobriu o termo “Semiótica” nos parágrafos finais do Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690), de John Locke, ficando ligado à tradição anglo-saxónica da semiótica, e não à tradição da semiologia relacionada com o modelo linguístico de Ferdinand de Saussure. Pode-se dizer, inclusive, que a teoria de Eco acerca da obra aberta é dependente da noção peirciana de semiose ilimitada. Nesta concepção do “sentido”, um texto será inteligível se o conjunto dos seus enunciados respeitar o saber associativo.

Ao longo da década, e atravessando a década de 1980, Eco escreve importantes textos nos quais procura definir os limites da pesquisa semiótica, bem como fornecer uma nova compreensão da disciplina, segundo pressupostos buscados em filósofos como Immanuel Kant e Charles Sanders Peirce. São notáveis a coletânea de ensaios As formas do conteúdo (1971) e o livro de grande fôlego Tratado geral de semiótica (1975). Nesses textos, Eco sustenta que o código que nos serve de base para criar e interpretar as mais diversas mensagens de qualquer subcódigo (a literatura, o subcódigo do trânsito, as artes plásticas etc.) deve ser comparado a uma estrutura rizomática pluridimensional que dispõe os diversos sememas (ou unidades culturais) numa cadeia de liames que os mantêm unidos.

Dessa forma, o Modelo Q (de Quillian) dispõe os sememas — as unidades mínimas de sentido — segundo uma lógica organizativa que, de certo modo, depende de uma pragmática. A sua noção de signo como enciclopédia é oriunda dessa concepção. Como consequência de seu interesse pela semiótica e em decorrência do seu anterior interesse pela estética, Eco, a partir de então, orienta seus trabalhos para o tema da cooperação interpretativa dos textos por parte dos leitores. Lector in fabula (1979) e Os limites da interpretação (1990) são marcos dessa produção, que tem como principal característica sustentar a ideia de que os textos são máquinas preguiçosas que necessitam a todo o momento da cooperação dos leitores. Dessa forma, Eco procura compreender quais são os aspectos mais relevantes que atuam durante a atividade interpretativa dos leitores, observando os mecanismos que engendram a cooperação interpretativa, ou seja, o “preenchimento” de sentido que o leitor faz do texto, procurando, ao mesmo tempo, definir os limites interpretativos a serem respeitados e os horizontes de expectativas gerados pelo próprio texto, em confronto com o contexto em que se insere o leitor.

Além dessa carreira universitária, Eco ainda escreveu cinco romances, aclamados pela crítica e que o colocaram numa posição de destaque no cenário acadêmico e literário, uma vez que é um dos poucos autores que conciliam o trabalho teórico-crítico com produções artísticas, exercendo influência considerável nos dois âmbitos.

Umberto morreu em sua casa, em Milão, na noite de 19 de fevereiro de 2016.

por Celso Brasil
Pesquisa

Fontes: pesquisa WEB
Veja.com
BBC
Wikipédia
Artigos WEB

fev 21

Trump vence e Bush joga a toalha

Donald Trump vence as primárias e o pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos, Jeb Bush, anunciou neste sábado que está desistindo de concorrer após os resultados ruins nas primárias de Iowa, New Hampshire e as de hoje na Carolina do Sul.

“Esta noite suspendo minha campanha”, disse Bush a seus seguidores, muito emocionado ao saber que nas primárias da Carolina do Sul apenas conseguiu 10% dos votos.

“Nego-me a me apegar aos ventos políticos”, acrescentou o ex-governador da Flórida.

Bush, que começou a campanha como favorito para conseguir a candidatura republicana, não conseguiu nunca liderar as pesquisas, e sempre esteve atrás de rivais como Donald Trump ou os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, apesar da enorme força financeira com o qual começou a disputa.

Durante suas breves palavras, agradeceu a seu irmão, o ex-presidente americano George W. Bush, e a sua mãe Barbara, por terem participado junto com ele nos últimos dias de campanha.

Deste modo, o panorama para a candidatura republicana fica mais claro, onde continua à frente Donald Trump, após ganhar as primárias da Carolina do Sul de hoje.

com Agência EFE